O que nos preenche, afinal?

28 05 2009

Tirando os ossos, os órgãos, o sangue, as sinapses, e todos os elementos físicos, palpáveis, alguma coisa nos faz sentir que estamos dentro de um corpo. Os olhos abertos, comandos neurais fazendo com que braços se mexam e dedos digitem. A sensação de vida, de respiração. Tudo a gente já conhece, mas ainda não sabe explicar exatamente o que junta isso tudo, o que dá liga. Talvez seja uma grande bobagem tentar ”explicar” algo que talvez nem precise ou deva ser explicado. Talvez ninguém consiga explicar.

Mas, bobagem por bobagem, eu prossigo com o pensamento de que há algo mais que nos preenche e que é invisível. Esse preenchimento é o próprio ‘eu’ ou talvez algo diferente. Não acredito que seja a alma. Tenho a impressão de que um estalo nos preenche. Durante 6-8 horas esse ‘estalo’ repousa. No instante em que acordamos, ‘plack’, dedos estalam e a gente acorda. O corpo é tomado por esse estalo,  todos os sistemas iniciam seu funcionamento, os olhos se abrem, o coração bate, os pulmões inspiram o ar misturado com a poeira e poluição da cidade.

Ressalto que não creio que esse ‘estalo’ esteja relacionado à alma ou até mesmo à religião. Mesmo sendo algo invisível e imperceptível, a gente vê esse preenchimento nas pessoas diariamente. Alguma coisa preenche os corpos. A abertura dos olhos de uma pessoa representa a vida em si. Quando sentimos o contexto do mundo à nossa volta, nos sentimos vivos, ou seja, é quando enxergamos a atmosfera ao nosso redor que a sensação de vitalidade entra em funcionamento. Do mesmo modo que muita gente toma como algo ‘pronto’, ‘natural’ o fato de água sair da torneira, das tomadas elétricas em casa estarem disponíveis, muita gente encara a vida como ela é, como se fosse uma coisa automática, é pá pum, tamô vivo, vamo viver, pá pum, vida, corre-corre, liga-liga, chora, desliga, sorri, liga denovo, dorme, acorda, vive, anda, abraça, beija, chuta, xinga, anda, vive.

Querendo ou não, estamos “presos” dentro de um corpo. É esse ‘estamos’ que eu tô tentando explicar, definir, chegar em alguma conclusão plausível. O corpo não nos prende. Na psicanálise chamariam a sensação de estar vivo de ‘consciência’. A lucidez de perceber que você está vivo (e como você percebe da maneira mais nítida? abrindo os olhos). A gente dá vida a um corpo e não o oposto. Por isso que a gente representa esse ‘recheio’, esse ‘preenchimento’. Tudo isso pode estar soando meio maluco, e se for, paciência. Ou impaciência para os que não a compraram. Ela está a venda, não sabiam? Eu estou vendendo.

Aquelas histórias de pessoas que ‘perderam a cabeça’ talvez expliquem um pouco os ‘atos falhos’, os ‘colapsos’ e comportamentos que fogem da norma. Por que? Pois passam a impressão do corpo ter adquirido, por pouco tempo, uma certa independência sobre si mesmo. Perder a ‘consciência’ é perder o controle sobre as ações do corpo, e conseqüentemente, o preenchimento do mesmo. A involuntariedade do corpo existe diariamente, em vários locais do corpo, mas não se manifesta tanto no cérebro, e quando se manifesta, faz a pessoa ‘perder a cabeça’.

Entendo que órgãos e veias, artérias e tecidos nos preencham fisicamente. Além de outros inúmeros aparelhos. Mas, peguem o computador por exempo, com hardware e software. A analogia é óbvia. Pois bem, que software nosso querido corpo está rodando? O homosapiens modern times 3.0? Nada de software talvez. É outra coisa. Se alguém descobrir, me fale.





Artigo para a Eternidade

18 08 2008

Despretensiosamente, escrevo aqui no blog esse texto que espero, consiga manter-se atual sempre que for lido, independente de época, tempo, era ou momento. Talvez o erro esteja nessa intenção de querer eternizar momentos, situações, fatos e sentimentos que nos provocam bem-estar e que nos fazem querer um gostinho a mais daquele mesmo ‘tempo’. Se bem que tudo hoje é (ou virou) questão de ponto de vista, de interpretação. Quanto a fatos, não há argumentos, momentos memoráveis são lembrados porque merecem ser lembrados, mas porque esses momentos não se tornam dias? Momentos parecem dar a impressão de durarem apenas alguns poucos segundos.

Vai dar no que esse processo de eternização-momentânea? Não é a cultura do saia-da-rotina na qual estamos imersos? Quebre o hábito, saia do padrão, fuja da mesmice. E se o hábito for positivo, saudável e acima de tudo, transmitir valores bons, valores que vale a pena regorgitar eles e fazer o eco deles reverberar mundo afora? Não há mais 30 de Julho. O amanhã não existe mais. O tempo parou oficialmente no dia 29 de Julho de 2008. Depois da vigésima quarta hora, haverá a vigésima quinta e assim por diante, tudo indo numa única direção. O ano será um longo dia. Tudo que acontecer, será enxugado em 24 horas que irão acumular eventos de 8760 horas, mas um ano não é a eternidade, um ano é um ano.

A ficha caiu? Melhor deixar essa dúvida no ar, do que responder logo de cara que é impossível eternizar qualquer coisa. Talvez aquelas garrafas PET consigam eternizar-se mais do que qualquer outro objeto reluzente aqui nesse planeta. Mas afinal, eternizar qual momento? Do que estamos falando afinal? Ah sim, do agora, do antes e do sempre. Praticamente a mesma coisa.

De eterno mesmo, só os ponteiros do relógio andarem na velocidade da luz e isso tem sido algo cada vez mais recorrente. Como se em determinado momento eles tirassem folga. Tão precisando mesmo tirar umas férias e de preferência, que não voltem nunca dessas férias. Que fiquem pelos Bahamas com seu Martini caprichado, juntamente com aqueles mini-guarda-chuvas. Enquanto o tempo tirar férias eternas, eu poderei sossegar eternamente. Relaxar infinitamente é o que eu procuro? Acho que isso seria o trampolim para a realização de projetos e outros sonhos, pensando bem, de maneira um pouco mais séria e madura, com a sanidade em dia, vejo que isso é mera desculpa para começar algo que eu já venho “planejando” há muito tempo.

Porque, é justamente isso que fazemos a vida inteira. Uma desculpa para começar algo. A gente nem sabe se vai terminar e, mesmo não sabendo isso, nem nos damos ao trabalho de começar esse algo, essa coisa, essa abstração que a gente chama de vida, quando na verdade, tá mais pra pausa. Esse eterno momento congelado em nossos próprios medos, em nossas ideologias estúpidas que carregamos por anos e que nunca damos a cara à bater. Eternizamos o único projeto que merece atenção, mas não eternizamos os frutos que esse projeto pode ou poderia nos dar (ou nós tirarmos isso dele), colocamos na eternidade a nossa desculpa para não começar algo, por causa de N motivos.

Se é assim, que seja? Sei não hein, sou meio contra deixar as coisas como estão se elas tão fedendo. É que, enquanto não incomodarem o vizinho, aspiraremos esse fedor vindo de nós mesmos achando que tá tudo bem. Claro que tá tudo bem. Ser medíocre hoje é fazer parte da turma do tudo bem. Eu gostaria, realmente gostaria que senso comum fosse algo positivo, até lá, o senso comum do comportamento vai jogar gênios e jumentos no mesmo saco, não porquê é regra uma pessoa inteligente e uma pessoa imbecil estarem no mesmo saco, mas pelas próprias opções de ambos, inclusive uma possível inversão de papéis.

É aquela velha história de “Putz que desperdício”, “Quanto talento jogado fora”, “Nunca vi tanto potencial concentrado saindo pela tangente”. Potencial é só isso: potencial, até que algo seja alcançado com ele. Nada contra quem é potencialmente fadado a se dar bem na vida, mas enquanto ficar no campo das potencialidades, os frutos que poderiam nascer desse “excesso” de inteligência, destreza ou qualquer outra qualidade, ficarão pra eternidade, eternamente potenciais.





O Eterno 7 de Agosto

7 08 2008

É uma data explosiva, não há como negar, encontra-se entre 6 e 8 de Agosto, justamente os dias em que foram lançadas as bombas atômicas americanas em solo japonês. Nasci no meio de ambas. No meio da minha própria disputa de ego, uma disputa em que meu único adversário é a consciência que me impede de ficar superestimando-me, afinal, não há lógica em fazer isso. E então inciará-se uma filosofia sem fim. Aquela do tipo que enrola até virar uma bola, onde nesse ponto, quando não há mais o que enrolar, resta empurrar o que sobrou ladeira abaixo e ver no que dá.

A lógica é que datas são superestimadas, mas valores como motivação, incentivo e dedicação, ficam em segundo plano e quando a gente se lembra de que precisa cultivar eles para adaptá-los ao nosso cotidiano, pode ser um pouco tarde, nunca demais. Afinal, nunca é demais ter um pouco de pensamento positivo. Afinal, não importa o quão ruim esteja o plano, pensar que ele pode piorar, não vai ajudar, então chega desse pensamento sádico-humorístico. O mundo, as coisas, as pessoas, as atitudes, as bobagens, estes ficarão em segundo plano, ficarão esquecidos, serão ignorados. Mais que isso, agirei de maneira indiferente de modo tão sumário que farei jus à tais palavras e desta vez, minhas pretensões e comprometimento estarão direcionadas para cumprir essa auto-promessa.

Sim, vo abandonar essa tal de confiança. Melhor duvidar de tudo e de todos, melhor confiar de maneira cega, fingir um certo amadorismo ou ingenuidade, assim todos ficam felizes. Textos são escritos com o único propósito de não terem sentido algum, essa história de significado de já deu, encheu o saco, não presta mais. Ficarei assobiando e relutando em dizer ‘capiche’, acho que soa verdadeiro em demasia. A verdade não dói, nem corrói, tampouco destrói, a verdade alimenta um sentimento que todo ser humano deseja e contempla diariamente: o sentimento do alto astral, aquele sentimento que traz sensações que nos fazem sentirmos bem com nós mesmos, trazem à tona pensamentos de positivismo, de quebra de paradigmas, de visões novas sobre tudo, enfim, de um avanço.

Não há o que comemorar numa data destas se o patamar continuou no mesmo nível. Hei de me concentrar como nunca neste momento e pensar que, daqui pra frente, tudo será diferente, não porque o acaso vai fazer a sua parte, mas porque as coisas vão ser feitas pensando sempre em todas as variáveis que possam estar envolvidas em qualquer situação. A vida é feita de conseqüências, estas, claro, derivadas de atos, estes, evidentemente, sendo uma ramificação de um raciocínio lógico-emotivo que de agora em diante, será deixado em modo de standby, dando lugar à uma mentalidade mais madura, mais disposta a escutar, mais aberta à novas idéias, mais ágil, mais efetiva, menos indecisa, enfim, tantos caracteres para clarear uma data que em tese, é como uma outra qualquer, mas na prática, encaixa-se num documento.

Que seja. Se for para usar o nascimento como alavanca para mudar de atitude, ótimo, melhor ainda se os resultados forem catapultados à cada nova conquista e falando motivadamente, que tais feitos sejam duplicados. Agirei com diligência, mesmo sabendo que contarei com sorte e com minha própria competência.





Tão Atual

27 07 2008

Eu Etiqueta, por Carlos Drummond de Andrade

Em minha calça está grudado um nome
que não é meu de batismo ou de cartório,
um nome… estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta, a marca de cigarro
que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto
que nunca experimentei
mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
de alguma coisa não provada
por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo, minha xícara,
minha toalha de banho e sabonete,
meu isso, meu aquilo,
desde a cabeça ao bico dos sapatos,
são mensagens,
letras falantes,
gritos visuais,
ordens de uso, abuso, reincidência,
costume, hábito, premência, 
indispensabilidade,
e fazem de mim homem-anúncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É doce estar na moda, ainda que a moda
seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas,
todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
eu que antes era e me sabia
tão diverso de outros, tão mim-mesmo,
ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
de sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio,
ora vulgar ora bizarro,
em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer, principalmente).
E nisto me comprazo, tiro glória
de minha anulação.
Não sou – vê lá – anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
para anunciar, para vender
em bares festas praias pérgulas piscinas,
e bem à vista exibo esta etiqueta
global no corpo que desiste
de ser veste e sandália de uma essência
tão viva, independente,
que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espelhavam,
e cada gesto, cada olhar,
cada vinco da roupa
resumia uma estética?
Hoje sou costurado, sou tecido,
sou gravado de forma universal,
saio da estamparia, não de casa,
da vitrina me tiram, recolocam,
objeto pulsante mas objeto
que se oferece como signo de outros
objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
de ser não eu, mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.





O amor não ensina, dá uma surra.

26 07 2008

As estatísticas não mentem: o amor é o assunto mais explorado pela humanidade, e nota-se algo, quanto mais a gente fuça nele, mais descobre que ele não tem nenhum padrão a ser seguido. Independente da quantidade paradoxal do modus operandi do amor, todos querem que o seu caso seja único, diferente dos demais. Diferente, principalmente no que diz respeito aos erros que outros casais cometem. A grande merda está no fato dos casais conseguirem se reinventar mais que a indústria automobílistica nesse quesito, e quanto mais as relações se reinventam, mais erros fresquinhos são criados/descobertos. Trocando em miúdos, a quantidade de erros que se têm numa relação não cabe nem na Wikipédia. (um número relativamente alto e contando…)

Mas peraê, pra que essa insistência toda nos erros? Ah sim, claro, não há um manual do amor. Ah não? Uma breve busca no Submarino revela que há 1864 livros a respeito do tema. Garanto que as bobagens descobertas numa relação sempre estarão à frente desse número, sem esforço algum. Ao contrário do que muitos casais pensam, berrar não é humano. Então, vem aquela tônica nostálgica e altamente emocional da garota apaixonada (com os olhos brilhando) dizendo que, faz parte. Mergulhar de cabeça nesse tal de amor é um negócio arriscado, mais do que aqueles contratos de 2 anos com operadoras de celular. Você até têm uma certa noção do que o pacote inclui, mas nunca sabe o que está nas entrelinhas, porquê, no ramo das telecomunicações, obrigam as empresas a colocar isso, já naquele outro ramo…a gente descobre no tapa mesmo ou com uma joelhada no saco.

Romper esse contrato? No caso da televisão a cabo, se for antes do término, há aquela multa recisória que dói um pouco no bolso, mas depois passa. Vá tentar romper esse “contrato” (espiritual?) com a querida do coração, e pelo que tudo indica, esse contrato tem sim um prazo de validade; o único problema é que são elas que estipulam-no quando dá na telha. O certo é que, a multa recisória desse outro contrato dói bem mais do que uma simples multa de televisão por assinatura. Se a preocupação for em relação a ter magoado a outra pessoa, isso eu afirmo com convicção: dos males, o menor. Já o maior é parecido com termos que astrônomos geralmente usam para determinar grandezas, para eles, galáxias belas em fotografias espaciais; para os que decidiram fazer a quebra de contrato porque já não agüentam mais pentelhações e seus derivados, sua galáxia se resume ao seu bairro (ou a sua cidade) e seu nome torna-se tipo um buraco negro, mas que só atrai problemas.

Felizmente, as jumentadas que eu fiz, foram, mais ou menos perdoadas.

À essa altura do campeonato, eu devo ter pisado na bola inúmeras vezes, falado um monte de coisas que não devia. O único problema é que eu nunca fiquei sabendo realmente do que se tratava a cagada. Se fosse um mero ponto de interrogação, relacionado a apenas um mísero erro, tudo bem, dane-se. Todavia, quanto mais eu penso nisso, mais o cérebro fica remoendo essa idiotice e chegando em conclusões absurdas, sem sentido. Tô literalmente levando uma surra mental. O(s) motivo(s)? Tenho lá minhas especulações, que, não passam de especulações. Trocando em miúdos: não aprendi nada até agora e provavelmente vo errar muito ainda. Espero que para cada erro, um aprendizado, não uma surra (mental).

Créditos: flickr da re.biscoito





Mercado da Web

16 07 2008

O tema em pauta no momento é, questionar se os blogs, tem credibilidade (ou não) para difundir informações tanto quanto à imprensa tradicional (“profissionalizada”, remunerada, jornalística, etcetera e etcetera). Pois bem, como os blogs não surgiram ontem e a imprensa escrita (e impressa), adora usar termos como: há anos, vem realizando, trabalho jornalístico, imparcial; para justificar a legitimidade e autenticidade de suas reportagens, porque não angariar estes mesmos termos aos blogs? Afinal, o que diferencia um blog conhecido de um portal de notícias é o que chamamos de, conteúdo. Mas, juntamente com esse conteúdo, vem uma série de elementos que nos fazem pensar à respeito; vejamos: este recheio, é de qualidade? quem é o consumidor deste conteúdo? este participante tem a possibilidade de dar palpite? Até onde minha memória vai, caixas de comentários foram implantadas inicialmente em blogs. 

Desde a polêmica guerrinha-virtual entre estadão x blogueiros até a mais recente causa entre, bluebus x blogueiros, nota-se uma coisa em comum: os blogueiros são e serão questionados continuamente. Claro que os blogs vem tomando espaço da mídia tradicional, embora alguns prefiram resguardar-se e dizer que, ambos os meios complementam-se. Tudo bem então, deêm-se os dedinhos e façam as pazes. Portais de notícias fazendo suas cagadas ocasionais, indo desde meros erros de ortografia, passando por pseudo-furos-de-reportagem que no final se desdobram numa tremenda irresponsabilidade por parte da equipe jornalísitca da página em questão, chegando em divulgação de notícias que se dão através do chamado ele-divulgou-eu-divulgo-também e descobrindo que divulgaram nada com nada. Com tantos vulgos no meio, o pseudônimo desses jornais acaba virando, cornus mansus.

Se antes, o que diferenciava um jornal de grande circulação com portal online de um blog, era sua capacidade de penetração na sociedade, agora este cenário está mudando. Porquê, quando se trata de jogar a culpa sobre um jornal por algum motivo qualquer, usa-se o argumento de que, é um veículo de comunicação de massa e portanto, deve ser usado com responsabilidade, para que, as massas não se toquem de que são massas. E os blogs onde entram nisso? Afinal, tem blog por aí que têm mais acessos que muitos portais de notícias. Isto cutucou as redações do país. Cutucou a tal ponto de chamarem uma agência publicitária para mostrar os blogueiros como sendo, lunáticos-mentirosos. O tiro saiu pela culatra.

Haverá um tempo onde, referência de veracidade e informações-em-primeira-mão virão dos blogs, coisa que já está acontecendo, mas ainda dexia uma grande parcela de internautas com um pé atrás antes de depositar toda sua confiança na blogosfera brasileira. Blogs e blogueiros já provaram seu valor, o que está em contínua valorização é a fidelidade de leitores e o boca-a-boca gerado por tais páginas, levando alguns blogueiros à se dedicar exclusivamente para seu blog, com alguns exemplos de gente que paga as contas do fim do mês graças ao seu blog (e ainda sobra). Incentivos não faltam, o Google que o diga. O alerta fica para aqueles que querem inverter a ordem natural das coisas, como por exemplo, querer que tenham leitores antes de ter conteúdo original de qualidade no ar.

Para comunidades bloguísticas tupiniquins, o auge aparenta estar próximo de ser alcançado. Eu ainda acho que há um vasto lugar para crescimento, em todos os sentidos. A começar por blogs que serão alçados futuramente por empresários, tal qual jogadores são no mundo da bola. Questão de tempo? Pouco tempo na minha opinião. Chegará o dia em que blogs serão negociados à la ‘janelas de transferência’ européias? Blogueiros sendo os jogadores, seus leitores sua torcida o blog em si o time em questão. Acredito que o nível dos blogs, no que diz respeito à conteúdo, dá de lavada em qualquer portal de notícias. Por que isso? Oras, segmentação. Não naquele sentido puro do marketing, porquê, mega-portais também são segmentados, mas há um ”muro de concreto” separando jornalistas que redigem para grandes jornais e blogueiros com uma avenida inteira livre à sua frente, expondo suas opiniões sem nenhum editorial por trás enchendo o saco.

A linguagem dos blogs, aquele jeitão que tende mais para verdadeiro do que pra desencanado, conquista leitores não pelo fato de transparecer uma certa intimidade com eles, mas pelo simples motivo de falar o que tem de ser dito, sem enrolação, sem limites. Pois bem, que continue assim.





Cinco minutos de ouro

5 07 2008

Em poucas palavras, o cidadão aí embaixo, um “tal” de Seth Godin, considerado o maior guru do marketing, tem algo para dizer sobre a vida, visões, fundamentalismo e o mais importante de tudo: a curiosidade.





Os Dois Lados da Moeda

29 06 2008

Maravilha. Lei Seca em vigor desde 19 de Junho. Fiquei sabendo dela ontem. A reação dos meus amigos foi algo assim, unânime: todos estão com os cabelos em pé pela rigorosidade dessa lei. Conheço eles bem e sei que bebem pra caramba, mas eles também sabem o limite deles e sabem dirigir tranqüilamente, mesmo depois de duas latas de cerveja. Eles tem a consciência de quando dá pra dirigir e quando precisa pegar um táxi ou voltar com uma carona. Infelizmente eles não são maioria. A maioria até onde eu sei, não tá nem aí em relação a dirigir embriagada. Os números não mentem: por ano, 25000 pessoas são vítimas fatais de acidentes provocados por motoristas embriagados. Considerando-se que o número de fatalidades no trânsito por ano é de uns 50 mil, não dá para ignorar que 50 % disso tenha relação com álcool e direção.

Deixemos as bobagens burocráticas de lado e vamos aos fatos: desrespeitar leis no Brasil virou já senso comum. Se o não cumprimento das leis ficasse nisso, vamos supor que tudo estaria “tudo bem” e bola pra frente, cada um segue com a sua vida. Só o outro que deixa de seguir com a dele. O motivo? Irresponsabilidade por parte de condutores que não estão nem aí com a vida dos outros. Nem vou restringir os acidentes causados à fatia jovial da sociedade (mulecada que sai de balada, bebem feitos uns imbecis e depois voltam pra casa na mais pura sorte). 

Simplesmente odeio recorrer às estatísticas, mas elas existem e tão aí pra mostrar os fatos:

  • 82% dos motoristas brasileiros admitem já ter dirigido depois de ingerir três doses, ou mais, de bebida alcoólica, segundo pesquisa da Secretaria Nacional Antidrogas
  • 88% dos mortos em acidentes de trânsito no Rio de Janeiro apresentam álcool no sangue, mostra estudo da UFRJ 
  • 196 pessoas morreram nas rodovias federais no feriado de Natal de 2007, o maior número dos últimos vinte anos
  • Pesquisa do Ipea mostra que o país perde, a cada ano, 22 bilhões de reais com acidentes nas rodovias.

Filhos da puta irresponsáveis de merda. E ao contrário de inúmeros outros exemplos, neste caso aqui é a minoria responsável que paga o pato, porquê a maioria decidiu que embrigar-se sobriamente e depois dirigir é algo digno de um Prêmio Nobel. É provavelmente o assunto mais notório de nossa sociedade, presente na vida de 10 em cada 10 brasileiros toda sexta-feira. O happy-hour, o barzinho, boteco e a conversa jogada fora. Um hábito nacional. Praticado por muitos, levado a sério da maneira certa por poucos. Aqueles alertas de “Beba com Moderação” não adiantam nada no final das propagandas televisivas, são mera obrigação do anunciante, nada mais que isso.

Me lembro bem das primeiras aulas no CFC (Centro de Formação de Condutores) que mostravam num vídeo, uma reportagem sobre acidentes nas estradas brasileiras. A reportagem é lá pra 1989, puro chute da minha parte, talvez seja 1994, mas que tem mais de uma década, isso eu afirmo com absoluta certeza. Criaram esse vídeo com o intuito de chocar os alunos e botar consciência nas pessoas de que álcool e direção, não combinam. Cadáveres e outras cenas deste naipe não assustam ninguém nessas aulas. O que penso é quantas mortes poderiam ter sido evitadas, caso essa lei tivesse sido implementada há duas décadas atrás. Não tem jeito, o pessoal por aqui só aprende na marra, só quando dói no bolso as coisas andam pra frente e em se tratando da vida humana, custe o que custar, mas que jamais custe uma vida humana.

Dados colhidos aqui.





A Adesão Humana

25 06 2008

O mundo tem um monte de problemas, mas não dá pra afirmar que ele os enfrenta, muito menos convive com eles como se costuma falar por aí, entenda-se por aí como sendo cada centímetro quadrado deste planeta. Não há motivo aparente para tratar dos problemas modernos – será que são tão modernos? – nos quais uma parcela da sociedade está inserida e outra está indiferente. Ao contrário do que se pensa, esses problemas, de lemas eles não têm nada, a não ser que o lema do mundo atual seja deixar o próximo morrendo de fome enquanto ele passa de carro, deixando mais uma “paisagem” qualquer pra trás. São dilemas, isso sim, para aqueles que se importam com esses chamados, problemas.

Problemas nos remetem à equações de segundo grau, ou seja, coisa complicada de se resolver. O que fazemos? Ah, melhor dissolver esses problemas, ou em bom português, acumular pratos na pia; varrer a sujeira pra debaixo do tapete; empurrar com a barriga; deixar pra depois (depois = nunca); desencanar (me lembre, quando é que estava encanado mesmo?). Alguém reparou (não no significado de parar novamente) que pra acumular pratos numa pia você precisa ter essa tal de ‘pia’? Vai varrer uma sujeira pra debaixo de qual tapete se você não tem tapete? Pra que ter tapete se não tem nem piso? Piso? Nem casa existe. Empurrar com a barriga o quê exatamente? Só se essa barriga estiver estocando comida, porquê no caso de muita gente, a existência de comida consta somente no dicionário, um livro que até esse momento, não se sabe que ele de fato existe para ajudar a compreender o mundo. Quem sabe as páginas desse livreto sirvam pra matar a fome.

Deixar pendências para a posteridade significa esquecê-las para a eternidade. Ignorância não é um caso específico de pessoas desprovidas de informação, pelo contrário, atinge a minoria que vive bem e ignora os problemas ao seu redor. Ignorância é chamar de utópicos os que querem ver mudanças e tentam de fato mudar algo. É extremamente fácil usar a palavra ‘utopia’ quando ela parece ser uma realidade impossível de se concretizar num mundo perfeito, feito per capita, feito por medições estatísticas que só aumentam os índices de pobreza, desemprego e miséria.

Aderir à causas sociais virou motivo de chacota e piadinhas imbecis, isso quando a pessoa adere porque acredita que as coisas podem mudar. E quando a pessoa adere à algum tipo de trabalho voluntário? Não dá pra negar, sempre vai ter uma parcela que vai aderir pra jogar no currículo isso, o fim do trabalho é sua adição à uma folha de papel A4. Válido ou não, é um trabalho voluntário, mesmo que pareça um tanto quanto involuntário. E a adesão os modismos criados pelas indústrias do entretenimento, do calçado, da roupa, das bugigangas eletrônicas?

Qual é afinal a motivação? Aderir à moda social pra alguns, significa equivaler-se ao próximo ou, usando termos moderninhos: estar antenado, conectado, parecendo-se mais com algo teleguiado. Desencanemos dessa bobagem dos termos e vamos direto ao ponto: pra que aderir aos modismos? A bendita discussão se dá em torno de dois pontos distintos: aquele que adere à moda vai de acordo com a lógica mercantil de massificação, aquele que não adere, por incrível que pareça, também acaba caindo nesse mesmo sistema, nesta mesma estrutura social. O motivo é simples, a não-moda virou moda também. Sendo que ambas já são vendidas nas prateleiras, com suas devidas estampas, claro.

Simples reverter esse quadro, não? Criar consciência e responsabilidade (ambiental, social e global) na população exige bem mais do que anúncios veiculados pelos quatro cantos da cidade, publicidade televisiva e mídia online. Tornar esses aspectos como sendo primordiais para a sobrevivência humana, só vai começar a ter sinais de relevância quando doer no bolso. Primeiro no bolso. Depois na saúde, aí a coisa fica séria. Mas, antes que eu comece a destilar prazos para o apocálipse acontecer, melhor dar logo a sugestão dita no começo parágrafo. Até para “salvar” o planeta, precisa-se saber como vender o peixe e nessa jogada, entram os marketeiros de plantão.

Não sei qual é a definição correta para o marketing que veicula propagandas de cunho realístico, mas certamente há uma vertente já convencionada pra esse tipo de publicidade. Trocando em miúdos, a coisa precisa ser agressiva, direta, na cara da população. Falar na lata o que tem de ser dito. Explicar direitinho que se as coisas não começarem a mudar, todos irão se estrepar e frisar que no caso do mundinho no qual vivemos acabar, não haverá distinção de classes sociais. Desigualdade social, fome, miséria, meio ambiente fodido, pesca ilegal, poluição, etcetera. Uma hora isso vai ficar irreversível. Não estou equivalendo os temas citados, mas acho que todos eles merecem a devida atenção; esta que vem sendo sumariamente ignorada pelas autoridades e pela população, enfim, por todos.

Simples assim, quando houver necessidade pessoal, intrínseca e individual de cada cidadão, para sua sobrevivência manter-se íntegra, aí sim a moda vai ser aderir a causas sociais e ambientais. Ou será que negligenciaremos nossa própria vida? Por que não? Ah sim, não foi a nossa vida que perdeu seu valor, foi a do outro, então tá tudo bem. Uma pergunta pra finalizar a discussão: petróleo é comestível? É bom que seja, vai resolver um bocado de problemas e de quebra, a galera lá do Oriente Médio tem sobrando…





Redundância e Arrogância

20 06 2008

Título Alternativo: A Arte de Enrolar e Fazer uma Gororoba Compreensível

Superação. Força. Determinação. Vontade. Extermínio. Raiva. Virtuosismos. Aleatoriedades. E qualquer coisa que não tenha nexo será postada neste artigo. Na verdade será um post dedicado à defesa da redundância. Pra que adiantar logo no primeiro parágrafo qual será o tema? Boa pergunta. Mas entonces, vim aqui falar do manifesto a favor da redundância, do pleonasmo e da repetição desenfreada de pensamentos, frases, palavras, sentenças, termos e idéias. O motivo? Escassez de inspiração e vontade de postar.

Não há qualquer registro na história do homo sapiens sobre uma suposta intervenção a favor da redundância. Razões para nenhuma pessoa ter levantado uma bandeira favorável à repetição? Demonstrava falta de conhecimento, repertório, vocabulário e acima de tudo isso, bom senso. Hoje em dia não demonstra nada, isso porque é usada para reforçar alguma idéia, deixar claro algum argumento. Muitas vezes a pessoa que usa tal ferramenta lingüística é vista como chata, antagônica, ou melhor, a antítese da criatividade e da expressão verbal. Sinais de uma era? Sem dúvida. Isso é um sinal apenas, um sinal que reflete o comportamento de uma sociedade que deseja ter tudo na ponta da língua, no imediatismo do cérebro que, ironicamente, essa mesma sociedade não consegue acompanhar e depois reclama.

Assimilar o máximo de conteúdo no menor tempo possível e em seguida, continuar esse processo de aspiração-mental e repetir esse processo até dar pane na cabeça. Pane essa conhecida por, estresse. Estresse esse provocado por causa de toda essa atitude de querer saber tudo da maneira mais frenética possível, independente do esforço que tenha de ser feito para alcançar uma suposta “superioridade” intelectual. E essa alteza do intelecto tem o intuito de quê exatamente? Einstein diria que é um passo à frente do restante da população, eu acho que pode-se adicionar a isso toda uma ideologia que funciona 24 horas por dia. Uma ideologia que em tese, deveria ser fixa, ao menos em seus pilares que sustentam os princípios argumentativos, mas que revela-se por ser uma ideologia em mudança constante. Uma ideologia que mistura elementos do senso comum e da personalidade própria da pessoa. A meta? Expelir originalidade. “Não somos iguais aos outros, somos iguais à nós mesmos, à nossa própria consciência!”

A obrigatoriedade da interação social provoca esse tipo de pensamento? Eu diria que tem sim sua parcela de culpa, mas restringe-se a uma fatia pequena, o restante tem envolvimento com paradigmas, dogmas, convenções e arrisco dizer, fetiches ideológicos próprios de cada pessoa, o lado mais podre em algumas pessoas e ao mesmo tempo o lado mais genial. Neste artigo que eu estou redigindo, aqui e agora, percebo nitidamente o esforço em não ser repetitivo nas palavras. Posso atribuir isso à educação dada no colégio, a leitura do jornal, às conversas informais (?), à uma série de elementos do dia-a-dia que, querendo ou não, influem sim no modo de pensar. O único problema, a meu ver, é que essa influência é um tiro a queima roupa no inconsciente humano, uma parte de nossa mente que a gente não controla e nem sabe o que está armazenado lá, só sabe que está. Sim, o subconsciente também aloja abobrinhas e genialidades cotidianas.

A repetição remete à igualdade e em tempos onde o mandamento é ser diferente, ser redundante é causar estranheza. “Cara, para de repetir essa frase, você tá tirando minha concentração!” Até onde eu me lembro, a gente assimila as coisas afirmando e reafirmando elas, reforçando uma idéia para que o conceito dela se solidifique em nosso intelecto e passe para nós segurança ao tratar dele em público. O problema é que repetição que vem de fora, distrai, no sentido de nosso cérebro praticamente exigir que levantemos o freio-de-mão-mental e façamos uma pausa imediata na relação idéia/compreensão/assimilamento.

Alguma explicação para a mania que eu tenho de criar rimas nos títulos dos posts? Ainda hei de descobrir. Mas nesse caso, chego na conclusão que é a arrogância que tá atuando em jogo. Nada de ficar colocando a culpa no córtex cerebral e nos neurônios presentes nele. Quem comanda eles é a personalidade em questão. Então se alguma coisa tá podre, tá incorreta, essa tem que ser a personalidade da pessoa, responsável por explicitar publicamente quem a pessoa é em momentos simples da vida, em momentos de pressão e em momentos que, a própria pessoa não espera reagir da maneira que reage, meio que, descobrindo sua própria essência, ou como comumente costuma-se denominar, o seu eu interior.

Estamos combinados? Não. Quero mais redundância e menos arrogância. Vinda da minha parte mesmo.