Como a nossa época será escrita…

14 05 2008

nos livros de história. Certamente não será um mar de rosas cheio de esplendor, pra dar e vender, se é que vai ter algo pra vender. Será algo mais ou menos assim:

“Os anos 2000 – ideais à frente de seu tempo, comportamentos atrás.
Neste capítulo iremos tratar de uma época da humanidade na qual, os avanços tecnológicos, se não catapultaram a humanidade para o que ela é hoje, certamente foram cruciais e instantaneamente-nostálgicos para quem viveu e respirou as transformações absurdas e velocíssimas que se sucederam naquele instante. Todos os campos da ciência progrediam cada vez mais, porém o comportamento humano, ou pelo menos uma parcela dele, retrocedeu. Não só retrocedeu como foi responsável por criar um dos maiores paradoxos registrados até hoje.

Naqueles tempos, a palavra tecnologia estava na ponta da língua de qualquer um, mas a aplicação dela pra salvar milhões de vidas, ficou a mercê de políticas regadas à linhas burocráticas e interesses governamentais. Já não se tratava mais da Idade da Pedra, tratava-se de tempos Pós-Modernos, termos comumente usados pra designar o estado avançado no qual a humanidade se encontrava. Exemplos de tragédias evitáveis não faltavam para evitar outras que viriam, Ruanda em 1994 ficou no papel, porquê em menos de uma década, no ano de 2003, na região de Darfur no Sudão, iniciaria-se um “conflito” entre um governo corrupto e autoritário e um povo a mercê dessas virtudes-satânicas.

Sinais evidentes de aquecimento no globo terrestre foram sumariamente ignorados por inúmeros países, mais do que países, pelos próprios cidadãos deles. Estes que, na mais pura e obscena ingenuidade, pensaram que sua parcela de culpa se restringiria ao seu bairro, mas se enganaram e por pouco as futuras gerações que viriam, não sofreram com um inverno nuclear, ironicamente, sem uma bomba deste calibre ter sido usada.

Mais do que em qualquer época, foi nesta onde antigos preconceitos e superstições começaram a cair por água abaixo. A mentalidade ficou mais liberal, mais tolerante com o próximo e cogitou-se estar chegando num momento de paz mundial. Entretanto isso não foi possível, pelo simples fato de que este parágrafo é uma utopia que perdura até os dias atuais. Com tanta overdose de cultura e desenvolvimento urbano, o que se viu foi justamente o contrário ao que se esperava de uma espécie que se considera, civilizada.

A sensação que se tinha naqueles tempos e que vinga até hoje, é a de que quanto mais o ser humano avança, progride, evolui, se expande, seja no campo da arte, música, cultura, física, literatura e qualquer campo científico, mais o bom senso retrocede, dando lugar à um egocentrismo desmedido combinado com uma arrogância que parece estar presente nas moléculas de oxigênio que flutuam pelo espaço. Já não se tratava mais de falta de bom senso das coisas darem certo, era falta de vontade mesmo. Era e continua sendo, resta saber, até quando”.

Como eu gostaria de queimar a minha língua e ler um artigo daqui a 50 anos vendo que a minha geração, fez de fato, algo significativo, tomou a situação pelas rédeas e deu um ponta pé inicial numa reviravolta que se encaminharia para uma só direção: a direção da harmonia social. Tá tudo muito utópico nesse texto, quando na verdade, tirar sarro de assuntos como esse, não só demonstra uma tremenda falta de neurônios, como uma escassez colossal de compaixão pela própria vida e pela do outro.

Me perguntarão: “E você, tem feito o quê pra mudar o que te incomoda?” No momento, tenho refletido sobre tudo isso, é pouco, muito pouco para o que realmente pode ser feito. O que realmente precisa ser feito é as pessoas pararem de pegar os outros como parâmetro para suas próprias fraquezas. Ninguém precisa de ninguém melhor ou pior do que ele pra tomar uma atitude e fazer a diferença, mas já que a insistência parece ser inevitável, então seja você o parâmetro, de preferência do lado positivo da moeda.