Não sei nem por onde começar já que minha cabeça tá virada neste exato instante. Virada mesmo. To tonto pra caramba. Perdi a noção de tudo. Desde às 18h00 de ontém (26) eu tava fora de casa rodando a cidade.
Combinei de me encontrar com um amigo na estação República, pra mim foi fácil chegar porque eu moro a duas estações de lá, mas meu amigo demorou um tempinho. Enquanto eu esperava ele, as massas vinham e não paravam. Era uma quantidade de gente inacreditável, todos indo para o centro conferir de perto o que tava rolando. Encontro meu amigo e a gente segue rumo. Entramos num consenso e decidimos ir ao Pateo do Colégio ver o palco dos Festivai Independentes, mas nem eu, nem ele sabiamos como chegar lá. Cheguei num segurança do evento e perguntei como faço pra chegar lá, mas quem respondeu essa pergunta fora um senhor marrento: “É DO OUTRO LADO DA CIDADE!”, berrava o cara enquanto eu dava as costas pra não ouvir mais bobagens vindas dele.
São Paulo é gigantesca, mas não precisa me fazer de idiota. Eu sabia onde estava e tinha noção da distância para o Pateo do Colégio, só não sabia qual direção seguir a pé. Felizmente quando fui perguntar para outro segurança, ganhei de bandeja um guia do evento com todas as informações. Chegamos ao Pateo do Colégio, completamente lotado. Assistimos a duas bandas: Luísa Mandou um Beijo (RJ) e Vanguart (MT). A banda carioca deixou a desejar, mas deixou uma boa impressão. Já a banda de Cuiabá, fascinou, entreteu e prometeu mil e uma maravilhas; nem precisava, o som deles dá conta disso. Muito boa a banda e já na platéia deu pra perceber uma base de fãs cantando todas as músicas.
Fim do show da banda de Mato Grosso, tive a jumentice de concordar em literalmente, rodar a cidade. Pegamos um metrô e fomos até a Avenida Paulista, de lá dirigimo-nos à Casa das Rosas pra pegar a apresentação do Tom Zé. Eu não fazia idéia de que tipo de som o cara fazia. Nenhuma noção. E continuei sem ter essa noção. Tinha umas 4 mil pessoas vendo ele fazer um discurso anti-imperialista, anti-isso, anti-aquilo. E não ficou restrito a ver ele fazer esse discurso, mas deixar se levar pelo que ele fala e repetir as bobagens dele. Eu e meu amigo estavámos praticamente colados no palco, colados eu disse, não esprimidos, esse quesito tava tranqüilo. Atrás de nós havia um cidadão que ficava incentivando o artista:
“Vai Tom Zééé, arrebenta cara!”, ouvi pelo menos 15 variações dessa frase, claro, vindas da mesma pessoa.
De bom mesmo, só os músicos que acompanham o cara. Destaque para o baterista que destruiu a pobre coitada. Show ao ar livre, preciso falar sobre fumantes? Não, eles não merecem um post inteiro, mas merecem ser banidos. Gente egoísta, poser, imbecil que não percebe o quanto o cigarro incomoda. Mas eles que se fodam, já estão se fudendo só por fumarem, ao menos que se fodam sozinhos, sem prejudicar os outros.

Fim do show, lá vou eu denovo ao centro de encontro a outro grupo de amigos. Metrô às 1 da manhã é um caso curioso. Tô dando uma olhada no meu guia do evento quando um sujeito me aborda e tenta pegar o cartaz das minhas mãos. Desviei o guia e fiquei só na bronca visual com o filho da puta. Passado o susto, outro sujeito vem e me pergunta: “E aê manô, se sabe kóé à vrada paulishta?”. Demorei uns 3 minutos pra entender o que diabos o cara queria, até o próprio grupo de amigos dar um pedala nele e calar a boca dele.
A essa altura já tava pensando em desistir de achar os outros companheiros, nóias de ser assaltado rondavam minha cabeça, até que, recebo um sms do meu camarada que me avisa aonde eles estão. Vou ao seu encontro. Saio do vagão e chego na estação São Bento, completamente tomada pela multidão que se esbaldava à um som bizarro de não sei qual banda, estilo, genêro, nada, não consegui prestar atenção em nada. No mais puro chute intuitivo, consigo achar o Café onde fora combinado o encontro e localizo meus queridos meliantes. Já devia ser duas da matina e o centro de sampa, bombando. Bombando de sujeira, de gente usando crack no meio da rua, gente mijando nas portas de lojas, água da mais pura contaminação de doenças passando do meu lado, um escuro que tomou conta de todas as ruas do centro. Me senti na Idade das Trevas.
A loucura de rolar a cidade já tinha terminado? Jamais, nunca, nevá. Fomos ver mais uma pista de dança eletrônica, acomodamo-nos perto do Viaduto Santa Efigênia e fomos entrevistados por um pessoal da TV Cultura. Logicamente, todos desceram o pau no evento. E a equipe da rede de televisão ficou mais do que satisfeita com as respostas. Próxima parada: Cine Sesc na Rua Augusta. Mais caminhada, mais metrô, novamente Av. Paulista, se bem que era o único lugar de fato, sossegado, do evento inteiro. Mas antes, passamos por uma Pizzeria. Ressalto, a pizzeria menos organizada da via láctea. Cinco filas paralelas umas às outras. Vai entender o que cada fila representa. Paulistano ama fila e tem os que amam furar fila, a esses eu desejo que furem-lhes seus respectivos esfíncteres.

Fim da pizza, início da sessão de Control, filme do Anton Corbijn às QUATRO da manhã. Quem paga pra ver filme a essa hora? Eu, paguei pra… dormir. Jumento total. Achei em sã consciência que ia conseguir me manter acordado durante a sessão. Não posso dizer que vi Control, vi TRECHOS do filme, praticamente paguei pra ver um trailer. Mas posso dizer, os caras que escolhem as poltronas do cinema sabem escolher, que troço confortável, como eu amo dormir durante filmes. Pode ser o filme do ano, mas não adianta, nada me prende (será? é espero que aquilo me prenda, senão é o fim do mundo). Os meus amigos e amiga tavam se rachando de rir, até que eu levantei uma sombrancelha e percebi a pendenga. Claro, sorri junto. Falei que tinha dormido muuuuuito bem. E tinha mesmo. Saindo do cinema, os organizadores desta sessão hiper-mega-ultra-super especial deram um café da manhã pra quem viu o filme. Suco industrializado e um pacote de saco plástico lacrado com uns mini-croissaints. Suficiente pra matar a larica.
Carona dos amigos e às SETE E MEIA da manhã estava em casa. Eu devia tirar o chapéu pra eles já que eu poderia capotar no minuto em que botei o pé no quarto, eles ainda teriam cerca de uma hora até chegar em casa. Dormi até às 18h00 e perdi o resto do segundo dia da virada. Segundo relatos, o segundo dia fora bem mais tranqüilo que o primeiro e tinha menos gente, menos bagunça e shows melhores. Claro, óbvio, lógico que eu perdi isso, mas fuck it, fica pro ano que vem. A real é que Sexta, Sábado e Domingo pareceram um enorme dia enxutado em um dia só. Torço para que em 2009 a virada não vire furada. Fui.