A Origem de (Quase) Tudo

8 07 2008

Dentro de um mês, um equipamento ignorantemente gigantesco será acionado num local a 100 metros abaixo da terra, na fronteira entre a França e a Suíça. O “monstrinho” carrega o nome de Large Hardon Collider ou simplesmente, LHC. Trata-se do maior acelerador de partículas já construído. Seis bilhões de doláres e uma década e meia depois, a mamata tá pronta. Você se pergunta, mas o que isso tem a ver com ‘a origem de tudo’? Bem, a idéia é recriar os primeiros zilionésimos de segundo que deram origem à tudo que conhecemos hoje. Literalmente falando, eles vão recriar o Big Bang e assim, vão poder analisar minuciosamente cada átomo, partícula, sub-partícula, etc que darão as caras no experimento (ou não). 

Saca só do que eu tô falando:

LHC ou Atlas
Fotozinha medíocre da porra, preciso achar algo mais colossal

Esses cientistas pentelhos querem encontrar um troço carinhosamente apelidado de Higgs boson, que pelo o que eu entendi é o seguinte: toda a matéria que a gente conhece hoje, ela não tá aí à toa, flutuando pelo espaço livremente como a gente costuma pensar, esse nome aí, claro, foi uma homanagem ao cientista Paul Higgs que foi o primeiro a teorizar sobre o que conecta/liga/conversa entre a matéria e o que forma essa matéria. Segundo a teoria de P. Higgs, a matéria só é matéria, só consegue ser algo concreto e sólido porque ela mantém contato com um campo que existe no espaço e faz a mágica acontecer. Ou seja, tudo que a gente enxerga, só está no estado que está porquê mantém um “contato” com esse campo invisível a olho nu. E é exatamente esse campo que a mulecada quer detectar no experimento.

O “único” problema com o acionamento do LHC é que algumas organizações, diga-se de passagem, Governos e Instituições de Ensino, temem que ele irá gerar buracos negros. No documentário que eu assisti, um dos bambambam’s do projeto, afirma categoricamente que a chance disso acontecer é quase nula. Ele diz que se algum buraco negro for produzido, ele irá se dissipar conforme o evento for acontecendo. E se não se disspar? Bem, aí estamos todos fodidos. Esse quase pode significar a extinção da humanidade, do mundo, de tudo. Paradoxal nós mesmos produzirmos uma coisa que pode levar ao nosso próprio fim. Se bem que o LHC está em boas mãos, ao contrário de outros exemplos que podem exterminar o mundo mais de uma vez, como bombas atômicas e bombas de hidrogênio.

Quando um país inteiro entra com uma ação legal para impedir que o experimento vá pra frente, aí tem pano pra manga, muito pano. É bem simples na verdade, se um buraco negro surgir, basicamente vai engolir o planeta inteiro, pronto, falei. Alguém aí já aprontou as malas para a lua, marte?

Como o próprio nome sugere, haverá colisões ocorrendo durante o experimento. Eles vão acelerar partículas que irão se colidir, cara-a-cara e assim gerar sub-partículas atômicas, sub-isso e sub-aquilo e assim por diante. O formato do LHC é de um círculo, com 27 quilômetros de extensão. Então tudo que for acelerado por lá, claro, tem de ficar lá, por isso a construção a 100 metros abaixo do solo e dessa forma circular. Outros equipamentos deste tipo já foram construídos antes, mas nenhum com tamanha engenhosidade e tecnologoia quanto este.

Por que o experimento é importante? Para leigos como eu no assunto, é uma fascinação por si só. Mas pra galera que estará lá, in loco, analisando os dados colhidos, vai ser uma ereção múltipla generalizada. Exageros à parte, vai ser sensacional ver os resultados que serão produzidos com essa engenhoca. Trocando em miúdos, eles vão poder repetir o experimento quantas vezes quiserem e acharem necessário, algo como ter gravado num VHS o que pode ter sido o Big Bang, e assistir ele repetidas vezes. Vai ser um recomeço, literalmente, o início do início.

PS.: Aquele Higgs boson que eu mencionei, tem outro nome também, The God Particle.


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