O Dia Sacro

2 05 2009

Dentro de uma semana, a banda que cativou meus ouvidos aos 7 anos de idade fará sua terceira apresentação em São Paulo. Fosse 1998 eu estaria pululando, contando os dias, as horas, os segundos. Passados 11 anos, a ansiedade com relação a banda parece que desapareceu. Talvez reapareça no dia do show. O friozinho na barriga e nas mãos que faz a gente se sentir completamente diferente. Um friozinho que comumente a gente evita, mas que no dia 9 de Maio, quero sentir, meio que pra justificar a adoração à música, à boa música. Reina uma sensação de tranqüilidade misturada com uma vontade absurda de já ver as luzes se apagando e o show começando. É um show com um repertório já conhecido. É uma procissão. O roteiro a legião sabe de cor e salteado, e nem por isso deixa de comparecer. Pelo contrário, é num show do Oasis que muitas lembranças vem à tona. Nem vou entrar no mérito da banda ser importante para o cenário atual da música ou não. Pra mim a importância é intrínseca e imensa.

Há três anos atrás a Brasil 2000 FM reprisou o show de 1998. Estava ouvindo ele a caminho do estacionamento do Credicard Hall, rumo ao primeiro show deles. Não há muito o que falar. Quando você cresce rodeado de inúmeras possibilidades sonoras e guarda sua atenção majoritária a uma banda específica, seu comportamento é um reflexo do que foi escutado ao longo dos anos. Mesmo que de forma inconsciente. Não há muito de erudito no Oasis, mas há tudo de verdadeiro. Se o som deles pudesse ser colocado num dicionário, ficaria com a seguinte definição: “Som pra sair chutando portas e mundos, sair correndo feito louco, gritando como se fosse o primeiro e último grito ao mesmo tempo e muita, mas muita auto-confiança, afeto, reflexão e paixão, muita paixão”.

O fato é que sábado que vem será sacro do começo ao fim. Do fim ao começo. Cada minuto do dia vai ter algo a mais. E eventualmente, o friozinho na barriga vai aparecer. A entrada ao evento, a atmosfera do lugar, as pessoas passando, os técnicos montando o palco para que cinco pessoas façam o que sabem fazer e deixem trinta mil sem saber. Tudo vai fazer sentido. Todos os sentidos irão dar saltos quadruplos. Todo esse exagero vai fazer sentido. Não há muitos dias na vida que fazem tanto sentido quanto ir ver um show do Oasis. Mas esse dia em especial sempre torna as coisas meio colossais. Épicas. E não há nada que possa mudar isso. Vai ser um dia foda. Genial. E eu farei parte disso tudo, de corpo e alma.





Comemorando o Intocável

1 01 2009

Bom dia 2009 e mais um ano “novo” chega nos calendários seguidos à risca no mundo todo. Ano é mais uma maneira de contar o tempo. Abrevia-se 365 dias e alguns minutos nessa palavra. Mas a essência é a mesma, o tempo. O ser humano se casou com essa “coisa” e nunca mais se divorciou. Se o tempo fosse humano seria a pessoa mais velha do mundo. Seria a única pessoa a ter visto os dinossauros desaparecerem, a revolução francesa e a guerra do iraque. Seria a única pessoa a ser bajulada por toda uma espécie. E qual sua função? Caminhar pra frente. Pouco a pouco. De maneira constante. Incontestável. Ano após ano, após ano, a humanidade se prepara para comemorar o que considera uma passagem. Troca-se 1 número e rojões são soltos. Beijos são trocados. Carinhos e abraços são retribuidos.

Mas aí eu me pergunto, ano novo aonde? Os dias continuarão a ter 24 horas. As mensagens de fim de ano serão as mesmas. Até as promoções das operadoras de celular continuarão pipocando pelos cantos do mundo. O ser humano é incrível mesmo. Comemora algo que não consegue ver, não consegue tocar, não consegue ouvir, mas sabe que está lá. Para ver faz o céu explodir, para tocar basta estar vivo, o tempo te toca. Não se sabe se estamos comemorando a maturidade ou o envelhecimento. Ou o avanço. Para ouvir essa chegada supernova, liga para parentes e amigos para escutar a voz deles minutos após a troca de 1 mísero número no calendário. Os sentimentos humanos imperam. Não dá para vê-los, não dá para ouvi-los, não dá pra toca-los, mas a gente sente eles dentro de nós como fogos de artifício. E pelo menos uma vez por ano, dedicamos um esforço adicional para dar lhes a devida atenção.

O ano novo de novo não tem nada. Serve mais como lembrança. Uma lembrança de que adoramos o invisível. Damos a ele um sentido incomensurável. Perdemos a cabeça nesse dia. Ou a mantemos no lugar e achamos tudo bonito e brilhante durante 5 minutos. O senso de realidade nos dá aquele tapinha nas costas e nos diz pra “cair na real”. Pode soar como elogio, pode soar como crítica, mas pra mim soa como constatação. A primeira de 2009. Pensada em 2008. Assim como poderia ter sido pensada em 2007. E já sabemos como será o ano novo do ano de 2037. Será um ano com fogos de artifictício, alguns quilinhos a mais, algum fato chocante, alguma vida comum, algo comum. O comum tem sabor de novidade a cada 365 dias. E isso porquê queremos. Seres comuns, comemorando algo comum. Talvez o comum seja o extraordinário e ainda não tenhamos sacado. Porquê é nesse dia que o amor ganha uma energia incrível, amizades são refeitas. Qualquer sinal de vida é louvado.

Toda essa filosofia barata não vai levar a lugar algum. Mas chego a conclusão de que até o que é comum é positivo e tudo que é positivo na vida merece ser louvado e superdosado. Louvemos então a overdose de positividade de fim de ano, de ano novo. Todos os anos serão novos, mas todos guardarão algo em comum: serão extraordinários uma vez por ano, o suficiente para reabastecer o estoque de alegria no mundo. E esse texto termina da maneira mais comum que o leitor espera, de maneira alegre, deixando uma mensagem positiva, otimista e contagiante no ar. O previsível virou positivo e o positivo virou previsível. Que seja assim e que seja exponencialmente multiplicado pelas coisas boas que acontecerem ao longo do ano. Dito e feito.





Modos de Vida

26 09 2008

O ano ainda nem começou e já estamos em 2009. O dia nem terminou e já estamos há três dias a partir de agora. Porra, em que tempo estamos afinal?! Os benditos pacotes de Reveillon (embora eu pronuncie como Revelión) e ainda me pergunto, porque fim-de-ano chama-se reveillon? Não sei, me lembra uma marca de cosméticos, algum creme ultra-mega-super-avançado de rejuvescimento de pele. Ser uma pessoa adiantada significa ser alguém antenado, à frente dos outros, porque, em tese, consegue prever como serão seus dias, ou melhor, algumas horas dos próximos dias.

Pacotes de viagens começam a ser vendidos ano passado para o ano depois desse. Viagens então, são uma aventura à parte. Toda essa vontade, essa necessidade insaciável de conhecer outros lugares e só. Esse papo furado de conhecer outras culturas não cola mais, ninguém conhece uma cultura em duas semanas. Nem em três. Mas é a sede por novidade que nos motiva a fazer essas loucuras. Fazer hora extra pra poder viajar no fim do ano, ou no meio, depende do lugar e da estação. Estação do ano ou de trem? Ambas. Na europa cai bem no verão. Trombar com estranhos (?!) no metrô, no avião, a caminho do aeroporto, na van. Mas peraí um pouquinho, estranhos? Que foi, eles são tão estranhos assim? São tipo, gente de outro planeta? Falta algum dedo, alguma orelha? Não né? Estranhos por que então? Boa fucking pergunta. Nenhuma fucking resposta.

Um ser que se auto-denomina um puta dum comunicador, com medo, ansiedade e pré-julgamentos frente à seres de mesma espécie, região, bairro, até de sua própria casa. É um ser ridículo, ou melhor, ele está sendo ridículo, e não é de hoje. Isso vem acontecendo desde que o mundo é o mundo e a gente não é mais gente. O que é ser gente hoje em dia? Ter conhecimento ordenado em bibliotecas neurais? Ser gente significa ter lido obras completas? Pra mim a palavra, ou melhor, a raíz da palavra têm relação com gentileza. Gentileza é bem mais do que segurar a porta do elevador para o vizinho que chegou do trabalho, ou dizer um muito obrigado à um garçom de restaurante. Esses tipos de ações são o mínimo do mínimo. Gentileza tem a ver com atitudes de ceder, de dar sem pedir (nem pensar em receber) nada em troca. Ser gentil está diretamente ligado à ser uma pessoa que surpreende a outra de maneira positiva, ênfase nesse positivismo aí, tão em falta hoje em dia.

Mas gentileza não basta, têm que ter sutileza. Destreza. Leveza. Grandeza. Moleza. Certeza que o modo de vida que estamos levando é o certo, mas eu quero que alguém me diga, me fale como dá pra parar pra pensar sobre isso. Geral não têm tempo pra nada, nem pra pensar. Pensar? Ação penosa, dolorida, pensar dá coceira. Pera um pouco que tá coçando aqui. Ufa, passou, mas eu continuo pensando. Remoendo a quantidade de asneiras que eu soltei hoje. Prevendo que picuinhas vão me entreter amanhã. Chega desse papo furado. Chega.

Por isso que vida chama vida e não volta. Pegamos a passagem só de (v)ida, não de volta. Por isso que temos um monte de idas vindas, todas inexoravelmente ligadas à vida. Uma pena que essa ida seja recheada de obstáculos. Um desses obstáculos é saber lidar com nossos semelhantes, o que, pensando bem, é a coisa mais contraditória, não? Oras, se eles são iguais à nós, porquê ter dificuldade em lidar com eles? Começo a achar que eles dificultam a coisa propositalmente. Começo a achar que esqueci que tenho uma consciência, vo levar ela pra dar uma volta, quem sabe não refresco a cabeça e deixo as coisas no lugar.





O Eterno 7 de Agosto

7 08 2008

É uma data explosiva, não há como negar, encontra-se entre 6 e 8 de Agosto, justamente os dias em que foram lançadas as bombas atômicas americanas em solo japonês. Nasci no meio de ambas. No meio da minha própria disputa de ego, uma disputa em que meu único adversário é a consciência que me impede de ficar superestimando-me, afinal, não há lógica em fazer isso. E então inciará-se uma filosofia sem fim. Aquela do tipo que enrola até virar uma bola, onde nesse ponto, quando não há mais o que enrolar, resta empurrar o que sobrou ladeira abaixo e ver no que dá.

A lógica é que datas são superestimadas, mas valores como motivação, incentivo e dedicação, ficam em segundo plano e quando a gente se lembra de que precisa cultivar eles para adaptá-los ao nosso cotidiano, pode ser um pouco tarde, nunca demais. Afinal, nunca é demais ter um pouco de pensamento positivo. Afinal, não importa o quão ruim esteja o plano, pensar que ele pode piorar, não vai ajudar, então chega desse pensamento sádico-humorístico. O mundo, as coisas, as pessoas, as atitudes, as bobagens, estes ficarão em segundo plano, ficarão esquecidos, serão ignorados. Mais que isso, agirei de maneira indiferente de modo tão sumário que farei jus à tais palavras e desta vez, minhas pretensões e comprometimento estarão direcionadas para cumprir essa auto-promessa.

Sim, vo abandonar essa tal de confiança. Melhor duvidar de tudo e de todos, melhor confiar de maneira cega, fingir um certo amadorismo ou ingenuidade, assim todos ficam felizes. Textos são escritos com o único propósito de não terem sentido algum, essa história de significado de já deu, encheu o saco, não presta mais. Ficarei assobiando e relutando em dizer ‘capiche’, acho que soa verdadeiro em demasia. A verdade não dói, nem corrói, tampouco destrói, a verdade alimenta um sentimento que todo ser humano deseja e contempla diariamente: o sentimento do alto astral, aquele sentimento que traz sensações que nos fazem sentirmos bem com nós mesmos, trazem à tona pensamentos de positivismo, de quebra de paradigmas, de visões novas sobre tudo, enfim, de um avanço.

Não há o que comemorar numa data destas se o patamar continuou no mesmo nível. Hei de me concentrar como nunca neste momento e pensar que, daqui pra frente, tudo será diferente, não porque o acaso vai fazer a sua parte, mas porque as coisas vão ser feitas pensando sempre em todas as variáveis que possam estar envolvidas em qualquer situação. A vida é feita de conseqüências, estas, claro, derivadas de atos, estes, evidentemente, sendo uma ramificação de um raciocínio lógico-emotivo que de agora em diante, será deixado em modo de standby, dando lugar à uma mentalidade mais madura, mais disposta a escutar, mais aberta à novas idéias, mais ágil, mais efetiva, menos indecisa, enfim, tantos caracteres para clarear uma data que em tese, é como uma outra qualquer, mas na prática, encaixa-se num documento.

Que seja. Se for para usar o nascimento como alavanca para mudar de atitude, ótimo, melhor ainda se os resultados forem catapultados à cada nova conquista e falando motivadamente, que tais feitos sejam duplicados. Agirei com diligência, mesmo sabendo que contarei com sorte e com minha própria competência.





O tempo, sempre ele

24 04 2008

É de se admirar nosso semelhante. Como é que alguém se dispõe a pagar mais por um relógio do que pela comida que ele tem na geladeira? Pagar por um objeto que não faz nada além de solidificar uma convenção humana, tornar ela vísivel e concreta aos nossos olhos. Comprar um objeto que, segundo o seu valor, demonstra status social e no paradoxo dos paradoxos, controla literalmente as pessoas. E a pessoa se orgulha de usar o tempo no pulso. O ser humano é mesmo incrível. Você pensa na noção de tempo e te vem em mente o seguinte: um monte de números mudando, indo pra frente, essa abstração que controla nossas vidas ou será que a gente se deixa controlar por ela?

O tempo então, a príncipio é algo simples, mesmo sendo uma pura abstração. Mas não, nós, seres humanos, a gente pega o tempo, pega não porque é impalpável, mas agarra o conceito dele e joga num molde, o molde da produção massificada de um objeto que irá representar no mundo real de forma sólida o que é tempo. Dois ponteiros andando, uns números, um design assim, totalmente na moda e pá pum, temos o relógio. Se o sistema é controlado por senhores engravatados que veêm tudo de cima, eles provavelmente tão dando risada de como o ser humano é idiota. Idiota ao ponto de comprar algo que ele mesmo não vê, mas como o fundo do poço é lá embaixo, o imbecil ainda se deixa controlar pelo tempo.

Não vou entrar aqui na discussão da sociedade, de como o mundo funciona. Funciona pra quem tira proveito; pra quem DEPENDE dele pra sobreviver, garantir um sustento e um lazer aleatório, jamais funciona, muito pelo contrário, controla e conduz CADA SEGUNDO de outros humanos.

Eu não uso relógio, ponto final. O sol e a lua dão conta muito bem de me dizer que horas são. Tenho a noção de que se o tempo fosse personificado ele seria o cara mais odiado da galáxia. E numa história de ficção científica, o tempo diria em alto e bom som para quem o tentasse matar o seguinte: “Se você me matar, você morre também. Se eu não existo, ninguém existe”. Eu mataria ele por curiosidade. É o típico cara chato que não consegue (nem quer) passar despercebido, quer chamar a atenção, quer ser o centro da atenção. Tá seu chato, conseguiu. Marketeiro de merda, me diga como tantas pessoas caíram na sua idiotice?

Não dá pra se livrar do tempo não? Ignorar a existência dele? Criar um novo conceito do que é a vida? É como tentar reinventar a roda, voltar no Big Bang e começar do zero, passar a borracha na história da humanidade e dizer : “Galera, não tá boa essa cena, a gente vai gravar denovo”. É essa a percepção que eu tenho, de que tá tudo programado. Tem um pessoal que cuida do roteiro de todos nós. E quem comanda todo essa equipe? O tempo, ele mesmo.

Não há explicação plausível para você vir conversar com uma pessoa e ela te olhar e falar: “Tô com pressa, sério, falo com você depois”. Depois?! Depois é agora, ô cidadão. Não tem essa de passado, logo menos, logo mais, pura balela tudo isso. É tudo a mesma coisa. E por que essa pressa? Por que tem esse tal de tempo dizendo pra ele que se ele não entregar o relatório até um horário determinado, o chefe dele vai comer ele vivo. E o chefe que acha que tá acima de todos seus funcionários, tá abaixo do tempo.

O nada ganhou um post inteiro num blog. Realmente, é de se tirar o chapéu para o nada. Nenhuma explicação científica, nenhuma verdade absoluta de como funciona a estrutura do universo vai me convencer (tatuar uma convenção em mim) de que o tempo existe. Malditas convenções. Parem, parem de convencionar bobagens, parem de criar falsidades, já tem bilhões comprando essas traquinagens.





A Pressa é inimiga da Intuição

21 04 2008

Taí o problema dessa era moderna, era digital, era nova, chamem do que quiserem, mas o que comanda nossa era é a pressa. Já discursava o escritor italiano Ítalo Calvino, sobre a importância da rapidez em seu livro Seis propostas para o próximo milênio. Eu então, tô a milhão, literalmente na velocidade da luz. Estudando até a exaustão e ironicamente, não mandando tão bem nas provas quanto gostaria. É idéia pra filme aqui, idéia pra mudar o mundo acolá (santa ingenuidade), idéia de como ser mais produtivo, mais feliz, enfim, mais ativo(?). É intrigante.

Estática Alucidativa
Crédito: flickr do caravinagre

Norinha, Norinha, essa mulher abriu meus olhos com sua música “Not Too Late”. Noronha. Norona. Norah ”fucking” Jones e seu mais novo álbum que carrega consigo o nome da música citada cima. Menina (ou será mulher) de voz cativante, essa é a palavra que define o que essa mulher faz. Um som cativante. Novo álbum nada, foi lançado já faz um tempo, mas soa como novo. Novo porquê remete ao meu momento atual.

Tudo na base da pressa hoje em dia. Se você deixa passar um segundo, pronto, perdeu la oportunidad de su vida. Vai fazer o quê? Reclamar não adianta muito. Esbravejar contra si mesmo também. Culpar os outros menos ainda. Falar com a parede pode ser bem útil, ela é uma excelente ouvinte e olhe só: ela nunca dá palpites nem mexe os lábios, concorda com tudo que você disser, mesmo que seja uma montanha de bobagens sem fundamento.

Pra que usar a intuição hoje em dia? Até parece que a gente lida com mistérios insolucionáveis no nosso dia-a-dia. Balela. Pegue qualquer assunto com uma importância de formiga e você vai ver como cada pessoa trata ele. Vai usar a intuição pra que com tanta pressa em cima da cuca? Quer dizer, pode até tentar dar uma pausa e tentar montar ou estruturar um pensamento intuitivo que possa te levar a alguma conclusão coerente, racional, chame ela como melhor agradar-lhe.

É de dar risada mesmo. Nada mais me surpreende. Talvez não seja só comigo. Essa palidez ou indiferença frente à tudo que jogam na nossa cara é no mínimo, estranha. Te contam um fato esperando que você plante bananeira no terraço de seu apartamento e você meio que engole aquilo sem reagir nem mexer uma sombrancelha. Ninguém tá nem aí pra mais nada. A reação é a mesma : “Legal hein campeão!”.

Aí pra ficar mais esquisito (este é o quesito), ninguém mais tira satisfações. Ninguém deve mais satisfações, nem pra pressa dos outros, nem pra intuição deles mesmos. Fica tudo flutuando, tudo relativo, nada objetivo. Não é questão de comprar no supermercado pressa ou vender intuição, é questão de entender porquê tá todo mundo nesse comodismo mental ou eu perdi alguma coisa? Tá tudo em seu devido lugar? Todo mundo jóinha fazendo sinal de positivo com o dedão?

Sei não, mas acho melhor eu parar de comer cereal radical todo dia, porquê de tanta radicalidade só tenho visto passividade, e essa passividade significa falta de atividade.





Pá Pum

1 04 2008

Dia bacaninha hoje, as condições estão normais de acordo com a temperatura e a pressão. Céu alaranjado, com tons amarelos e solos de guitarra sendo escutados ao fundo. Dia de mudança. Mudança de comportamento, resolvi colocar algumas coisas em dia, apesar de que o computador à essa altura devia estar desligado, mas não faz mal, sei que vo me garantir logo após o post para terminar as tarefas e dormir cedo hoje. Me entreguei a rotina e isso, não é algo batuta. Todo dia deveria ser diferente, por isso que a gente tem 6 pares de tênis, 30 camisetas e inúmeras outras coisas para a gente tentar fazer o dia ser diferente, mas não tem jeito, tem semana que todos os dias parecem ser iguais. Sinto que os últimos 20 anos foram iguais, embora minha memória só se lembre de fatos a partir de 1991.

Ah a década de 90. Não sei, não me perguntem, não me peçam explicações nem venham tirar satisfações, mas a década de 90 tem um significado colossal pra mim. Sempre que eu penso nela fico feliz. Deve ter algum motivo, óbvio, mas eu, não sei dizer qual. Não importa. O bacana disso tudo é que eu faço analogias o tempo todo dessa década com a década atual. Saudosismo em excesso dá nisso. Foi em 1998, eu tinha 11 anos de idade e numa viagem de família que eu percebi: o tempo não voa, nem tem velocidade supersônica, ele simplesmente não existe. Claro que eu me toquei em relação à idade e comecei a ficar preocupado com planos e mais planos, bobagens eletrônicas compradas naquela viagem que tiraram meu foco. Hoje, com 20 anos de idade me deparo com uma situação chata: novamente vejo que não dá pra controlar o tempo, dizem que quanto mais se pensa nele mais a gente perde tempo pensando nele, oras bolas, tempo ocupando tempo.

No metrô, avisos para os passageiros não ficarem nas portas dos vagões a fim de não atrasar a vida dos outros. Aquele provérbio de que ”a vida é o que acontece quando não estamos fazendo planos”, já não sei se faz ou não sentido. Já não sei mais o que faz sentido, o que não faz, o que deveria fazer, mas, peraê, como assim, fazer sentido? Ninguém faz sentido. Nada faz sentido. A gente segue um sentido, ou não segue se a gente for diferente. Porque, em inglês, a expressão é “makes sense”. Mas sense não é sentido. Sense tem a ver com sensações, então presmo que sentido também. Jóia. Nada faz sentido mesmo então. E o tempo vai passando?! Passando nada, o tempo vai fazendo a gente perder a cabeça. Quem passa somos nós, o tempo fica, filho da puta.

Passo pela rua, dou um passo e paro. Vejo as pessoas darem passos preocupados, passos de quem tá sempre com algum item a ser ‘ticado’ da lista diária de preocupações, que se renovam na rotina que o sistema impõe, mas nós concordamos. Concordamos em seguir dia após dia com tarefas categorizadas, segmentadas e suas especificidades aplicadas ao ‘trabalho’. Tá mais pra uma batalha de alho. Trabalhar fede. Batalhar fede, o alho também, mas dizem que faz bem pra saúde. Amanhã talvez não faça. Ah mas foi comprovado cientificamente. Engula isso, humano subordinado à sociedade. Bem escroto pensar que se a gente foge de responsabilidades impostas, viveremos na miséria urbana.

E você, o que você quer da vida? Você quem? Eu? Eu quero, não quer dizer que eu possa ter, também não quer dizer que eu não possa ter, felizmente. Porque ser otimista dá um gás extra. Viver às sombras dos fatos reais e ignorar todas as bobagens com suas mega explicações. Pra que? Tem alguma utilidade? Utilidade teve a internet há exatos 14 anos atrás quando eu usei pela primeira vez. Ninguém sabia ao certo o que era, hoje todos tem certeza que sabem. E esse potencial só deve se quintuplicar nos próximos anos. Febres e mais febres de produtos, serviços, interações, idéias e entre todo esse emaranhado de informações: a esperança de que paradigmas e dogmas, levem uma voadora nas costas ou um tiro de 12 na cara e que acabem por definitivo com tudo que não esteja atrelado a felicidade do ser humano, das pessoas.

Sim seus melancólicos depressivos, procuro felicidade sim. Parei já. Eu mesmo produzo minha felicidade e se o acaso quiser dar uma mãozinha aliado a minha boa vontade, vo poder compartilhar essa felicidade com alguém e por um instante do dia parar e pensar: essa rotina serve pra mim.





Puta Perda de Tempo

17 11 2007

Sabe aqueles dias que você no fim do dia sai com aquela sensação de : “Cara#$% que dia desperdiçado”. Acho que nesse último mês que passou entrei nessa tal de Inércia Mental, ironicamente o nome que este blog leva (apesar do endereço ser diferente). Blog não né porra, tá mais pra mlog já que a postança por aqui é literalmente 1 post por mês. To mlogando, fato. Enfim, tava pensando esses dias, essa tal de Inércia Mental significa que o cérebro entrou num determinado estado, atitude, pensamento, direcionamento e todas essas variáveis podem ser boas ou ruins. Vamos então supor que no meu caso, a inércia ta fluindo para o lado positivo. 

Estou procrastinando cada vez menos, só que os resultados não têm aparecido.

Sucesso, Sucesso, Dedicação, Atitude, Jogo de Cintura, Motivação da porra que não aparece, merda. Vai toma no cu. A vontade que dá as vezes é de pressionar o botão do Fast Foward e ver como é a fita lá na frente. O imediatismo de setembro passou já, mas pelo jeito restaram seus trapos. Por que raios eu colocaria imediato e setembro na mesma sentença eu não sei, mas deve ter sido em 2006 que a alcunha deste termo aterrisou no colo deste blogueiro, ops, digo, mlogueiro, quando eu tava na faculdade e tava puto da vida, com a vida, com tudo e com todos…santa serenidade que ficou em casa.

Tenho que dar uma voadora na procrastinação de uma vez por todas. Há um tempo atrás vi num trailer de um filme uma frase que têm tirado algumas noites de sono minhas : “O momento é momento, depois que passou é outro momento”, ou seja, tem que usar cada segundo da maneira mais preciosa possível e… chega pra hoje, já deu, vou é dormir.





Eu Acredito

7 07 2007

Acredito que eu sendo eu mesmo, eu consiga seguir os meus instintos, meus eternos companheiros.
Acredito que a vida não reserva surpresas para mim, eu reservo para ela.
Acredito que a vida não faz sentido sem sonhos.
Acredito que se cada um fizer a sua parte, o mundo será um lugar melhor para as futuras gerações.
Acredito que as pessoas nascem com uma mente a ser moldada por experiências, mas a escolha de fazer coisas boas ou ruins é pessoal e intransferível, sendo assim, a responsabilidade e os méritos ou irresponsabilidades e deméritos são conseqüências de um conjunto de atos.
Acredito que a felicidade está nas coisas pequenas, mas a ambição nas grandes.
Acredito que persistência e paciência são as chaves para o sucesso.
Acredito que sucesso é relativo, o simples fato de existir já é um sucesso.
Acredito que todas as pessoas são boas por dentro.
Acredito que um sorriso por dia melhora a auto-estima e a convivência com aqueles ao redor.
Acredito que a coletividade é a que faz a diferença.
Acredito que otimismo e perseverança são pilares fundamentais para quem deseja chegar em algum lugar.
Acredito que mudar faz bem, mas nunca deixar para trás o que um dia já foi benéfico.
Acredito que o perdão é a prova definitiva de aceitar as pessoas como elas são.
Acredito que a paz está na geladeira, basta descongelar e deixar ela fluir mundo afora.
Acredito em pessoas que tenham a mente aberta para escutar idéias novas, sem necessariamente absorvê-las, mas saber respeitá-las.
Acredito que mais importante do que pensar no futuro é pensar no agora, no presente, porque só assim é possível ver o que está certo e o que está errado.
Acredito que alguns clichês sejam verdadeiros e sejam importantes.
Acredito que é sempre melhor ser esperto do que ser justo.

Acredito que nunca se pode deixar levar pelo os outros pensam, digam ou façam : por isso, nunca deixei de acreditar, no meu potencial.





Gire em torno da sutileza

1 05 2007

Ah, a vida, como é bela. Tantas situações, tantos momentos, tantas satisfações, tantos depoimentos, vivemos na era da pressa. Perdemos o controle sobre o que falamos, sobre como falamos, sobre nossas atitudes, sobre nossas preponderâncias. Resmungamos sobre tudo. Nada foge de nosso alcance. Até mesmo aquilo que não queremos. Parece que é tudo pré-determinado. Temos um script a seguir, e quem não segue é severamente punido pelas convenções sociais. Convenções que mudam a todo instante, por nós mesmos, para favorecer a nossa imagem, nossos gestos, nossa fala. O amor virou data comercial. O que nos da vida e felicidade virou valor de troca, mas calma, ainda não estamos sendo vendidos em prateleiras de supermercados, ainda, repito.

Eu pessoalmente, não sei se estou em guerra comigo mesmo ou contra os ideais que eu vo contra. A moda agora é ser do contra, não cair no comodismo de ouvir e ficar calado, jamais. Para tudo temos uma resposta, até mesmo para o que a ciência já respondeu, a mesma ciência que nós a vemos como dona da verdade. Individualismo, imediatismo, sensacionalismo, modismo, comodismo, absolutismo, vivemos ou pelo menos temos plena certeza de que estamos na era dos ismos. O que pode se afirmar sem ter peso algum na consciência é que esta era é a do ceticismo. Nos negamos a ver verdades não só impostas aos nossos olhos, como as nossas vidas. Nada mais interessa além de sucesso, o resto que se foda. Moralismo paradoxal.

Julgamento.

Tudo o que fazemos é julgar e tomar decisões. Reflexão antes de dizer algo já perdeu pro imediatismo. Eu quero, eu posso, eu consigo, dane-se o resto mesmo que eu faça parte dele. Ciclo interminável de democracia, sistema que de tão coerente só tem feito os miseráveis cada vez mais presos a sua situação e os de situação mais favorável, mais favorecidos. Existe uma inércia social. Quem é rico, ficará mais rico, quem é pobre, ficará mais pobre. A obviedade é vista e julgada como correta, como justa.

Mas ninguém é inocente ou culpado. Nós próprios nos colocamos nesse xeque-mate sem volta. E reparem que o último golpe ainda não foi executado, porque no dia em que for voltaremos a Idade Média onde revolução era algo acima de um poder divino. Mas na verdade é mais confortável psicologicamente pensar que um dia todos serão iguais em todos os campos sociais, não haverá mais doença, não haverá mais guerras, não haverá mais intrigas, perfeição?

A grande verdade é que felizmente a maioria dos seres humanos que habitam esse planeta vem tomando consciência de seu papel, aquele papel que ta na biblioteca enfiado no meio de um monte de livros que ensinam como se deve viver.