Indústrias dos Ciclos

2 05 2008

Pilhas, remédios, gasolina, pasta de dentes, refrigerantes, pneus e até mesmo chiclete. O que todos estes objetos têm em comum? Todos eles fazem parte das chamadas Indústrias dos Ciclos, termo que eu mesmo acabei de bolar. São produtos que consumimos em nosso dia-a-dia e que sempre, em dado momento, precisam ser repostos para que possamos usufruir direta ou indiretamente deles ou com eles.

Pilhas para o controle remoto, para o discman, para a câmera digital, para uma infinidade de outros produtos que só funcionam à base de pilhas. Duracell e Energizer são os nomes que me vem em mente. Rayovac representando a indústria tupiniquim. Não sou um grande entendedor de física, nem de eletricidade, mas, creio eu, daria para fabricar uma pilha que pudesse ser recarregada através de processos internos à ela mesma. Vejam bem como funciona a coisa: pilhas recarregáveis, só são recarregáveis porque há a usina hidrelétrica que distribui eletricidade para carregar a tomada de sua casa com elétrons e prótons e ótons de não sei mais o que. Então você pluga na tomada o adaptador que vai recarregar as pilhas e que, por sua vez, irá consumir energia, a qual você terá que pagar no fim do mês para poder continuar recarregando as suas pilhas. O dinheiro que a companhia de eletricidade ganhar vai ser dividido segundo a hierarquia da empresa, uns funcionários irão ganhar mais que outros, uma outra parcela será destinada para a manutenção da própria empresa e o que sobrar disso será o lucro desta.

Afinal, se uma pilha tivesse uma energia inesgotável, eterna, as empresas iriam à falência em questão de dias. 

Agora vem a parte interessante, as indústrias farmacêuticas. Tudo bem que a gente pega mais de um resfriado ao ano, mas é de se pensar, será mesmo que é devido ao lugar aonde moramos? Oras bolas, não vou fazer uma pesquisa mensal em cada cidade do território nacional para descobrir os verdadeiros causadores do resfriado e da gripe, vo pegar São Paulo mesmo. Cidade absurdamente poluída. A qualidade do ar aqui deve estar se aproximando de alguma cidade Chinesa altamente industrializada. Resumo da ópera: respiramos qualquer coisa menos oxigênio, os corpitchos aqui pelo jeito tem uma adaptabilidade incrível à isso, respiram algo que se assemelha à estratosfera de saturno. Hmm, mas quem são os causadores disso? Ah sim, os carros, caminhões e todas as indústrias que soltam fumaça pelas suas chaminés, nem aí pra saúde dos habitantes, muito menos do meio ambiente. To tentando criar uma relação entre essas indústrias, logo menos encontro.

Entonces, você pega o seu carro, produzido pela indústria automobílistica e vai até uma loja comprar um pacote de pilhas para o seu controle remoto, enquanto isso você emporcalha o ar com monóxido de carbono, o que irá eventualmente causar uma irritação nos seus olhos ou na sua garganta, ou em ambos e que no fim das contas, obrigará você a comprar o que meus caros amigos? Remédinho. Com acento agudo no e. Viu como funciona a coisa? E o mal da raíz tá aonde? Na querida telinha, como os sócios do clube do sofá costumam chamar a televisão. Tá mais pra telemanipulação, mas prossigamos.

Alguém aí já ouviu falar de efeito placebo? Preciso pesquisar acerca desta nomenclatura, mas a história toda é a seguinte: fizeram um teste com uma galera pra ver o que realmente cura uma gripe ou um resfriado. Pegaram dois comprimidos. Um comprimido na verdade era açúcar ou sal em forma de comprimido e outro efetivamente era uma aspirina (será que ela tem substâncias que de fato curem a dor de cabeça ou também é balela?) ou qualquer que seja o medicamento pra tratar dessas chatices urbanas. O fato é que disseram para dois grupos de participantes do experimento a seguinte condição: todos irão tomar uma beliscada de um equipamento, uns poderão sentir mais ou menos dores dependendo do que? De um suposto ”comprimido” que irá diminuir a dor. A real é que deram um comprimido sem nada para ambos os grupos e falaram pra um grupo que havia uma substância que reduziria a dor deles na hora da fisgada e que, eles, tomando o comprimido antes, iriam amenizar a dor. Para o outro grupo disseram que o comprimido iria aumentar a sensação do beliscão. Resultado: os que tomaram o comprimido achando que a dor ia ser menor, claramente manifestaram uma reação mais tranqüila, mesmo o comprimido não tendo substância alguma e o outro grupo deu uns pulos da cadeira, achando que o fator causador do aumento do beliscão foi o comprimido-de-nada que eles tomaram.

Semana passada, em sala de aula assisti um vídeo de um cara que tava no programa Roda Viva da TV Cultura, ele ataca as indústrias farmacêuticas do mundo todo afirmando que elas são as empresas mais sujas de todo o planeta, como se não bastasse isso, ele diz que todos os remédios que a gente compra não servem pra nada, pelo fato dessas indústrias não buscarem a cura de seus “pacientes”, leia-se, clientes. Para ele elas só buscam o lucro. Loucura ou não, eu não preciso fazer esforço pra concordar com o cara. Faz sentido o que ele diz, só quem é burro ou ingênuo vai achar que essas indústrias são do bem. A não ser que alguém me venha com uma explicação do tipo: “Ah, mas eles não tem culpa do maldito resfriado voltar todo ano. Eles fazem a parte deles, curam você daquele momento específico de mal-estar, não da eternidade”.

Só digo uma coisa: se a natureza, que nos dá TUDO em troca de NADA, fosse capitalista, estaríamos fodidos.