Os Dois Lados da Moeda

29 06 2008

Maravilha. Lei Seca em vigor desde 19 de Junho. Fiquei sabendo dela ontem. A reação dos meus amigos foi algo assim, unânime: todos estão com os cabelos em pé pela rigorosidade dessa lei. Conheço eles bem e sei que bebem pra caramba, mas eles também sabem o limite deles e sabem dirigir tranqüilamente, mesmo depois de duas latas de cerveja. Eles tem a consciência de quando dá pra dirigir e quando precisa pegar um táxi ou voltar com uma carona. Infelizmente eles não são maioria. A maioria até onde eu sei, não tá nem aí em relação a dirigir embriagada. Os números não mentem: por ano, 25000 pessoas são vítimas fatais de acidentes provocados por motoristas embriagados. Considerando-se que o número de fatalidades no trânsito por ano é de uns 50 mil, não dá para ignorar que 50 % disso tenha relação com álcool e direção.

Deixemos as bobagens burocráticas de lado e vamos aos fatos: desrespeitar leis no Brasil virou já senso comum. Se o não cumprimento das leis ficasse nisso, vamos supor que tudo estaria “tudo bem” e bola pra frente, cada um segue com a sua vida. Só o outro que deixa de seguir com a dele. O motivo? Irresponsabilidade por parte de condutores que não estão nem aí com a vida dos outros. Nem vou restringir os acidentes causados à fatia jovial da sociedade (mulecada que sai de balada, bebem feitos uns imbecis e depois voltam pra casa na mais pura sorte). 

Simplesmente odeio recorrer às estatísticas, mas elas existem e tão aí pra mostrar os fatos:

  • 82% dos motoristas brasileiros admitem já ter dirigido depois de ingerir três doses, ou mais, de bebida alcoólica, segundo pesquisa da Secretaria Nacional Antidrogas
  • 88% dos mortos em acidentes de trânsito no Rio de Janeiro apresentam álcool no sangue, mostra estudo da UFRJ 
  • 196 pessoas morreram nas rodovias federais no feriado de Natal de 2007, o maior número dos últimos vinte anos
  • Pesquisa do Ipea mostra que o país perde, a cada ano, 22 bilhões de reais com acidentes nas rodovias.

Filhos da puta irresponsáveis de merda. E ao contrário de inúmeros outros exemplos, neste caso aqui é a minoria responsável que paga o pato, porquê a maioria decidiu que embrigar-se sobriamente e depois dirigir é algo digno de um Prêmio Nobel. É provavelmente o assunto mais notório de nossa sociedade, presente na vida de 10 em cada 10 brasileiros toda sexta-feira. O happy-hour, o barzinho, boteco e a conversa jogada fora. Um hábito nacional. Praticado por muitos, levado a sério da maneira certa por poucos. Aqueles alertas de “Beba com Moderação” não adiantam nada no final das propagandas televisivas, são mera obrigação do anunciante, nada mais que isso.

Me lembro bem das primeiras aulas no CFC (Centro de Formação de Condutores) que mostravam num vídeo, uma reportagem sobre acidentes nas estradas brasileiras. A reportagem é lá pra 1989, puro chute da minha parte, talvez seja 1994, mas que tem mais de uma década, isso eu afirmo com absoluta certeza. Criaram esse vídeo com o intuito de chocar os alunos e botar consciência nas pessoas de que álcool e direção, não combinam. Cadáveres e outras cenas deste naipe não assustam ninguém nessas aulas. O que penso é quantas mortes poderiam ter sido evitadas, caso essa lei tivesse sido implementada há duas décadas atrás. Não tem jeito, o pessoal por aqui só aprende na marra, só quando dói no bolso as coisas andam pra frente e em se tratando da vida humana, custe o que custar, mas que jamais custe uma vida humana.

Dados colhidos aqui.





A Adesão Humana

25 06 2008

O mundo tem um monte de problemas, mas não dá pra afirmar que ele os enfrenta, muito menos convive com eles como se costuma falar por aí, entenda-se por aí como sendo cada centímetro quadrado deste planeta. Não há motivo aparente para tratar dos problemas modernos – será que são tão modernos? – nos quais uma parcela da sociedade está inserida e outra está indiferente. Ao contrário do que se pensa, esses problemas, de lemas eles não têm nada, a não ser que o lema do mundo atual seja deixar o próximo morrendo de fome enquanto ele passa de carro, deixando mais uma “paisagem” qualquer pra trás. São dilemas, isso sim, para aqueles que se importam com esses chamados, problemas.

Problemas nos remetem à equações de segundo grau, ou seja, coisa complicada de se resolver. O que fazemos? Ah, melhor dissolver esses problemas, ou em bom português, acumular pratos na pia; varrer a sujeira pra debaixo do tapete; empurrar com a barriga; deixar pra depois (depois = nunca); desencanar (me lembre, quando é que estava encanado mesmo?). Alguém reparou (não no significado de parar novamente) que pra acumular pratos numa pia você precisa ter essa tal de ‘pia’? Vai varrer uma sujeira pra debaixo de qual tapete se você não tem tapete? Pra que ter tapete se não tem nem piso? Piso? Nem casa existe. Empurrar com a barriga o quê exatamente? Só se essa barriga estiver estocando comida, porquê no caso de muita gente, a existência de comida consta somente no dicionário, um livro que até esse momento, não se sabe que ele de fato existe para ajudar a compreender o mundo. Quem sabe as páginas desse livreto sirvam pra matar a fome.

Deixar pendências para a posteridade significa esquecê-las para a eternidade. Ignorância não é um caso específico de pessoas desprovidas de informação, pelo contrário, atinge a minoria que vive bem e ignora os problemas ao seu redor. Ignorância é chamar de utópicos os que querem ver mudanças e tentam de fato mudar algo. É extremamente fácil usar a palavra ‘utopia’ quando ela parece ser uma realidade impossível de se concretizar num mundo perfeito, feito per capita, feito por medições estatísticas que só aumentam os índices de pobreza, desemprego e miséria.

Aderir à causas sociais virou motivo de chacota e piadinhas imbecis, isso quando a pessoa adere porque acredita que as coisas podem mudar. E quando a pessoa adere à algum tipo de trabalho voluntário? Não dá pra negar, sempre vai ter uma parcela que vai aderir pra jogar no currículo isso, o fim do trabalho é sua adição à uma folha de papel A4. Válido ou não, é um trabalho voluntário, mesmo que pareça um tanto quanto involuntário. E a adesão os modismos criados pelas indústrias do entretenimento, do calçado, da roupa, das bugigangas eletrônicas?

Qual é afinal a motivação? Aderir à moda social pra alguns, significa equivaler-se ao próximo ou, usando termos moderninhos: estar antenado, conectado, parecendo-se mais com algo teleguiado. Desencanemos dessa bobagem dos termos e vamos direto ao ponto: pra que aderir aos modismos? A bendita discussão se dá em torno de dois pontos distintos: aquele que adere à moda vai de acordo com a lógica mercantil de massificação, aquele que não adere, por incrível que pareça, também acaba caindo nesse mesmo sistema, nesta mesma estrutura social. O motivo é simples, a não-moda virou moda também. Sendo que ambas já são vendidas nas prateleiras, com suas devidas estampas, claro.

Simples reverter esse quadro, não? Criar consciência e responsabilidade (ambiental, social e global) na população exige bem mais do que anúncios veiculados pelos quatro cantos da cidade, publicidade televisiva e mídia online. Tornar esses aspectos como sendo primordiais para a sobrevivência humana, só vai começar a ter sinais de relevância quando doer no bolso. Primeiro no bolso. Depois na saúde, aí a coisa fica séria. Mas, antes que eu comece a destilar prazos para o apocálipse acontecer, melhor dar logo a sugestão dita no começo parágrafo. Até para “salvar” o planeta, precisa-se saber como vender o peixe e nessa jogada, entram os marketeiros de plantão.

Não sei qual é a definição correta para o marketing que veicula propagandas de cunho realístico, mas certamente há uma vertente já convencionada pra esse tipo de publicidade. Trocando em miúdos, a coisa precisa ser agressiva, direta, na cara da população. Falar na lata o que tem de ser dito. Explicar direitinho que se as coisas não começarem a mudar, todos irão se estrepar e frisar que no caso do mundinho no qual vivemos acabar, não haverá distinção de classes sociais. Desigualdade social, fome, miséria, meio ambiente fodido, pesca ilegal, poluição, etcetera. Uma hora isso vai ficar irreversível. Não estou equivalendo os temas citados, mas acho que todos eles merecem a devida atenção; esta que vem sendo sumariamente ignorada pelas autoridades e pela população, enfim, por todos.

Simples assim, quando houver necessidade pessoal, intrínseca e individual de cada cidadão, para sua sobrevivência manter-se íntegra, aí sim a moda vai ser aderir a causas sociais e ambientais. Ou será que negligenciaremos nossa própria vida? Por que não? Ah sim, não foi a nossa vida que perdeu seu valor, foi a do outro, então tá tudo bem. Uma pergunta pra finalizar a discussão: petróleo é comestível? É bom que seja, vai resolver um bocado de problemas e de quebra, a galera lá do Oriente Médio tem sobrando…





Redundância e Arrogância

20 06 2008

Título Alternativo: A Arte de Enrolar e Fazer uma Gororoba Compreensível

Superação. Força. Determinação. Vontade. Extermínio. Raiva. Virtuosismos. Aleatoriedades. E qualquer coisa que não tenha nexo será postada neste artigo. Na verdade será um post dedicado à defesa da redundância. Pra que adiantar logo no primeiro parágrafo qual será o tema? Boa pergunta. Mas entonces, vim aqui falar do manifesto a favor da redundância, do pleonasmo e da repetição desenfreada de pensamentos, frases, palavras, sentenças, termos e idéias. O motivo? Escassez de inspiração e vontade de postar.

Não há qualquer registro na história do homo sapiens sobre uma suposta intervenção a favor da redundância. Razões para nenhuma pessoa ter levantado uma bandeira favorável à repetição? Demonstrava falta de conhecimento, repertório, vocabulário e acima de tudo isso, bom senso. Hoje em dia não demonstra nada, isso porque é usada para reforçar alguma idéia, deixar claro algum argumento. Muitas vezes a pessoa que usa tal ferramenta lingüística é vista como chata, antagônica, ou melhor, a antítese da criatividade e da expressão verbal. Sinais de uma era? Sem dúvida. Isso é um sinal apenas, um sinal que reflete o comportamento de uma sociedade que deseja ter tudo na ponta da língua, no imediatismo do cérebro que, ironicamente, essa mesma sociedade não consegue acompanhar e depois reclama.

Assimilar o máximo de conteúdo no menor tempo possível e em seguida, continuar esse processo de aspiração-mental e repetir esse processo até dar pane na cabeça. Pane essa conhecida por, estresse. Estresse esse provocado por causa de toda essa atitude de querer saber tudo da maneira mais frenética possível, independente do esforço que tenha de ser feito para alcançar uma suposta “superioridade” intelectual. E essa alteza do intelecto tem o intuito de quê exatamente? Einstein diria que é um passo à frente do restante da população, eu acho que pode-se adicionar a isso toda uma ideologia que funciona 24 horas por dia. Uma ideologia que em tese, deveria ser fixa, ao menos em seus pilares que sustentam os princípios argumentativos, mas que revela-se por ser uma ideologia em mudança constante. Uma ideologia que mistura elementos do senso comum e da personalidade própria da pessoa. A meta? Expelir originalidade. “Não somos iguais aos outros, somos iguais à nós mesmos, à nossa própria consciência!”

A obrigatoriedade da interação social provoca esse tipo de pensamento? Eu diria que tem sim sua parcela de culpa, mas restringe-se a uma fatia pequena, o restante tem envolvimento com paradigmas, dogmas, convenções e arrisco dizer, fetiches ideológicos próprios de cada pessoa, o lado mais podre em algumas pessoas e ao mesmo tempo o lado mais genial. Neste artigo que eu estou redigindo, aqui e agora, percebo nitidamente o esforço em não ser repetitivo nas palavras. Posso atribuir isso à educação dada no colégio, a leitura do jornal, às conversas informais (?), à uma série de elementos do dia-a-dia que, querendo ou não, influem sim no modo de pensar. O único problema, a meu ver, é que essa influência é um tiro a queima roupa no inconsciente humano, uma parte de nossa mente que a gente não controla e nem sabe o que está armazenado lá, só sabe que está. Sim, o subconsciente também aloja abobrinhas e genialidades cotidianas.

A repetição remete à igualdade e em tempos onde o mandamento é ser diferente, ser redundante é causar estranheza. “Cara, para de repetir essa frase, você tá tirando minha concentração!” Até onde eu me lembro, a gente assimila as coisas afirmando e reafirmando elas, reforçando uma idéia para que o conceito dela se solidifique em nosso intelecto e passe para nós segurança ao tratar dele em público. O problema é que repetição que vem de fora, distrai, no sentido de nosso cérebro praticamente exigir que levantemos o freio-de-mão-mental e façamos uma pausa imediata na relação idéia/compreensão/assimilamento.

Alguma explicação para a mania que eu tenho de criar rimas nos títulos dos posts? Ainda hei de descobrir. Mas nesse caso, chego na conclusão que é a arrogância que tá atuando em jogo. Nada de ficar colocando a culpa no córtex cerebral e nos neurônios presentes nele. Quem comanda eles é a personalidade em questão. Então se alguma coisa tá podre, tá incorreta, essa tem que ser a personalidade da pessoa, responsável por explicitar publicamente quem a pessoa é em momentos simples da vida, em momentos de pressão e em momentos que, a própria pessoa não espera reagir da maneira que reage, meio que, descobrindo sua própria essência, ou como comumente costuma-se denominar, o seu eu interior.

Estamos combinados? Não. Quero mais redundância e menos arrogância. Vinda da minha parte mesmo.





Problemas Técnicos

19 06 2008

Perrengues desde Domingo (15) pra postar via WordPress, agilizando pouco a pouco isso. 





Convenção dos Hipócritas

14 06 2008

Sejam Bem-Vindos À Primeira Convenção dos Hipócritas

Pedimos encarecidamente à vocês seguirem as regras descritas a seguir para o bem estar a convivência harmoniosa de todos:

- Ao ver um antigo inimigo de infância, dê um forte abraço nele.
- Sorria sempre, dê risada de tudo e principalmente, mantenha o sarcasmo pairando no ar.
- Se você for repreendido por ter feito alguma coisa errada, finga não saber do que se trata.
- Minta o máximo que puder, ao final do evento haverá uma seleção das mentiras que viraram verdades.
- Lembre-se, hipocrisia não é um pecado, mas sim uma virtude.
- Abraços de frente, facadas pelas costas são atos básicos, não deixe de fazê-los.
- Não fique bravo, somos todos hipócritas, você pelo menos assumiu essa condição.

Encare a hipocrisia como um mal necessário, um elemento que está aí para equilibrar as cagadas humanas. A hipocrisia às vezes é confundida com sarcasmo, mas veja bem, o hipócrita é aquele que fala uma coisa e faz outra, o sarcástico é apenas aquele chato que vê graça em tudo, até nele mesmo (fascinante). Na convenção dos hipócritas é comum ver cenas do tipo:

- Faaaala Matheus, beleza cara?
- Tudo na paz aqui cara. E você?
- Eu to bem cara, terminei de fazer um trabalho para a faculdade.
- É mesmo?
- Sim, demorou uns 25 minutos e foi feito entre quatro paredes.
- Pô bacana, mas porquê essa minutagem e a descrição das paredes?
- Ah é que, precisei ir e voltar sabe…me agachar, deitar…essas coisas.

Arrisco dizer que seria a convenção mais alegre de todas. Não teria melancolia pelo ar. Muito pelo contrário, até os participantes que viessem com algum peso na cabeça, iriam andar sorrindo à toa como se tudo estivesse bem. A troca de idéias seria a mais transparente de todas, já que todos sabem que todos estão sendo sarcásticos ou estão mentindo na mais pura cara de pau, digo, fazendo uma demonstração de hipocrisia nua e crua. Afinal, é como se os participantes andassem com camisetas estampadas com a seguinte frase: “Tudo que eu te disser para fazer, saiba que eu farei (e faço) o contrário”, “Contrarie-se desde o princípio”, “Finga que não está fingindo”, “Hipócrita é a mãe, a minha mãe!”.

E porque não formar amizades verdadeiras numa convenção como essa? Mas é claro que dá pra criar laços afetivos profundos para a eternidade num lugar como esse! Estou mentindo? Nunca! É justamente num ambiente rodeado de pessoas falsas (todas), que conheceríamos instintos humanos encobertos pelos valores sociais considerados corretos (tipo aqueles conhecidos como indiferença, susurros, apontamento de dedo entre outros). O antro da hipocrisia mais difundido por metro quadrado na história da humanidade; uma “mera” concentração de pessoas que assumem a posição na qual estão e não tem vergonha de assumir ela, ao contrário de outras milhões de pessoas que preferem confidenciar suas inverdades às paredes e aos pisos sanitários de suas casas.

Purificação espiritual através da mentira nua. Limpeza de consciência por meio de mentiras contadas e assumidas antes, durante e depois de uma conversa casual com algum “amigo” de infância, colégio, ginásio, colegial ou faculdade. “Eu menti sim, HÁ!”.

O mundo precisa dos hipócritas, amém. Assim como precisa do bom-mocismo, pum. E não tenho dito.

Créditos da imagem: Sidônio Raftopoulos





Dia do Juízo Final

13 06 2008

Conhecer ou desconhecer? Saber ou não saber? Eis as questões. Questões que eu coloco em pauta pelo seguinte motivo: fui encarado com maus olhares por não reconhecer uma música do Chico Buarque.

Não há uma explicação lógica para isso. Em momento algum eu desrespeitei a obra de Chico, apenas não sabia que era ele quem estava cantando. Os que conhecem e gostam de Chico Buarque, certamente encaram aqueles que simplesmente desconhecem sua obra como mal-criados. Como se fosse obrigação conhecer a obra do cara. Santo paradoxo. São pessoas que vão contra as idéias do senso comum, mas no outro lado da moeda, esperam que você saiba ao menos saber quem está cantando, saber que é o Chico.


Chico Buarque, originally uploaded by Dieki Britto.

O julgamento, em situações como a que eu vivenciei, é prematuro e acima disso, inconseqüente. Não estamos aqui falando dos fãs número 1 do Sr. Holanda, estamos falando de pessoas comuns, com uma mentalidade comum, ouvindo um cara, bem, comum. Afinal, Chico Buarque é uma referência nacional da MPB. Mas então porquê toda essa indignação frente à uma “ignorância” musical? Independente de toda essa renca de gente conhecer a obra completa do cara (foi assim que eu me referi à ele quando perguntei quem estava cantando) ou não, quem são eles pra me olhar e julgar com esse suposto ar de superioridade?

Uns vão dizer que na verdade, trata-se de um complexo de inferioridade vindo da minha parte. Confundem isso com humildade. Cheguei na boa perguntando “quem era o cara que tava cantando”. De imediato, todos os rostos presentes na sala viraram-se em minha direção com um tremendo olhar de reprovação: “Como assim, você não sabe quem está cantando?”. Decidam-se seus malfeitores, vocês querem que o cara faça parte ou não do senso comum? Por um lado, querem ser vistos como intelectualzinhos-da-música, afinal, eles ouvem Chico Buarque de Holanda e eu não, eles tem exclusividade moral sobre ele, e por outro lado, é um pecado desconhecer a obra do cara. Vão à merda.

Nessas horas que a ignorância-pessoal prova seu valor: eu, por um lado não reconheci a voz do cara, por outro reconheci por quem estava rodeado. A revolta geral em forma de fachadas maquiadas com um pseudo-conhecimento da nata da música brasileira.

Cheguemos à um consenso: ninguém é obrigado a conhecer tudo. Mais que isso, quanto mais a gente conhece, supostamente, mais repertório nós temos e conseqüentemente, mais influenciados (ou não) somos por aquilo que conhecemos. E um consenso quanto ao desconhecimento? O desconhecimento causa revolta naqueles que tudo sabem, mas, mantem virgens inúmeras concepções na cabeça que já estão formadas na cabeça dos que são sábios de nascença. Essa “virgnidade” de noções cotidianas, é a mesma que no fim das contas, dá nascimento às idéias mais originais e geniais que caem nas graças da humanidade.

Não é um manifesto a favor do desconhecimento, mas é uma mensagem que quer passar algumas notas à respeito do que é necessário ou não conhecer, se é que o conhecimento pode ser resumido à necessidades. O ser humano, o maior especialista de todas as espécies em ter uma biblioteca de inutilidades na cabeça, como se não bastasse isso, se orgulha disso e quando é questionado, responde à mesma altura das bobagens que acumulou ao longo dos anos. Seu Buarque não se orgulharia de ter essas pessoas como seus porta-vozes, garanto.





Admirável Sarcasmo Novo

12 06 2008

Vivemos nos chamados ‘tempos modernos’, sim? Não. Nossos pensadores atuais decidiram que estamos na época pós-moderna, capiche? Pra mim tá capiche. Bom, o cerne da questão é como a ironia (ou o sarcasmo) é usada/usado nos dias atuais. Como de praxe, voltemos um pouco na linha do tempo. Voltemos à Idade Média ou qualquer época da humanidade razoavelmente evoluída e “civilizada”. Certamente havia pessoas mais inteligentes e mais sagazes que o resto da população naqueles tempos. O senso de humor, em minha suposição, existe desde que a humanidade se lembra por humanidade, ou seja, desde sempre.

Só mudou a ‘pimenta’ usada nas piadinhas e tiradas dos tempos feudais para os dias de hoje. ‘Pimenta’ no sentido literal da palavra, uma ironia pesada ou mais leve. Ser sarcástico em tempos feudais provavelmente era encarado como loucura, burrice ou ignorância — mera inversão de papéis. Suponhamos então que, havia uma parcela que compreendia o sarcasmo e o tolerava, a parcela que compreendia e não tolerava e a que não compreendia e por conseqüência, intolerava e repreendia o engraçadinho. De lá prá, séculos de transformações políticas, econômicas e sociais nos separam, mas será que mudou muita coisa? Ao que tudo indica, pouquíssima coisa mudou.

Mas, mesmo nessa fatia mínima de mudança nas relações sociais, há uma mudança vertiginosa no uso do sarcasmo. Há o uso excessivo dele que, de tanto forçar a barra, não só banalizou a oposição-humorística relativa a situações cotidianas, como fez ele perder um pouco o seu sentido (de existência, mesmo que abstrata e psicológica). É um sarcasmo que se assemelha à fenômenos de aparições cósmicas, só dá as caras da maneira certa como um cometa halley, uns 75 anos em média. O que não falta nesses tempos pós-modernos são humoristas, dos mais diversos tipos, eis alguns deles:

- Sarcasmo Aleatório: numa roda de conversa com um tema sério em discussão, o sujeito resolve esfriar o ânimo das pessoas se utilizando de um recurso que causa um resultado oposto ao desejado, isto é, o autor da pérola irônica vira motivo de chacota, tenham os participantes entendido a ‘tirada’ ou não.

- Asno do Sarcasmo: aparenta ser o gênio-incompreendido, costuma se destacar em qualquer rodinha, desde olímpiadas matemáticas até mesas de boteco, mas, acaba se complicando e perdendo qualquer noção do significado do que é uma ironia; acaba por forçar os outros a rirem de seu sarcasmo sem fundamento.

- Sarcástico Fantástico: segue a mesma linhagem do asno, mas tem uma sutil diferença, após perceber que ninguém entendeu seu ato de sarcasmo, resolve explicar (!) para todos qual era a real intenção e mesmo assim, ninguém continua entendendo. Acaba apelando para o argumento de que o conhecimento das pessoas na mesa não é suficiente para entender sua piadinha infâme.

- Sarcástico Anônimo: quer de qualquer maneira chamar a atenção, mas como não consegue por méritos próprios, resolve ironizar tudo que é dito pelos alheios à ele. De tanto zombar dos outros, acaba zombando de si mesmo e por incrível que pareça, atinge a meta de chamar a atenção arrancando risadinhas (WTF?!).

Bem, o que mudou então da Idade da Pedra para os dias atuais em termos de sarcasmos cotidianos? Já não há mais distinção entre um humor fino e um humor gordo, ou seja, um humor dividido por classes sociais. Continua a situação de compreensão/reciprocidade, compreensão/intolerância, incompreensão/intolerância em todas elas. O que capacita uma pessoa a compreender esse sarcasmo-moderno? Repertório, bagagem cultural, ambiente de crescimento, convivências, experiências e eu arriscaria dizer que a personalidade interfere mais que todas as citadas anteriormente, embora se forme a partir delas.

Mas então, por que admirar esse sarcasmo novo? Ou por que ele causa admiração (se é que causa)? Pra mim ele serve como um tiro à queima roupa. Como tudo na vida, deve ser utilizado com moderação; na medida certa e o mais importante de tudo, na hora certa. Se utilizado em excesso, revela insegurança, arrogância e prepotência. Se utilizado na hora errada, revela falta de sensibilidade e uma imaturidade que é respondida à altura: olhares furiosos e/ou retóricas pessoais direcionadas com o intuito de colocar o indivíduo no lugar.

Todas as máscaras caem, as verdadeiras emoções ficam à flor da pele, sejam elas de cunho alegre ou raivoso, porque ninguém gosta de ser tratado como idiota (às vezes merece); o sarcasmo é provocativo e revela o lado podre (e real) da outra pessoa, revela como uma pessoa é desequilibrada ou revela como a pessoa se controla e fica numa boa. Admirável ou não, sei que ele tem um currículo respeitável.





Uma Vida, Uma Vez

11 06 2008

Acredito eu que o verdadeiro gostinho pela coisa, vejam bem, qualquer coisa, acontece sempre durante a primeira vez. O que eu quero dizer com isso? Vocês já devem ter ouvido falar daquela frase : “Tudo tem uma primeira vez.” Pois é nessa primeira vez que algo especial acontece. Eu não sei explicar o motivo disso repetidamente ocorrer, mas ocorre diariamente, ja que nenhum dia é igual ao outro.

Gostaria que tudo pudesse voltar no tempo, como se cada dia vivido fosse equivalente a abrir uma nova caixa de sapatos, só que ao invés de sapatos a gente encontra uma caixa vazia, veio desse jeito pra ser preenchida pelas experiências daquele dia específico. Mas ai vocês podem dizer que não precisa da tal caixa, já que os dias começam naturalmente assim, a partir do zero, só que na minha opinião cada dia precisa ser mais produtivo que o outro, cada dia precisa ser mais revolucionário que o anterior e a caixa pode representar o que você pode (e deve) guardar nela de fatos e sentimentos positivos. Uma revolução não precisa ser algo grande necessariamente, pode ser um caminho diferente para a faculdade, pode ser um tom de voz diferente na troca de idéias com os outros, coisas pequenas fazem a diferença pra futuros grandes momentos.

O clímax se dá quando a gente sente que alguma coisa diferente tá fazendo a gente agir, diferente. Porque se fosse igual, seria uma merda. Há sim coisas que a gente quer com certeza absoluta que sejam iguais diariamente, semanalmente, mensalmente, anualmente, enfim, eternamente. Talvez seja uma necessidade. Talvez mera curiosidade. Procuramos coisas novas à medida que as antigas já não nos parecem, não nos soam e nem se relacionam conosco de um jeito que ao menos dê a sensação de ‘novidade’ no ar. Essa novidade que assusta ao mesmo tempo que excita a imginação e a vontade de querer entender mais, saber do que se trata, até extrair o máximo e infelizmente (ou talvez felizmente) cair na monotonia da coisa antiga e assim, nos obrigar a procurar algo novo.

O novo é sempre o primeiro. Nem mesmo o reciclado consegue ser novo porque já é de conhecimento prévio. Essa primeiridade, esse primeiro contato que traz à tona pensamentos e mudanças de objetivos que antes, nem sequer passavam pelas nossas sinpases neurais. Pra mim tá relacionado nossa consciência ficar constantemente nos lembrando que a estagnação deixa a gente chato, apático, acomodado e acima de tudo, indiferente a coisas novas que supostamente deveriam excitar, provocar um tesão que nos joga da cadeira com uma adrenalina em ciclos intermináveis.

A cabeça funciona rápido. Planos, metas, correria, expectativas e resultados. E se todos eles ao mesmo tempo derem certo, ficamos vangloriados. Primeiro porque deu certo, segundo porque a satisfação estava ligada diretamente à um campo desconhecido, portanto, algo novo. Dominar a novidade, entender ela, saber para qual caminho ela quer nos levar e a partir disso, conduzi-lá segundo nossos próprios interesses. Interesses que exigem de nós mesmos que façamos deles algo temporário, para partir em busca de interesses melhores e principalmente, mais novos.

Minha dúvida é se dá pra repetir o novo mais de uma vez e ainda assim ver ele como novo, como o primeiro, como o desconhecido já um tanto conhecido e que entre todas essas novidades antiqüadas, que uma, apenas uma delas seja o mote, o combustível e o estopim para um foco na vida que se renove constantemente, com o intuito de que, ao mesmo tempo em que será a atenção principal, que mostre suas ramificações e prove (se possível) desde o ínicio que, vale a pena investir tempo, suor, dinheiro, vontade e dedicar-se em tempo integral em busca desse ideal, dessa glória e claro, atingi-los.





Cajón de Maipo

9 06 2008

Santiago do Chile, 09h00 – Estação Baquedano x Teatro Municipal

Acordei naquele dia disposto à enfrentar uma excursão por uma geleira. Era essa a informação que tinhamos sobre o local, nada mais que isso. O All Star mais surrado da galáxia, bermuda tosca, um casaco bem companheiro, um chapéu da toyota (…), uma mochila pesada e axilas com 1 kilo de desodorante. Ah sim, antes que eu me esqueca, algum bastardo comeu o sanduíche que eu preparei no dia anterior, só pra melhorar as coisas. Encontramos o guia da excursão com o resto do povo, esperando os retardatários. Seu Jorge (pronuncie como horhe) que mais parecia o Joel Santana com uns kilos a mais na pança, deu uma explicação de como funcionaria toda a coisa: cada um se vira e pau no cu de todos.

Dale, dale, arriba arriba, pendejo de mierda.

Entrei num mini-bus e sentei sei lá aonde, tanto faz onde eu ia sentar. Não tinha tomado café da manhã mesmo, receita perfeita pra embrulhar o estômago. A única certeza era de três horas de viagem até o ponto de partida com uma parada no meio do caminho pra um café-matinal-ao-céu-lunar. Bumba andando a milhão, motorista de primeira viagem (positivo) e uma turma pra lá de descontraída. Troquei idéia com uma renca de gente. Primeiro com um curitibano tiozão de uns 45 anos, não lembro nada do que ele falou. Depois com uma Italiana de uns 20 e poucos anos, morenassa, chamava Valentina se eu não me engano, me fudi no espanhol com ela, o charme ficou pra depois. Por fim troquei idéia com dois mato-grossenses que me mostraram umas fotos de uma semi-escalada deles no Aconcágua, montanha mais alta da América do Sul, localizada na Argentina.

Chegamos àquele ponto de parada pra tomar o café da manhã e o estô(u)mago(ado) decidiu dar um alerta: alimente-se seu puto, senão acabo com sua viagem. Atendendo à pedidos, me empanturrei de sanduba, bolo de fubá, uns sucos e por fim, o olho começou a arder de forma absurda. Acho que passei protetor solar no olho, bem gostoso assim. Solução, anyone? Sim, por supuesto. Peguei uma garrafa de água vazia e vi que tinha sobrado alguma coisa no fundo da garrafa, não pensei duas vezes, mirei ela no olho e vi a última gota de água escorrer pela garrafa diretamente no meu olho, não é que funcionou? Sensação de genialidade no ar, humildade chutada lá pra Vinã del Mar.

Busão segue em direção à Cajón de Maipo e começamos a avistar neve na montanha. Ah, quase esqueci de falar, a estrada…peraí, que estrada? Não tinha estrada nenhuma. Pedras sobre pedras e o busão balançava mais que placas tectônicas asiáticas, meu estômago também. Do nada o busão parou, o motorista avisa que não vai dar pra passar desse trecho pra frente por causa de uma rocha do tamanho de uma casa que tava bloqueando o acesso. “Vamos camiñar muchachos, si?”

Fodeu bonito a partir dali. A escalada começou num ritmo tranqüilo que em 15 minutos se tornou frenético. Sol absurdo e eu me rachando de frio, de calor, de frio, de calor. Tira casaco, põe casaco, tira, põe, tira, põe. Suor, estresse, expectativa, barriga. Um silêncio absoluto predominava na escalada. Só as conversas casuais com a galera matavam aquele silêncio.

Chegamos à “geleira”, que na verdade parecia um lamaçal, de gelo só vi um lago marrom, parecido com o Nescau que eu tomo de manhã. Dei uma bela mijada no lago e decidi conhecer a “região” junto com outras três pessoas, eis que a gente quase toma no cu da maneira mais linda possível. Decidi encarar uma descida cheia de pedras pontiagudas dos mais diferentes tamanhos e, após destruir a sola do pé, do tênis e da minha paciência, vejo que o guia está a 700 metros de distância gritando alguma coisa. Alguma coisa do tipo: “Seus filhos da puta irresponsáveis de merda, o grupo está voltando, tchau e se virem na volta”. Correria frenética encarando uma subida super íngrime de uns 50 metros de altura somada ao terreno mais desplanificado da Via Láctea.

Seu Jorge esperou por nós, cuzão. Iniciamos a descida de umas 2 horas e meia. Uma galera andava tão lentamente, mas tão lentamente que a gente alcançou e ultrapassou em questão de minutos até um ponto interessante nessa volta em direção ao busão; em determinado trecho, não sei explicar como, mas estava completamente sozinho, sabia que tinha gente atrás e gente à frente, mas não dava para vê-los. Eu, o fim-de-tarde e as montanhas. Sensação incrível. Deu a louca em mim e comecei a cantarolar montanha abaixo, vejam bem, cantarolar na mesma intensidade que eu canto quando tomo banho, cantei como se estivesse dando um show pra 70 mil pessoas, do fundo da alma das minhas cordas vocais e tenho que admitir: purifiquei minha saúde, minha liberdade, minha nostalgia-chilena naquele instante. Foi do caralho. Até que um cara me alcançou e viu que eu parei de cantar, falei que só ia cantar se tivesse sozinho denovo com a montanhas, resumindo, voltei a cantar em alto e bom som.

Chegamos ao busão, já anoiteceu e o caminho de volta para Santiago era longo, BEM LONGO. Estômago vazio e ônibus balançando mais que um poste de iluminação na passagem de um ciclone. Comecei a passar mal, fiquei mal mesmo. Não demorou muito (1 hora e meia tá bom?) para que eu pedisse para o motorista parar a coisa para eu vomitar as tripas pra fora. A sensação era de dor de barriga com dor de cabeça (uma das mais infernais que já tive) com uma vontade de querer gritar mais do que a torcida do Boca Júniors em final de campeonato.

O ônibus pára, chegamos à estação de metrô, agora a gente precisava pegar um táxi de volta pra residência. Eu literalmente morrendo na frente de todo mundo, alguém conseguiu acenar para um táxi parar e entramos. Ou melhor, eles entraram porque eu entrei só com a cabeça pensando em uma coisa: irei vomitar minha alma da próxima vez. Mas quem disse que a coisa ia melhorar com as ruas asfaltadas de Santiago? Pegamos o taxista mais maluco da cidade, um digno rastáfari com um Bob Marley tocando no talo: “Could you be loooooved, and be looooooved” e o taxista errando o caminho, fazendo pirueta com o carro e eu ali, querendo dar cambalhotas triplas no banco do passageiro. E a música prossegue: “Don’t let them fool you!”.

Nunca corri tão rápido em direção a um banheiro deixando de cumprimentar cerca de 30 pessoas pelo caminho. Bem, só sei que o vesúvio perto de mim é brincadeira de criança. E a sensação de alívio naquela hora junto depois com a minha cama, naquele quarto mais que especial, foi, novamente, a purificação-chilena que me fez sorrir e dormir igual um anjo.





Desastreting

8 06 2008

À essa altura eu devia estar milionário, ganhei na loteria da Inglaterra pelo menos umas 19 vezes, na Bélgica umas 3 vezes e não paro de receber propostas de aumento peniano em paralelo a ofertas de drogas ilícitas que estão em queima de estoque. Satisfeito? Claro que não. Sou a pessoa mais amada do universo, recebo cartões virtuais de declarações de adoração pelo menos quatro vezes ao dia. E também a mais odiada, um monte de gente querendo denegrir minha imagem, me falando pra assistir um vídeo de como eu pareço estúpido.

Então eu me lembro que estou verificando a caixa de spam do meu e-mail.

Fico pensando, qual seria o equivalente ao spam virtual no mundo real? Aquela mala-direta anunciando algum produto revolucionário? Amostras de um novo tempero culinário? Infinitos flyers, de infinitos eventos invadindo o espaço sem pedir permissão alguma. Isso porque ninguém ainda enviou aqui pelo correio um micropênis adaptável, um cheque milionário assinado por firma reconhecida de algum concurso lotérico, muito menos balas de ecstasy, cartelas de LSD ou maconha bolada. Só de imaginar uma carta chegando aqui, oferecendo (por um preço bem bacaninha) o caminho para a sorte no amor, o sucesso na vida e como ganhar dinheiro sem sair de casa, sei que vo chorar até desabar de tanto rir. Eu daria risada, outras pessoas, sei bem, ficariam emputecidas a ponto de investigar quem foi o maldito remetente, compreensível.

E quanto às ligações de telemarketing num sábado qualquer às 09h00? Não culpo os operadores de uma central de telemarketing, mas quando isso acontece, entende-se que há um aviso bem grande no meio dessa central em letras garrafais FODA-SE O BOM SENSO. Aí dá nisso, ligaram aqui do filtro (ou purificador) de água europa. Eu acordando feito um drogado para atender a maldita ligação:

- Bom Dia! Aqui quem fala é Fernando do Purificador de Água Europa! Com quem eu falo?
- …
- Alô?
- Oi
- Tudo bem?
- Tudo ótimo.
- Senhor não-sei-melhor-nem-perguntar-seu-nome, verificamos aqui em nosso sistema que não há um Filtro-Purificador-de-Água Europa instalado em sua residência.
- Pois é né, não têm mesmo.
- O senhor preza por sua saúde?
- Não.
- Por que não?
- Porque a vida é bela.
- Sim, eu também acho, mas a água também deveria ser.
- É né.
- Então, você não teria interesse em marcar uma visita para nossos técnicos poderem ver se sua residência tem condições de receber a instalação do purificador-de-última-geração?
- Eu bebo água da torneira.
- Mas a água da torneira vem cheia de sujeira senhor, isso pode lhe fazer mal.
- Talvez né, mas aí, a água de vocês é pura mesmo?
- Posso te garantir senhor, é a água mais saborosa que o senhor irá tomar, além de mais saudável.
- Água tem sabor?
- Tem, sim senhor.
- Então é uma água pura e saborosa. É tipo água benta assim?
- Olha, não sei se é benta, mas é bem pura.
- Posso usar essa água pra limpar o chão?
- Se assim o senhor desejar.
- Então tá bom, não marque nenhuma visita técnica aqui, por favor. Tenha um bom dia, puro e saboroso.
- Mas…..senhor, você…

Senso de humor mais idiota que esse, impossível, não sei se da minha parte ou da empresa que fabrica esse purificador. Temos então, de um lado o pessoal da área de marketing de uma empresa e de outro, os spammers, gente que tem tempo suficiente para queimar criando softwares que vasculham computadores invadidos à procura de senhas bancárias, fingindo-se passar por Bancos, Suportes de E-mail, Amores Secretos, Concursos Lotéricos, etcetera. Afinal, quem é pior? Parece uma disputa pra ver quem merece o troféu ”Idiota do Ano”.

Os imbecis que mandam spam para o e-mail, nem para se dar ao trabalho de fazer o e-mail parecer autêntico eles se dão, são uns merdas mesmo. E os marketeiros de plantão? Bem, esses daí chegam ao nível do ridículo. Estudam 4 anos de Propaganda e Marketing ou seja lá qual for o curso relacionado à área de atuação deles pra me mandar esses anúncios esdrúxulos via internet ou correio? Pra que perder tanto tempo estudando isso se nem o mínimo do mínimo é feito da maneira correta? Uma coisa é um produto ser um completo lixo, aí não tem marketing que resolva mesmo, outra coisa é o produto ser útil e ter um suposto custo-benefício chamativo, mas com um marketing vergonhoso que dá até pena do “chefe” que contratou os profissionais para preencherem essa coisa básica que é, vender o peixe. Sobram dúvidas de quem irá comer o peixe cru?