O que escrever

5 05 2008

O flagrante: falta de inspiração para escrever um texto para o blog. A injúria: ter o que escrever, mas não ter conteúdo para preencher o texto. Afinal, não há lógica pra sair publicando bobagens, certo? Claro, mas e quando acontece aquela situação de simplesmente não se ter mais o que escrever? Falta de inspiração ou falta de assunto? Falta de habilidade ou falta de vontade? Com certeza absoluta, alguma coisa falta, mas veja só: até quando não tenho sobre o que escrever, escrevo.

Em tempos de mídia sensacionalista (que já é assim há um bocado de tempo) o cidadão se vê num beco sem saída. Aliás, tem saída sim. Escrever. Escrever sobre não ter o que escrever. Porque, no começo do blog, parece como um namoro, um tesão absurdo em escrever tudo que der na telha. Do nada, esse tesão some de vista e nos deixa a mercê de que? A mercê do vazio, do nada, do vácuo. Não é de se impressionar com o jornalismo pós-moderno, literalmente caçando notícias. Ok, é a profissão dos caras, caçar notícias, fatos, o que seja e divulgar esses acontecimentos. Entretanto, o que eu tenho reparado é que quando não há o que noticiar, qualquer coisa que apareça na frente deles se torna (eles tornam) tempestade em copo d’agua.

Vazio

Mantém o noticiário ocupado por um bom tempo, dá uma margem de tempo para caçar outras notícias mais interessantes e assim reinicia o ciclo. Talvez seja óbvio o que eu tô falando, mas ressaltar isso não custa nada. E nem estou me referindo à seção de celebridades, já que os únicos que celebram alguma coisa são os paparazzi e os jornalistas que publicam algum furo e ganham uma grana em cima.

Não dá pra levar a sério uma revista que coloca o Ronaldo Fenômeno na capa. Porra, vocês me juram que não tem nada mais importante pra publicar na capa? Tá, o infeliz fez (ninguém sabe o quê [e eu continuo não me importando]) sabe se lá o que com dois travestis, oras bolas, deixa ele resolver a mutreta. Nah, claro que não. Os especialistas de plantão tem que criar teorias quânticas, metafísicas e transcendentais pra explicar o que aconteceu. Como é que um acontecimento (se é que pode ser chamado disso) desse naipe consegue render mais do que duas linhas de texto? É né, já rendeu a sétima linha aqui.

Pelo jeito eu não sou o único que não tem o que escrever.

Boa Gordo.

PS.: Um bode chega pro outro e diz:
- E ae meu, vamo bodiar?
- Bodeia meu.
- Beleza, bodiei.

iLustração do post, Flickr da Pâmela