Contatos podem fazer a diferença na vida, contanto que você saiba como manter contato com eles. Os contatos, na maioria das vezes, parecem ser uma enxurrada de gente que só servem pra algo, quando precisamos deles. E o tratamento é igual, de contato pra contato. Manter contato pra uns é ligar de 6 em 6 meses, é chamar pra sair e na real, contato em sua essência é contato de tato mesmo. O contato que você mantém com seus contatos é com tato ou sem? Tato não no sentido de enfiar o dedo no olho do queridão ou da queridona, tato é o nível de aproximação que supostamente existe entre duas pessoas.
Cultivar amizades é complicado, exige tolerância, abetura, entrega, quase um namoro, mas não se assemelha nem um pouco com regar uma plantinha e esperar ela crescer. Eu conheço gente que acha que mijando nas amizades, a coisa vai pra frente. E tome blocos de gesso na cara. Por urinar numa amizade, me refiro ao caso do famoso, uso e abuso e por fim, desuso. Mais que isso, passar na frente de um contato e fingir que nunca rolou nenhum tato. Se o mundo dá voltas ou não, isso não cabe à questão, mas é claro que ele dá voltas, senão não existiria a força da gravidade, força que mantém 100 % da humanidade com os pés no chão, uns 99 % com a cabeça na lua e 1 % de fato com a cabeça e o cerebelo no lugar.
Só que como tá tudo na base do falatório-baixo, no sussurro, tudo em segredo, absoluto mistério e coisas colocadas às sombras, vai confiar em quem? Senão, não há porque manter contato, dessa vez sem tato. Há pessoas que é delas mesmo essa aparente fonte inesgotável de energia, essa galera irradia uma atitude que só quem for muito ranzinza ou rancoroso não é afetado, aos demais, é neste tipo de gente que buscamos conforto, buscamos pegar conselhos que acreditamos serem indispensáveis para o agora, para o antes e para o depois. Sei lá como definir isso: alto astral, bom humor, gente reluzente? Tudo e isso e muito mais, perhaps. É aquele tipo de pessoa que de tanta alegria exalada, faz com que o restante acabe desconfiando que a pessoa esconda por trás daquilo tudo, todos os seus medos e suas incertezas, ou pior, que guarde pra si mesmo e que só em momentos solitários, revele-se triste e incrédula frente à vida.
O jargão de ‘Ninguém é Perfeito’ é usado como álibi pras mais diversas cagadas, pisadas de bola que cometemos com aqueles que justamente mantemos mais contato. É mesmo, ninguém é perfeito? No discurso, realmente, tiro o chapéu pra tanta humildade, mas na prática, dá pra ver claramente uma legião de pessoas perfeitas. Partindo-se do pressuposto, de que de fato existam essas perfeições em formas humanas, chega-se às seguintes conclusões: essas pessoas criaram suas próprias normas, são pessoas que estão felizes o tempo todo, as leis da natureza não se aplicam à elas, são as suas leis que se aplicam ao ecossistema, assim é uma galera que nunca erra, nunca fala bobagens, nunca está triste, nunca pisa em falso, resumindo, perfeição é isso aí. Jamais sair do lugar, do mesmo lugar.
Seja lá quem disse que a perfeição é chata, tinha razão. Mais que chata, é monótona. Monotonia leva à apatia, ao desgosto até pelo desgosto, à famosa cara-de-cu, trocando em miúdos: àquelas pessoas que comumente denominamos como malas. Disto eu concluo que as pessoas malas…um dia foram perfeitas. Feitas para serem malas. Malas por serem perfeitas.
Por essas e outras, mantenhamos contato com a imperfeição, assim manteremos contato com uma feição que sempre nos obrigará a ser melhores por dentro, eu disse por dentro tá? Por fora a gente já tá cansado de ver tantas malas ocupando o lugar de cabeças, mais do que simples malas, são anúncios ambulantes, que pra variar um pouco, jamais conseguem manter o mesmo semblante, afinal sua perfeição está a venda e sabem para quem? Para eles mesmos, os eternos consumidores de suas próprias feições.