O Bonde da Burrocracia

15 09 2009

Se você não vai até este bonde, ele vêm até você. E te obriga a subir nele. E não te deixa mais descer. Estou falando do caso mais recente com o qual tive contato: Spotify, o programa de streaming de música que está dentro da legalidade que as majors da indústria fonográfica tanto queriam. Dou uma breve descrição do programa pra quem ainda não conhece: é como se fosse um iTunes, têm um catálogo invejável de músicas disponibilizado diretamente pelas maiores gravadoras do mundo. A diferença está no fato do usuário não precisar adquirir nenhuma música, nem baixar. Todas as músicas estão armazenadas na “nuvem”. O usuário só precisa arrastar e jogá-las em playlists que podem ser salvas. Ou seja, muito mais prático do que baixar e armazenar no disco rígido as toneladas de música que encontramos ‘rede’ afora.

Eis que há uma semana atrás recebo um e-mail da equipe Spotify. Transcrevo abaixo:

Dear Spotify user,

We’re writing to you in regards to your Spotify account which up until now you’ve been using free of charge.  While we are really happy that you are enthusiastically using Spotify, we are
unfortunately going to have to restrict access to your free
account.

Spotify is currently available in six countries: Sweden, Norway,
Finland, Spain, France and the UK.  We never intended to allow
use of our service outside of those countries and we do not run
any adverts on your account like we do in the launch countries.
For this reason we have to restrict your account, you will be
able to log in to Spotify and view music and playlists but not
listen to any music.

We are sorry that we have to take this step.  We do hope to
launch our free service in more countries in the future.

If you have any questions regarding this please feel free to
contact our support team. (support@spotify.com)

Regards,
The Spotify team.

Trocando em miúdos: a internet pôs abaixo as limitações geográficas que distanciavam as pessoas nesse mundão e a burrocracia de engravatados levantou esses muros de volta. Eu estava usando a versão grátis do programa, disponível justamente aos países citados no e-mail. Como o Brasil não consta na lista, me mandaram tomar no cu. Se eu quiser continuar usufruindo do serviço, terei que usar uma versão paga. Deram um tiro no pé e outro na mão. Nada que um serviço de proxy não resolva.

Agora a grande ironia: na versão que eu estava usando, ou seja, com uma conta apontando para o site que eu resido no Brasil (via IP, claro), o catálogo do Oasis estava disponível na íntegra. Catálogos de outras bandas, não. Agora uso uma conta direcionada ao Reino Unido e esse mesmo catálogo simplesmente desapareceu.

Eu entendo e imagino que existam uma série de legislações e papeladas que freiem o processo de entrada do programa em outros países, mas quando se trata da internet, a visão que eu tenho é de que toda a burocracia existente deveria desaparecer. E se for pra ela existir, que exista antes do lançamento ser oficializado. Depois eles ainda reclamam de pirataria.