Comemorando o Intocável

1 01 2009

Bom dia 2009 e mais um ano “novo” chega nos calendários seguidos à risca no mundo todo. Ano é mais uma maneira de contar o tempo. Abrevia-se 365 dias e alguns minutos nessa palavra. Mas a essência é a mesma, o tempo. O ser humano se casou com essa “coisa” e nunca mais se divorciou. Se o tempo fosse humano seria a pessoa mais velha do mundo. Seria a única pessoa a ter visto os dinossauros desaparecerem, a revolução francesa e a guerra do iraque. Seria a única pessoa a ser bajulada por toda uma espécie. E qual sua função? Caminhar pra frente. Pouco a pouco. De maneira constante. Incontestável. Ano após ano, após ano, a humanidade se prepara para comemorar o que considera uma passagem. Troca-se 1 número e rojões são soltos. Beijos são trocados. Carinhos e abraços são retribuidos.

Mas aí eu me pergunto, ano novo aonde? Os dias continuarão a ter 24 horas. As mensagens de fim de ano serão as mesmas. Até as promoções das operadoras de celular continuarão pipocando pelos cantos do mundo. O ser humano é incrível mesmo. Comemora algo que não consegue ver, não consegue tocar, não consegue ouvir, mas sabe que está lá. Para ver faz o céu explodir, para tocar basta estar vivo, o tempo te toca. Não se sabe se estamos comemorando a maturidade ou o envelhecimento. Ou o avanço. Para ouvir essa chegada supernova, liga para parentes e amigos para escutar a voz deles minutos após a troca de 1 mísero número no calendário. Os sentimentos humanos imperam. Não dá para vê-los, não dá para ouvi-los, não dá pra toca-los, mas a gente sente eles dentro de nós como fogos de artifício. E pelo menos uma vez por ano, dedicamos um esforço adicional para dar lhes a devida atenção.

O ano novo de novo não tem nada. Serve mais como lembrança. Uma lembrança de que adoramos o invisível. Damos a ele um sentido incomensurável. Perdemos a cabeça nesse dia. Ou a mantemos no lugar e achamos tudo bonito e brilhante durante 5 minutos. O senso de realidade nos dá aquele tapinha nas costas e nos diz pra “cair na real”. Pode soar como elogio, pode soar como crítica, mas pra mim soa como constatação. A primeira de 2009. Pensada em 2008. Assim como poderia ter sido pensada em 2007. E já sabemos como será o ano novo do ano de 2037. Será um ano com fogos de artifictício, alguns quilinhos a mais, algum fato chocante, alguma vida comum, algo comum. O comum tem sabor de novidade a cada 365 dias. E isso porquê queremos. Seres comuns, comemorando algo comum. Talvez o comum seja o extraordinário e ainda não tenhamos sacado. Porquê é nesse dia que o amor ganha uma energia incrível, amizades são refeitas. Qualquer sinal de vida é louvado.

Toda essa filosofia barata não vai levar a lugar algum. Mas chego a conclusão de que até o que é comum é positivo e tudo que é positivo na vida merece ser louvado e superdosado. Louvemos então a overdose de positividade de fim de ano, de ano novo. Todos os anos serão novos, mas todos guardarão algo em comum: serão extraordinários uma vez por ano, o suficiente para reabastecer o estoque de alegria no mundo. E esse texto termina da maneira mais comum que o leitor espera, de maneira alegre, deixando uma mensagem positiva, otimista e contagiante no ar. O previsível virou positivo e o positivo virou previsível. Que seja assim e que seja exponencialmente multiplicado pelas coisas boas que acontecerem ao longo do ano. Dito e feito.