Vida Electron

8 05 2008

É isso mesmo? Se você leva a vida a sério, a vida te leva a sério? Se você despreza ela, o tratamento é recíproco? Bem provável que sim. Que tal encarar essa coisa chamada vida da perspectiva em terceira pessoa? Ou melhor, a vida é essa terceira pessoa, é o seu holograma. Esse holograma depende de você, porque lhe pertence, embora lhe observe. Desemboca-se então no seguinte plano: a pessoa que faz acontecer, acaba por desencadear processos externos à ela, estes que, por sua vez, não aconteceriam se a pessoa não mostrasse resultados.

É mais ou menos como engrenagens. Você corre atrás de coisas que aparecem na sua vida e “do nada” acaba vendo resultados (aparentemente externos à você). Mexeu em uma engrenagem, que mexeu em outras. Simples assim. Você se mexe, mexe com os outros. Puramente causa e efeito.

Na minha visão, quanto mais resultados você atinge, mais você fica quite com a vida. Você já nasce devendo pra vida, pra sua vida e, ao longo desta, vai equilibrando os atos até um ponto onde após tantos feitos terem sido concretizados (ai que a gente chega na parte batuta da teoria) que a vida acaba devendo pra você. É o déficit da vida com a pessoa que carrega ela no peito e claro, superávit da pessoa com a vida.

A vida te deve. E pra pagar essa dívida, coisas boas vão acontecendo. Tudo parece estar maravilhoso e equilibrado, até que alguma coisa acaba dando errado. Voltamos à estaca zero e, novamente, a pessoa precisa mostrar resultados pra poder usufruir de “coisas que caem do céu”.

Mas quem é credor hoje em dia? Quem é que tem tanto crédito com a vida? Certeza que há muita gente. Sem sombra de dúvida também há uma legião que tá devendo, e muito, pra poder sair resmungando. É assim que a sociedade tá dívidida hoje em dia. Credores e devedores. Credores que só ganham crédito com a vida e o mais engraçado, fazem isso de maneira natural, tá no dia-a-dia deles, nos mais pequenos hábitos e singularidades que esta parcela de pessoas apresentam. E na contramão, os devedores que só reclamam da vida, quando na verdade nem têm esse direito.

Credores ficando cada vez mais credores, devedores quase tendo sua alma indo pra hipoteca.

Os credores creditam sua buena vida à inúmeras características intrínsecas a eles, devedores, claro, tem listas colossais de fraquezas e influências externas que não os auxiliam em nada. Hábito e rotina tem parcela de culpa ou de mérito? Eu acho que talvez dependa de outro fator. Talvez os credores nem tenham consciência de que estão numa rotina e por isso não se dão conta de que seus hábitos são saudáveis e incrivelmente, rentáveis, lhes rende crédito. O devedor tem o hábito de ser preguiçoso, aí não tem erro, vai entrar de cara na rotina e vai ver ela dando bom dia pra ele todo santo dia.

Nada é mais díficil do que parece ser depois que é feito. Eu percebi isso faz um tempo, mas mesmo assim deixei muita coisa pra fazer e se eu depender dos meus costumes, vo ficar em dívida com a vida por um bom tempo, assim como a maioria da população [santa ingenuidade em se confortar com o outro estar tão fudido quanto, ou se está mais, alegrar-se com isso]. Se eu vendesse promessas, viveria de remessas, pena que todas são, às avessas.