Maravilha. Lei Seca em vigor desde 19 de Junho. Fiquei sabendo dela ontem. A reação dos meus amigos foi algo assim, unânime: todos estão com os cabelos em pé pela rigorosidade dessa lei. Conheço eles bem e sei que bebem pra caramba, mas eles também sabem o limite deles e sabem dirigir tranqüilamente, mesmo depois de duas latas de cerveja. Eles tem a consciência de quando dá pra dirigir e quando precisa pegar um táxi ou voltar com uma carona. Infelizmente eles não são maioria. A maioria até onde eu sei, não tá nem aí em relação a dirigir embriagada. Os números não mentem: por ano, 25000 pessoas são vítimas fatais de acidentes provocados por motoristas embriagados. Considerando-se que o número de fatalidades no trânsito por ano é de uns 50 mil, não dá para ignorar que 50 % disso tenha relação com álcool e direção.
Deixemos as bobagens burocráticas de lado e vamos aos fatos: desrespeitar leis no Brasil virou já senso comum. Se o não cumprimento das leis ficasse nisso, vamos supor que tudo estaria “tudo bem” e bola pra frente, cada um segue com a sua vida. Só o outro que deixa de seguir com a dele. O motivo? Irresponsabilidade por parte de condutores que não estão nem aí com a vida dos outros. Nem vou restringir os acidentes causados à fatia jovial da sociedade (mulecada que sai de balada, bebem feitos uns imbecis e depois voltam pra casa na mais pura sorte).
Simplesmente odeio recorrer às estatísticas, mas elas existem e tão aí pra mostrar os fatos:
- 82% dos motoristas brasileiros admitem já ter dirigido depois de ingerir três doses, ou mais, de bebida alcoólica, segundo pesquisa da Secretaria Nacional Antidrogas
- 88% dos mortos em acidentes de trânsito no Rio de Janeiro apresentam álcool no sangue, mostra estudo da UFRJ
- 196 pessoas morreram nas rodovias federais no feriado de Natal de 2007, o maior número dos últimos vinte anos
- Pesquisa do Ipea mostra que o país perde, a cada ano, 22 bilhões de reais com acidentes nas rodovias.
Filhos da puta irresponsáveis de merda. E ao contrário de inúmeros outros exemplos, neste caso aqui é a minoria responsável que paga o pato, porquê a maioria decidiu que embrigar-se sobriamente e depois dirigir é algo digno de um Prêmio Nobel. É provavelmente o assunto mais notório de nossa sociedade, presente na vida de 10 em cada 10 brasileiros toda sexta-feira. O happy-hour, o barzinho, boteco e a conversa jogada fora. Um hábito nacional. Praticado por muitos, levado a sério da maneira certa por poucos. Aqueles alertas de “Beba com Moderação” não adiantam nada no final das propagandas televisivas, são mera obrigação do anunciante, nada mais que isso.
Me lembro bem das primeiras aulas no CFC (Centro de Formação de Condutores) que mostravam num vídeo, uma reportagem sobre acidentes nas estradas brasileiras. A reportagem é lá pra 1989, puro chute da minha parte, talvez seja 1994, mas que tem mais de uma década, isso eu afirmo com absoluta certeza. Criaram esse vídeo com o intuito de chocar os alunos e botar consciência nas pessoas de que álcool e direção, não combinam. Cadáveres e outras cenas deste naipe não assustam ninguém nessas aulas. O que penso é quantas mortes poderiam ter sido evitadas, caso essa lei tivesse sido implementada há duas décadas atrás. Não tem jeito, o pessoal por aqui só aprende na marra, só quando dói no bolso as coisas andam pra frente e em se tratando da vida humana, custe o que custar, mas que jamais custe uma vida humana.
Dados colhidos aqui.


