Cheiro de Banheiro

16 05 2008

Um dia é feito de momentos. Momentos de calmaria, de pressa, de braveza, de astúcia. Momentos. Para alguns, o momento mais sagrado é da siesta vespertina. Para outros é o da corrida de 8 km diários. Para outros, sagrado mesmo é o momento da caganeira. Cagar requer concentração, silêncio, paz espiritual. É um momento especial, sem dúvida. Vocês acham que eu tô falando merda? Então, permitam-me fazer uma pergunta: qual é o único aroma que faz o próximo desmaiar e passa quase que despercebido por nós (fora alguns casos especiais)? Pois é, o perfume que nós mesmos fabricamos, cheirinho agradável.

É o assunto putrefato que poucos se arriscam a jogar numa roda de conversa. Seja ele em sua forma gasosa ou rock solid. Bem, esta semana durante um seminário em sala de aula com alguns convidados, a coisa tava indo bem, o assunto tava deixando todo mundo ligadasso e então: prauum. Ah é, só os meus ouvidos são tão aguçados a ponto de ouvir essa decolagem do ônibus espacial? Façam me um favor. Começei a rachar o bico com aquilo, me segurei pra não chamar a atenção e, felizmente, consegui. Fui comentar com um pessoal sobre as palestras e claro, como não podia deixar de ser, mencionei que ouvi um efeito especial. Das tantas possibilidades que existem, algumas se destacam: eu sou louco e ouço coisas vindas do além, eu mesmo peidei e não percebi ou todo mundo se recusa a falar sobre isso em público. Acho que a última tá em evidência bem mais que as duas primeiras, entendem o que eu quero dizer? Ela fede mais.

A prova cabal disso está no próprio campus da faculdade. Há banheiros espalhados por todo o campus, mas só alguns seletos são assim, demarcados por calma, serenidade e tantra. Um amigo meu me mostrou alguns e desde então, nunca foi tão bacana cagar fora de casa.

Agora há um banheiro curioso dentre todos esses recantos de glória. Ele é vísivel e invísivel ao mesmo tempo. É um banheiro privativo, com tranca, banhado a ouro, com pia própria, ar condicionado e um espaço relativamente grande se comparado a qualquer box de banheiros tradicionais. Pois bem, ocorre uma cena engraçada todos os dias nas redondezas deste banheiro.

Os que decidem deixar seu regalo naquele banheiro, aparentemente, fazem toda uma estratégia de guerra pra ir de encontro àquela privada magnífica. A cena dá a impressão de alguém estar vigiando a porta de um banco enquanto um assalto é realizado no interior da agência. O cidadão ou cidadã anda em círculos durante uns 30 segundos, olha em volta, verifica se não há ninguém por perto, olha pro teto, olha para o chão, faz cara de quem tá procurando o nada e encontra, o tudo. Tudo isso pra passar pela porta da esperança, que dá de frente pra um imenso vão onde, circulam às vezes, um montão de gente.

Passados 19 minutos e 42 segundos…

Um assobio, alguém procurando o messias em pleno século 21 e a merda flutuando na privada. Não dá pra entender essa galera, eles dão a entender que a bosta deles é invísivel e mais que isso, cheira à Dolce & Gabbana. Foi essa cena que deu de frente comigo, com a diferença de que EU VI O SUJEITO que saiu do recinto, ele também me viu, me olhou com uma cara dividida em dois: “se você tem amor pela vida, dê meia volta e cague em outro lugar”, “olha, eu só mijei lá tá?”. Cheguei no trono e vi que a tampa estava abaixada, depois descobri o significado da caixa de pandora. Digamos que eu vi um lamaçal com uns tubos de pvc durante um segundo e meio até eu ter a moral, a audácia, a ousadia de virar a cara para o lado, pegar um rolo de papel higiênico e TENTAR, eu disse, tentar dar descarga naquele cenário atômico. Bem, só digo o seguinte: a parada entupiu, subiu pela privada e como cachoeira, me perseguiu banheiro afora. E eu? Saí correndo como se tivesse visto o verdadeiro bicho papão vindo me pegar.

PS.: ilustrar este post com imagens seria uma verdadeira sacanagem, usem a imaginação =D