O trocadilho-clichê se faz cada vez mais necessário, embora seja questionável. A caminho do Anhembi, chuva. É o tempero divino para um show colossal. Toda vez que o Oasis toca em São Paulo, chove. E o silogismo não erra. Mas o que é um show do Oasis em Sampa, afinal? A pergunta que tem de ser feita é para quem é o show? Para o fã comum da banda, é um show à parte. Para o fã xiita, a coisa ganha proporções enormes. Mas farei uma descrição geral.
Antes de entrar no show propriamente dito, eu vou citar uma frase que eu desconheço o autor: “Na vida em sua totalidade, somando todos os momentos alegres, verdadeiremente felizes, uma pessoa é feliz, em média, 10 minutos.” Seja lá quem tenha dito isso, ele deve ter lá sua razão, mas não em se tratando do OASIS. Verdade seja dita, os shows deles não são longos (tem em média 21 músicas, em cerca de 2 horas de show, às vezes mais, às vezes menos).
Quem vai ao show do OASIS sabe o que vem pela frente. Não tem essa de ir no show deles por curiosidade. Quem vai ao show esperando ver pirotecnia, palhaçadinha, circo, pulinhos, artificialidade, sai com cara de cu. O show do OASIS é o que se espera de um show: ouvir ao vivo as músicas dos álbuns. Ver os caras em carne e osso. O show do OASIS é só uma parte dessa religião, modo de vida, you name it. Fã que é fã acompanha a banda pela internet, conhece os jargões deles, a história da banda, as intrigas, o marketing, e acima de tudo, as entrevistas, que costumam ser geniais.
Parece que, de uns tempos pra cá, ficou mais fácil ver um show deles. Vieram em 1998, 2001 (somente Rio), 2006 e 2009. O show amarra todos esses elementos ou chuta eles bem pra longe. Para os que não dão o braço a torcer e invariavelmente, torcem o nariz para a banda, o show do Oasis é algo previsível. Talvez por essa previsibilidade, qualquer coisa que fuja do roteiro é uma explosão. Eu conheço bem a história da banda. E a única vez na qual eles “fugiram” do roteiro foi exatamente em São Paulo, há três anos. A banda toca um repetório idêntico durante boa parte da turnê e aos poucos vai mudando. Mas não de um show para outro. Foi o que aconteceu. E aconteceu à pedido dos fãs de todo o Brasil que compareceram ao Estacionamento do Credicard Hall em 2006.
O show terminou sua primeira parte e a banda foi ao backstage descansar por cinco minutos. Ao saírem do palco que ouvia-se na platéia era ‘Supersonic! Supersonic! Supersonic!’. Dito e feito. Zak Starkey retorna para seu posto e inicia a batida. Nem o mais cético dos fãs acreditaria no que estava acontecendo. ‘Guess God Thinks I’m Abel’ foi trocada. O resto todo mundo já sabe.
O show de ontem foi dentro do esperado. Nenhuma surpresa, até porquê, não se espera nenhuma. Ou seja, curte-se o que é tocado e fim de papo e de garganta. Não dá pra falar depois do show. Tá todo mundo rouco (e louco). Com os neurônios vibrando. O sangue correndo mais rápido. No estacionamento, todos os carros com as janelas abertas tocando músicas de todos os álbuns no talo. A volta pra casa é uma mistura alegre da sensação de dever cumprido com um certo vazio existencial. A banda continuará suas atividades pelo verão europeu. Pegarão vôos, trens, busões, apresentarão suas composições e suas pessoas, suas feições para mais platéias e pelo jeito, também cumprirão seu dever.
No que depender de mim, o próximo show tende a ser diferente. Veremos.