“Qual fato marcou a sua vida em 2008?” pergunta uma seção de um portal de notícias. Bom, e quando nada marcou sua vida em 2008? Ué, se algo tivesse marcado eu lembraria instantaneamente, mas nada marcou. Um ano inteiro passou batido. Nem a viagem ao Chile me marcou, por mais que eu tenha saudades do país e de 3 semanas magníficas passadas por lá.
Freud Explica? Explica nada. É errado eu pedir opinião alheia pra algo que eu mesmo não consigo explicar. Se é que precisa de explicação. Ué, é simples. 2008 passou batido, e daí? E daí que é hora de fazer o que fazemos todo fim de ano. Parar e refletir sobre os benditos 360 dias que vivemos nele. Ah, mas quem é que pára e faz isso de fato? Festas de fim de ano consomem tanto tempo, não?
Se é difícil dizer o que me marcou nos últimos 365 dias, o que dizer dos últimos 10 anos? Exagero meu? Ok então, acho que o meu grau de relevância talvez esteja num patamar acima do normal. Ou será que preciso reconsiderar e colocar como ‘marcos’ simples fatos da vida? As coisas banais, rotineiras, pequenas. No fim das contas, não rola dizer que algo diário te marcou, que as coisas boas estão nos detalhes, justamente pontos em que não costumo prestar atenção, talvez deva prestar mais.
E 2010 está na esquina, porquê, se eu continuar dessa maneira, bem capaz que 2009 também passe batido. Você sabe que um ano passou rápido demais quando consegue lembrar pelo menos de um fato de cada mês dele, dá pra imaginar os momentos e fazendo uma breve enumeração deles, conclui-se que 365 dias passaram voando. E isso não é nada bom. Como não? “Tudo que é bom passa voando!”. Balela. Vi uma cadeira voar na minha frente, não vi nada de bom nisso. Muito menos o tempo passar à frente, não vejo nada de bom nisso.
Afinal, fazer o quê pra que 2009 não passe voando? Ajustar os relógios em 2010 pra que as datas sejam de 2009? De 2008? Ou jogar o relógio fora? Mas eu nem uso relógio! Essa obsessão em ficar analisando o tempo e o que é feito durante ele. Aquela frase costumeira de ‘usar o tempo’. Usar uma coisa tão abstrata, tão impalpável, invisível, mas que, querendo ou não, tá aí. Apenas demos um nome pra ela. Pra ela, pra essa coisa. Pra ele, pra esse tempo. Que no fundo é essa coisa. Não tem sexo, não tem nome, não dá pra ver ele, não dá pra tocar nele, não dá pra senitr ele, mas sabemos que está aí. E não é exatamente deus, mas é onipresente. Ou talvez não, talvez seja a maior mentira que já se criou. Uma mentira que, ironicamente, serve para tomar o verdadeiro tempo, porque, quanto mais pensamos nele, mais estamos parados, esquecendo que há um tempo dentro de nós, o nosso próprio tempo, e não o tempo global. Mas denovo, nada disso faz sentido, o que faz sentido é ver que são uma e vinte seis da manhã e eu preciso dormir.