Algum dia chegaremos lá. Lá é o dia onde a palavra ‘original’ vai deixar de existir. Coisa nova vai ser coisa nula. Será o ápice ou o fim da criatividade humana, da inovação. Chegar não, acho que já chegamos. Tá tudo começando a ficar repetitivo. Cá entre nós, na música, já não vemos nem ouvimos nada de estrondoso faz muito tempo. Não estou dizendo que todos os arranjos de acordes já tenham sido feitos, é praticamente impossível isso, as possibilidades de combinação abrem sempre espaço para mais alguma adição, mas o que percebe-se é um certo “esgotamento” junto à pequenas mudanças que querem dar a impressão de uma novidade estar no horizonte.
Mais do que nunca, é num estalar de dedos que você ouve a banda mais “nova” do momento. Então você descobre que ela não é tão nova assim, talvez os integrantes sejam um punhado de muleques que ainda nem saíram das fraldas e (tentam) fazer som de gente grande, mas a fórmula continua a mesma (pra gente grande também). Pra piorar, suponhamos que a fórmula usada, seja uma das que deram certo no passado, mas fórmula por fórmula e uma hora nem em boteco irão escutá-la. O que salva o abuso de uma “fórmula-musical” são os fãs, acostumados e “exigentes” em seguir escutando uma mesma linhagem sonora, apreciam uma banda que tenha o mesmo DNA musical da antecessora que já acabou ou que brevemente retornará aos palcos com outro nome (fora mercenários-assumidos tipo The Police, Spice Girls [isso é banda?!]).
A adidas por exemplo está relançando modelos de tênis da década de 70, isso já está desde 2005, a nike seguiu e também está toda vintage/retrô. Profissionais de ambas as empresas ganham a bagatela que ganham pra relançar modelos de épocas passadas? Rapadura mole essa. Se algum elogio sobra é para as campanhas publicitárias que me dão uns flashbacks instantâneos de ambas as marcas. Da nike eu me lembro das disputas de futebol dentro de um navio abandonado que renderam várias versões e da adidas, o seu slogan mais recente: impossible is nothing. Fixou na cabeça, literalmente.
Mas e aí, what’s next?
Provavelmente, nada ou quase nada. Não sei nem se é falta de espaço pra idéias malucas que acabam sendo descartadas nas grandes corporações, isso em todas as ramificações culturais com suas derivadas. Será que é questão de problema na gerência/administração, onde seus “mentores” estão com a mente voltada para 1900 e bolinha? Bom, se há de fato idéias novas pipocando e sendo sumariamente declinadas, isso “ninguém” sabe e/ou tem como provar; pra mim, se continuar nesse ritmo (eu gostaria de colocar uma visão meio pessimista da coisa, mas nem seria pertinente), ironicamente, não vai mudar muita coisa. Afinal, tá na moda usar roupas à moda antiga e criar músicas retrô.
