O Dia Sacro

2 05 2009

Dentro de uma semana, a banda que cativou meus ouvidos aos 7 anos de idade fará sua terceira apresentação em São Paulo. Fosse 1998 eu estaria pululando, contando os dias, as horas, os segundos. Passados 11 anos, a ansiedade com relação a banda parece que desapareceu. Talvez reapareça no dia do show. O friozinho na barriga e nas mãos que faz a gente se sentir completamente diferente. Um friozinho que comumente a gente evita, mas que no dia 9 de Maio, quero sentir, meio que pra justificar a adoração à música, à boa música. Reina uma sensação de tranqüilidade misturada com uma vontade absurda de já ver as luzes se apagando e o show começando. É um show com um repertório já conhecido. É uma procissão. O roteiro a legião sabe de cor e salteado, e nem por isso deixa de comparecer. Pelo contrário, é num show do Oasis que muitas lembranças vem à tona. Nem vou entrar no mérito da banda ser importante para o cenário atual da música ou não. Pra mim a importância é intrínseca e imensa.

Há três anos atrás a Brasil 2000 FM reprisou o show de 1998. Estava ouvindo ele a caminho do estacionamento do Credicard Hall, rumo ao primeiro show deles. Não há muito o que falar. Quando você cresce rodeado de inúmeras possibilidades sonoras e guarda sua atenção majoritária a uma banda específica, seu comportamento é um reflexo do que foi escutado ao longo dos anos. Mesmo que de forma inconsciente. Não há muito de erudito no Oasis, mas há tudo de verdadeiro. Se o som deles pudesse ser colocado num dicionário, ficaria com a seguinte definição: “Som pra sair chutando portas e mundos, sair correndo feito louco, gritando como se fosse o primeiro e último grito ao mesmo tempo e muita, mas muita auto-confiança, afeto, reflexão e paixão, muita paixão”.

O fato é que sábado que vem será sacro do começo ao fim. Do fim ao começo. Cada minuto do dia vai ter algo a mais. E eventualmente, o friozinho na barriga vai aparecer. A entrada ao evento, a atmosfera do lugar, as pessoas passando, os técnicos montando o palco para que cinco pessoas façam o que sabem fazer e deixem trinta mil sem saber. Tudo vai fazer sentido. Todos os sentidos irão dar saltos quadruplos. Todo esse exagero vai fazer sentido. Não há muitos dias na vida que fazem tanto sentido quanto ir ver um show do Oasis. Mas esse dia em especial sempre torna as coisas meio colossais. Épicas. E não há nada que possa mudar isso. Vai ser um dia foda. Genial. E eu farei parte disso tudo, de corpo e alma.


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