A banda que a música mais vai reverberar neste país, é provavelmente a que eu menos conheço. O Legião Urbana manteve acesa uma chama que, a príncipio, proporcionaria esperança para a nação, músicas que tocariam os mais profundos sentimentos, que sempre evocariam um desejo de ver as coisas melhorarem, não só melhorarem, mas melhorarem pra sempre e que sejam constantes, não passantes.
Eu entendo e respeito aqueles que decidiram viver de música, o que eu não entendo e me nego a respeitar são aqueles que encaram música como mero suporte para arrecadar grana à custa do lixo criado.. Certa vez, um artista influente no mundo da música disse: “Se você não tem a intenção de ser maior que os Beatles, qual é o propósito de formar uma banda?”. Em tempos onde, o parâmetro tem nivelamento vindo do mais baixo patamar possível, o que esperar daqueles que pegam como referências para as suas músicas, verdadeiras obscuridades sonoras?

Água pode ser o solvente universal, Música é o sobrevivente universal. Não há como matá-la, embora haja tentativas recorrentes de cometer esse homícido triplamente qualificado, e eu paro por aqui com a pena referida para quem dilacera a música com seus ideais revolucionários pré-históricos. Porra, levem mais a sério isso, pelo amor de deus. Escutem o lixo que vocês produzem e perguntem-se depois de tomar um banho de sinceridade-própria: é no mínimo audível esse som? Tem uma galera que precisa, urgente, comprar semancol ao kilo. Ao contrário do que possa parecer, não vou citar nenhuma banda dessa “parcela” de badernas-de-estúdio.
O que eu queria mesmo, é ver uma relegião, uma volta de uma banda que realmente causasse estardalhaço e desse um novo ponta pé nos hábitos aúdio-lineares que, de tão acostumados a escutá-los, além de aceitarmos ativamente esse ataque a dignidade humana, perdemos a noção do que penetra na nossa cabeça.
Recomeçar, refazer, relançar o paradigma musical. Alcançar um pico de originalidade que vai obrigar outras bandas a ralar, a tomar vergonha na cara e não se render mais às exigências fúteis e estapafúrdias dos executivos-paleozóicos que acham que sabem o que o ouvinte quer escutar. Metralhar os inventores de tendências na canela mesmo, acabar com toda essa pseudo-previsibilidade que, ironicamente, só dá mais credibilidade para aqueles que a seu bel prazer, decidem alavancar a carreira de uma banda que nunca deveria ter saído da garagem, para um público surdo que, não só paga o pato pra ver três patetas munidos de guitarras amplificadas, mas que de tão mal-acostumado, ficou bem à vontade em escutar a escória da música.
Ainda bem que a legião atual de audiófilos, tem a opção de escutar o que quiser, só resta surgir a banda que irá gerar uma relegião em torno dela.
Créditos da imagem: Bersek Warrior


Reza Brava
