Artigo para a Eternidade

18 08 2008

Despretensiosamente, escrevo aqui no blog esse texto que espero, consiga manter-se atual sempre que for lido, independente de época, tempo, era ou momento. Talvez o erro esteja nessa intenção de querer eternizar momentos, situações, fatos e sentimentos que nos provocam bem-estar e que nos fazem querer um gostinho a mais daquele mesmo ‘tempo’. Se bem que tudo hoje é (ou virou) questão de ponto de vista, de interpretação. Quanto a fatos, não há argumentos, momentos memoráveis são lembrados porque merecem ser lembrados, mas porque esses momentos não se tornam dias? Momentos parecem dar a impressão de durarem apenas alguns poucos segundos.

Vai dar no que esse processo de eternização-momentânea? Não é a cultura do saia-da-rotina na qual estamos imersos? Quebre o hábito, saia do padrão, fuja da mesmice. E se o hábito for positivo, saudável e acima de tudo, transmitir valores bons, valores que vale a pena regorgitar eles e fazer o eco deles reverberar mundo afora? Não há mais 30 de Julho. O amanhã não existe mais. O tempo parou oficialmente no dia 29 de Julho de 2008. Depois da vigésima quarta hora, haverá a vigésima quinta e assim por diante, tudo indo numa única direção. O ano será um longo dia. Tudo que acontecer, será enxugado em 24 horas que irão acumular eventos de 8760 horas, mas um ano não é a eternidade, um ano é um ano.

A ficha caiu? Melhor deixar essa dúvida no ar, do que responder logo de cara que é impossível eternizar qualquer coisa. Talvez aquelas garrafas PET consigam eternizar-se mais do que qualquer outro objeto reluzente aqui nesse planeta. Mas afinal, eternizar qual momento? Do que estamos falando afinal? Ah sim, do agora, do antes e do sempre. Praticamente a mesma coisa.

De eterno mesmo, só os ponteiros do relógio andarem na velocidade da luz e isso tem sido algo cada vez mais recorrente. Como se em determinado momento eles tirassem folga. Tão precisando mesmo tirar umas férias e de preferência, que não voltem nunca dessas férias. Que fiquem pelos Bahamas com seu Martini caprichado, juntamente com aqueles mini-guarda-chuvas. Enquanto o tempo tirar férias eternas, eu poderei sossegar eternamente. Relaxar infinitamente é o que eu procuro? Acho que isso seria o trampolim para a realização de projetos e outros sonhos, pensando bem, de maneira um pouco mais séria e madura, com a sanidade em dia, vejo que isso é mera desculpa para começar algo que eu já venho “planejando” há muito tempo.

Porque, é justamente isso que fazemos a vida inteira. Uma desculpa para começar algo. A gente nem sabe se vai terminar e, mesmo não sabendo isso, nem nos damos ao trabalho de começar esse algo, essa coisa, essa abstração que a gente chama de vida, quando na verdade, tá mais pra pausa. Esse eterno momento congelado em nossos próprios medos, em nossas ideologias estúpidas que carregamos por anos e que nunca damos a cara à bater. Eternizamos o único projeto que merece atenção, mas não eternizamos os frutos que esse projeto pode ou poderia nos dar (ou nós tirarmos isso dele), colocamos na eternidade a nossa desculpa para não começar algo, por causa de N motivos.

Se é assim, que seja? Sei não hein, sou meio contra deixar as coisas como estão se elas tão fedendo. É que, enquanto não incomodarem o vizinho, aspiraremos esse fedor vindo de nós mesmos achando que tá tudo bem. Claro que tá tudo bem. Ser medíocre hoje é fazer parte da turma do tudo bem. Eu gostaria, realmente gostaria que senso comum fosse algo positivo, até lá, o senso comum do comportamento vai jogar gênios e jumentos no mesmo saco, não porquê é regra uma pessoa inteligente e uma pessoa imbecil estarem no mesmo saco, mas pelas próprias opções de ambos, inclusive uma possível inversão de papéis.

É aquela velha história de “Putz que desperdício”, “Quanto talento jogado fora”, “Nunca vi tanto potencial concentrado saindo pela tangente”. Potencial é só isso: potencial, até que algo seja alcançado com ele. Nada contra quem é potencialmente fadado a se dar bem na vida, mas enquanto ficar no campo das potencialidades, os frutos que poderiam nascer desse “excesso” de inteligência, destreza ou qualquer outra qualidade, ficarão pra eternidade, eternamente potenciais.





Glória Mundial

18 08 2008

Essa “mera” conquista de César Cielo na natação brasileira em Pequim, a primeira da história, diga-se de passagem, vai muito além de colocar o Brasil no topo do pódio. Toda a raiva extravasada pra fora, a alegria do cara estampada no rosto, o choro emocionado, enfim, toda aquela empolgação misturada com os braços levantados para o ar, espalhou-se na Terra Adorada. Assisti ao show do Garotas Suecas ontem e no meio do show, o vocalista (Guilherme Saldanha) decide saudar Cielo: “É ouro porra! Cinqüenta metros rasos! Vai Brasil! Vai Cielo!”.

De fato o Brasil entrou com o Cielo junto naquela piscina, ou melhor, Cielo carregou o Brasil nas costas durante 21 segundos e 30 centésimos. Genial. Ganhar uma medalha de ouro numa Olimpíada não é mole, nem pra qualquer um. Cielo foi lá e fez a sua. Contagiou o Brasil inteiro, não tenho dúvidas, porque no momento em que a medalha de ouro foi colocada no seu peito e o Hino Nacional ecoou em Pequim, ouvi rojões sendo soltados, gente se abraçando em bares, botecos, cafés. Não tenho muito o que falar, só Parabenizar o Cielo.

Aliás, um adendo: César Cielo começou a se dedicar para a natação em 2003. Antes disso tentou/testou o Judô e o Vôlei, viu que não tava dando certo até que sua mãe, Flávia, mandou o cidadão se jogar na água. Recebeu orientação de ninguém menos que Gustavo Borges e conseguiu o que seu próprio instrutor falhou: conquistar uma prova em primeiro lugar. Ênfase no tempo que ele precisou para conquistar uma medalha: quatro anos. Pra um fanático/noiado com esse negócio de tempo como eu é um tapa na cara. Soco no estômago. Senso de urgência em alta. Deviam divulgar mais esse intervalo de tempo do Sr. Cielo, entre começar a dedicação exclusiva à natação e a conquista da medalha de ouro na Olimpíada.

Queria saber o que se passa na cabeça dos que sobem num pódio olimpíco à espera da glória. Vo ficar só na vontade mesmo, chegou a hora de eu dar esse pontapé inicial. Mover a primeira engrenagem que faz toda a coisa chegar aonde supostamente pode/deve chegar.





Independência Absoluta

9 08 2008

Chego à conclusão que o que fode esse mundo é a dependência. Porque, sempre tem alguém dependendo do outro, ou melhor, da boa vontade do outro, esta boa vontade que já tá em quarentena desde os tempos das cavernas. De tanta dependência, ninguém abre mão de nada e a somatória desta equação tem como resultado as asneiras humanas. A gente não presta mesmo. O ser humano não presta, e, esta é uma generalização que pela primeira vez, não tem nem como argumentar contra ela. O ideal de um mundo equilibrado, em paz, de prosperidade para todas as nações; vai pelo ralo assim que um país depende da boa vontade do outro, vai às favas assim que tem-se noção de que tem de haver uma troca de favores.

Troca de favores tá mais pra: “Veremos quem é mais filho da puta”. Se algo é da natureza humana, esse algo tem todas as características do perfeito cuzão. Rousseau dizia que a classe menos favorecida (?!) da sociedade, se algum dia conseguisse chegar ao poder, não iria se corromper com a mesma facilidade que a classe considerada ‘alta’, porque, segundo ele, esta classe não teria tamanho desejo de posse quanto a classe mais elevada. Foda-se esse negócio de classes, pra falar a verdade. Tô cagando e andando pra isso. A verdade é que o ser humano é filho de uma meretriz por natureza. Assim que tem a chance de pisar, vai lá e pisa e passa a sola do pé como uma máquina de raio-x, até começar a criar calo.

Esse negócio de esperança eu costumo encontrar no centro da minha cidade, sendo vendido descaradamente por 1,99. Ou seja, não vale mais nada. Em outras palavras, nunca teve valor algum. Resumindo toda essa gororoba: esperança é como deus, você de tanto acreditar que ele existe, um dia se toca de que ele não passa de um amigo imaginário, fruto de uma esperança na qual você tava crente que um dia se concretizaria.

A recíproca também é verdadeira: quando alguém tem a chance, a situação, o momento de ser gentil, de fazer uma boa ação, ele fará isso sem hesitar (sei não hein). Porra nenhuma. O egoísmo baterá na porta e fará o filho da estúpida-que-roda-bolsinha-na-esquina ficar em cima do muro, ficar em cima da dúvida se não tá faltando um pouco de individualismo. Faz falta esses dias pensar no próprio umbigo. Geral tá deixando de dormir porquê o outro tá depressivo, tá tirando notas baixas e por cima disso tudo, foi chifrado pela própria namorada, que, a partir de agora, chamemos de a-podridão-em-sua-exuberância.

Que ingenuidade pensar sobre uma suposta independência de países, pessoas e tudo que envolve esse tipo de campo. Afinal, os países declaram independência pra quê? É a independência mais dependente que já se viu. E repito: é uma dependência baseada na boa vontade, e vira e mexe, me pergunto, será a boa vontade mais uma daquelas pseudo-esperanças criadas, para mascarar toda a filha-da-putisse presente no planeta que chamamos de terra (mas que na verdade teria de ser planeta água)? Hmmm, então a boa vontade vem de bandeja assim que uma pessoa (país) torna-se independente? Boa vontade em ajudar os que dependem da boa vontade do outro?

São tantas variáveis envolvidas que a vontade que eu tenho é de mandar tomar no cu todo mundo. Vejamos: 1) Vontade, 2) Boa ou Má. Se o cidadão sequer tem vontade, nem se chega ao item 2, se o lazarento tem, pode ser boa ou má vontade, se for boa, cruzemos os dedos e esperamos que ele faça algo de positivo pra contribuir, e se não for, pulemos pra cima dele e chutemos seu saco escrotal até sair do lugar. Mundo de merda, pessoas de merda, enfim, todos um bando de merdas. Enquanto isso, procurem-me na esquina pra ver se eu tô plantando coquinhos no asfalto.





O Eterno 7 de Agosto

7 08 2008

É uma data explosiva, não há como negar, encontra-se entre 6 e 8 de Agosto, justamente os dias em que foram lançadas as bombas atômicas americanas em solo japonês. Nasci no meio de ambas. No meio da minha própria disputa de ego, uma disputa em que meu único adversário é a consciência que me impede de ficar superestimando-me, afinal, não há lógica em fazer isso. E então inciará-se uma filosofia sem fim. Aquela do tipo que enrola até virar uma bola, onde nesse ponto, quando não há mais o que enrolar, resta empurrar o que sobrou ladeira abaixo e ver no que dá.

A lógica é que datas são superestimadas, mas valores como motivação, incentivo e dedicação, ficam em segundo plano e quando a gente se lembra de que precisa cultivar eles para adaptá-los ao nosso cotidiano, pode ser um pouco tarde, nunca demais. Afinal, nunca é demais ter um pouco de pensamento positivo. Afinal, não importa o quão ruim esteja o plano, pensar que ele pode piorar, não vai ajudar, então chega desse pensamento sádico-humorístico. O mundo, as coisas, as pessoas, as atitudes, as bobagens, estes ficarão em segundo plano, ficarão esquecidos, serão ignorados. Mais que isso, agirei de maneira indiferente de modo tão sumário que farei jus à tais palavras e desta vez, minhas pretensões e comprometimento estarão direcionadas para cumprir essa auto-promessa.

Sim, vo abandonar essa tal de confiança. Melhor duvidar de tudo e de todos, melhor confiar de maneira cega, fingir um certo amadorismo ou ingenuidade, assim todos ficam felizes. Textos são escritos com o único propósito de não terem sentido algum, essa história de significado de já deu, encheu o saco, não presta mais. Ficarei assobiando e relutando em dizer ‘capiche’, acho que soa verdadeiro em demasia. A verdade não dói, nem corrói, tampouco destrói, a verdade alimenta um sentimento que todo ser humano deseja e contempla diariamente: o sentimento do alto astral, aquele sentimento que traz sensações que nos fazem sentirmos bem com nós mesmos, trazem à tona pensamentos de positivismo, de quebra de paradigmas, de visões novas sobre tudo, enfim, de um avanço.

Não há o que comemorar numa data destas se o patamar continuou no mesmo nível. Hei de me concentrar como nunca neste momento e pensar que, daqui pra frente, tudo será diferente, não porque o acaso vai fazer a sua parte, mas porque as coisas vão ser feitas pensando sempre em todas as variáveis que possam estar envolvidas em qualquer situação. A vida é feita de conseqüências, estas, claro, derivadas de atos, estes, evidentemente, sendo uma ramificação de um raciocínio lógico-emotivo que de agora em diante, será deixado em modo de standby, dando lugar à uma mentalidade mais madura, mais disposta a escutar, mais aberta à novas idéias, mais ágil, mais efetiva, menos indecisa, enfim, tantos caracteres para clarear uma data que em tese, é como uma outra qualquer, mas na prática, encaixa-se num documento.

Que seja. Se for para usar o nascimento como alavanca para mudar de atitude, ótimo, melhor ainda se os resultados forem catapultados à cada nova conquista e falando motivadamente, que tais feitos sejam duplicados. Agirei com diligência, mesmo sabendo que contarei com sorte e com minha própria competência.