Aceite o fato: 99.99 % das pessoas que habitam este planeta são comuns. Isso significa que, quando a população mundial atingir 7 bilhões, apenas 700 mil farão parte das incomuns. São as 700 mil que farão a diferença, são as que já estão fazendo. Não se engane, ninguém nasce incomum, todos nascem comuns. Ser comum é o quê afinal? Ser comum é viver a vidinha ordinária vista nos filmes, lida nos livros, escutada nas músicas. Por vidinha ordinária, entenda-se, vidinha seguida à risca, com as mesmas rotinas, as mesmas pessoas, as mesmas mudanças, a mesma mentalidade, a mesma passividade, o mesmo conformismo com relação à tudo, a mesma preguiça de pensar, a mesma preguiça de fazer diferente.
É aceitar a comunidade. “Direito meu!” Mas é claro que é direito seu viver do jeito que vive. Mas estas pessoas são as mesmas que procuram ver graça em tudo, ver algo e falar que faz sentido. Bem, para estas pessoas, ser comum faz sentido, há uma graça toda em volta disso. A graça de ser comum, a tentação de sempre se igualar ao outro. Dar bola para aquele papo mercadológico de que a tentativa de se diferenciar, acaba igualando todos? Bobagem. Se fosse assim, seríamos todos um bando de débeis mentais. Ah, mas, não somos? Somos, por pura escolha. Por nossa condição humana de merda, por essa invenção desse maldito termo que conforta os fracos, afirmando categoricamente que é certo aceitar tudo de bom grado, de bandeja.
Isso aqui não é nenhum manifesto à favor de uma vida difícil. Não é manifesto favorável a nada. Não é nem um manifesto. É só um conjunto de idéias variadas que eu andei tendo, nada além disso. Se fosse um manifesto, seria para manifestar idéias aleatórias a respeito de tudo. Talvez seja isso que falta na mentalidade das pessoas, aleatoriedade. O aleatório é o inverso do comum. O comum cai sempre no mesmo. Dificilmente isso acontece no acaso. O acaso trata-se de tentar, experimentar, dar a cara à bater. O comum é a conformidade com tudo, é a cara pálida, é colocar o córtex cerebral em estado de hibernação eterna e mais que isso, viver nesse estado e se orgulhar da própria estupidez. E quando houver repressão à imbecilidade? Faça piadas disso, claro! Assim você legitima que ser imbecil é jóinha (faça sinal de positivo com o dedão, sorria e vá pra puta que te pariu).
Pessoas comuns não sabem lidar com pessoas comuns. Pessoas comuns não sabem lidar com pessoas incomuns. Pessoas incomuns não sabem lidar com ninguém, nem com elas mesmo. Pessoas comuns nem sabem quem elas mesmo são. Aliás, lidar com pessoas comuns é uma merda. É mais fácil lidar com uma porta, posso jurar de braços abertos isso. A porta sabe qual é sua função, abrir/fechar, isolar um som, dar privacidade, e servir de porta. A pessoa comum não sabe que porra está fazendo nesse mundo, não sabe o que falar, nem porquê fala, porquê só sai merda. A pessoa comum decidiu ser comum, caralho! Decidiu não ir atrás de conhecimento, decidiu ficar estagnada mentalmente e saturada fisiologicamente (não só no lado óbvio, vale ressaltar).
Por que uma porta que não tem poder de decisão exerce sua função com maestria? Por que uma pessoa comum que tem poder de decisão, deixa ao acaso sua mentalidade medíocre manter-se assim? Vá a merda, não especificamente àquela que sai de sua boca, mas a que lhe atingirá a cara um dia. E tenho dito quantas vezes precisar.