Seu Tempo continua incomodando, só o fato dele existir já incomoda. Ver ele passar mais ainda. Resta-nos levantar o freio de mão e dar uma diminuida na coisa. A gente atrela tudo ao tempo. Essa subordinação que temos à esse troço que ocupa espaço em nossas vidas, bota espaço nisso. Francamente? Não agüento mais falar de tempo. Não agüento mais viver de acordo com ele. Meu maior medo é o dia em que eu não consigo mais ver ele, ironicamente, quando ele não tem culpa nenhuma. Ele é constante.
Eu queria que as coisas acontecessem mais rápido. Queria literalmente poder fazer o que der vontade. Pausar esse filme chamado ‘vida’. Nessa pausa, a imagem congela e as pessoas ao meu redor também congelam, logo, isso inclui o tempo. O mundo congelou, frisou, parou. Claro, eu sou o único que se move entre um monte de pessoas paradas. Umas apressadas, outras dormindo no ponto. A gota de água que cai do céu passa na minha frente e eu consigo desviar dela. Pego e me enfio entre uma multidão. Sento no meio de todos, encaro eles, penso na vida. Penso nos meus objetivos, nos meus planos, nas minhas vontades. Finalmente eu consigo pensar sem ter o tal do tempo pra berrar na orelha.
Pessoas discutindo por motivos fúteis. Gente brigando por vácuo. Gritos. Verbalizações emanadas de maneira grossa. Nada disso. A constância humana congelou. Essa constância que, aparentemente, só persegue bobagens. Preguiça de pensar? Nenhuma. Não há o que pensar. Há o que fazer, muita coisa a ser feita.
Acordar de manhã, olhar no espelho e ver que não estou só. Tem mais alguém comigo. Meu chuchu. Sim, viva os apelidos carinhosmente dados àqueles que amamos. Assim que você frisa a imagem, você olha tudo com uma delicadeza que só os que querem olhar assim conseguem, ou seja, não há nenhuma exclusividade nisso, basta querer. Sim, uma vontade aliada à uma mente positiva. Utopia sim, realidade não. Pra quê? Pra quê encarar a realidade? Tá longe de ser essa ausência de sofrimento que a gente tanto procura.
Por que ficamos felizes com o sofrimento alheio? Proporciona um prazer? Não deveríamos nos encher de alegria ao vermos o outro feliz? No fundo, todo ser humano é bom, mas o problema é justamente esse, poucos tem a audácia e a vontade de extrair desse fundo as coisas boas. As que escolhem explorar esse fundo, são as mais felizes, são as pessoas de boa índole. Há quem prefira amar ao invés de odiar.
A vida nos reserva um grande amor ou será que ela torçe pra que nós o encontremos? Por que quando falamos de amor atribuimos a ele essa noção de grandeza? Acredito que seja pela peculiaridade dele. É um sentimento verdadeiro, é algo que nos chacoalha, nos comove. Quando o sentimos, não queremos largar esse sentimento. Talvez para tentar inverter aquele velho clichê para ‘tudo que é bom dura MUITO’. É o exagero da vida que a gente aceitaria de braços abertos. Jamais algo foi colocado fora do conceito de equilíbrio, só que agora o próprio equlíbrio diz: “Não me encaixo nessa categoria, favor dar sinal verde a ela”.