Despretensiosamente, escrevo aqui no blog esse texto que espero, consiga manter-se atual sempre que for lido, independente de época, tempo, era ou momento. Talvez o erro esteja nessa intenção de querer eternizar momentos, situações, fatos e sentimentos que nos provocam bem-estar e que nos fazem querer um gostinho a mais daquele mesmo ‘tempo’. Se bem que tudo hoje é (ou virou) questão de ponto de vista, de interpretação. Quanto a fatos, não há argumentos, momentos memoráveis são lembrados porque merecem ser lembrados, mas porque esses momentos não se tornam dias? Momentos parecem dar a impressão de durarem apenas alguns poucos segundos.
Vai dar no que esse processo de eternização-momentânea? Não é a cultura do saia-da-rotina na qual estamos imersos? Quebre o hábito, saia do padrão, fuja da mesmice. E se o hábito for positivo, saudável e acima de tudo, transmitir valores bons, valores que vale a pena regorgitar eles e fazer o eco deles reverberar mundo afora? Não há mais 30 de Julho. O amanhã não existe mais. O tempo parou oficialmente no dia 29 de Julho de 2008. Depois da vigésima quarta hora, haverá a vigésima quinta e assim por diante, tudo indo numa única direção. O ano será um longo dia. Tudo que acontecer, será enxugado em 24 horas que irão acumular eventos de 8760 horas, mas um ano não é a eternidade, um ano é um ano.
A ficha caiu? Melhor deixar essa dúvida no ar, do que responder logo de cara que é impossível eternizar qualquer coisa. Talvez aquelas garrafas PET consigam eternizar-se mais do que qualquer outro objeto reluzente aqui nesse planeta. Mas afinal, eternizar qual momento? Do que estamos falando afinal? Ah sim, do agora, do antes e do sempre. Praticamente a mesma coisa.
De eterno mesmo, só os ponteiros do relógio andarem na velocidade da luz e isso tem sido algo cada vez mais recorrente. Como se em determinado momento eles tirassem folga. Tão precisando mesmo tirar umas férias e de preferência, que não voltem nunca dessas férias. Que fiquem pelos Bahamas com seu Martini caprichado, juntamente com aqueles mini-guarda-chuvas. Enquanto o tempo tirar férias eternas, eu poderei sossegar eternamente. Relaxar infinitamente é o que eu procuro? Acho que isso seria o trampolim para a realização de projetos e outros sonhos, pensando bem, de maneira um pouco mais séria e madura, com a sanidade em dia, vejo que isso é mera desculpa para começar algo que eu já venho “planejando” há muito tempo.
Porque, é justamente isso que fazemos a vida inteira. Uma desculpa para começar algo. A gente nem sabe se vai terminar e, mesmo não sabendo isso, nem nos damos ao trabalho de começar esse algo, essa coisa, essa abstração que a gente chama de vida, quando na verdade, tá mais pra pausa. Esse eterno momento congelado em nossos próprios medos, em nossas ideologias estúpidas que carregamos por anos e que nunca damos a cara à bater. Eternizamos o único projeto que merece atenção, mas não eternizamos os frutos que esse projeto pode ou poderia nos dar (ou nós tirarmos isso dele), colocamos na eternidade a nossa desculpa para não começar algo, por causa de N motivos.
Se é assim, que seja? Sei não hein, sou meio contra deixar as coisas como estão se elas tão fedendo. É que, enquanto não incomodarem o vizinho, aspiraremos esse fedor vindo de nós mesmos achando que tá tudo bem. Claro que tá tudo bem. Ser medíocre hoje é fazer parte da turma do tudo bem. Eu gostaria, realmente gostaria que senso comum fosse algo positivo, até lá, o senso comum do comportamento vai jogar gênios e jumentos no mesmo saco, não porquê é regra uma pessoa inteligente e uma pessoa imbecil estarem no mesmo saco, mas pelas próprias opções de ambos, inclusive uma possível inversão de papéis.
É aquela velha história de “Putz que desperdício”, “Quanto talento jogado fora”, “Nunca vi tanto potencial concentrado saindo pela tangente”. Potencial é só isso: potencial, até que algo seja alcançado com ele. Nada contra quem é potencialmente fadado a se dar bem na vida, mas enquanto ficar no campo das potencialidades, os frutos que poderiam nascer desse “excesso” de inteligência, destreza ou qualquer outra qualidade, ficarão pra eternidade, eternamente potenciais.