A Origem de (Quase) Tudo

8 07 2008

Dentro de um mês, um equipamento ignorantemente gigantesco será acionado num local a 100 metros abaixo da terra, na fronteira entre a França e a Suíça. O “monstrinho” carrega o nome de Large Hardon Collider ou simplesmente, LHC. Trata-se do maior acelerador de partículas já construído. Seis bilhões de doláres e uma década e meia depois, a mamata tá pronta. Você se pergunta, mas o que isso tem a ver com ‘a origem de tudo’? Bem, a idéia é recriar os primeiros zilionésimos de segundo que deram origem à tudo que conhecemos hoje. Literalmente falando, eles vão recriar o Big Bang e assim, vão poder analisar minuciosamente cada átomo, partícula, sub-partícula, etc que darão as caras no experimento (ou não). 

Saca só do que eu tô falando:

LHC ou Atlas
Fotozinha medíocre da porra, preciso achar algo mais colossal

Esses cientistas pentelhos querem encontrar um troço carinhosamente apelidado de Higgs boson, que pelo o que eu entendi é o seguinte: toda a matéria que a gente conhece hoje, ela não tá aí à toa, flutuando pelo espaço livremente como a gente costuma pensar, esse nome aí, claro, foi uma homanagem ao cientista Paul Higgs que foi o primeiro a teorizar sobre o que conecta/liga/conversa entre a matéria e o que forma essa matéria. Segundo a teoria de P. Higgs, a matéria só é matéria, só consegue ser algo concreto e sólido porque ela mantém contato com um campo que existe no espaço e faz a mágica acontecer. Ou seja, tudo que a gente enxerga, só está no estado que está porquê mantém um “contato” com esse campo invisível a olho nu. E é exatamente esse campo que a mulecada quer detectar no experimento.

O “único” problema com o acionamento do LHC é que algumas organizações, diga-se de passagem, Governos e Instituições de Ensino, temem que ele irá gerar buracos negros. No documentário que eu assisti, um dos bambambam’s do projeto, afirma categoricamente que a chance disso acontecer é quase nula. Ele diz que se algum buraco negro for produzido, ele irá se dissipar conforme o evento for acontecendo. E se não se disspar? Bem, aí estamos todos fodidos. Esse quase pode significar a extinção da humanidade, do mundo, de tudo. Paradoxal nós mesmos produzirmos uma coisa que pode levar ao nosso próprio fim. Se bem que o LHC está em boas mãos, ao contrário de outros exemplos que podem exterminar o mundo mais de uma vez, como bombas atômicas e bombas de hidrogênio.

Quando um país inteiro entra com uma ação legal para impedir que o experimento vá pra frente, aí tem pano pra manga, muito pano. É bem simples na verdade, se um buraco negro surgir, basicamente vai engolir o planeta inteiro, pronto, falei. Alguém aí já aprontou as malas para a lua, marte?

Como o próprio nome sugere, haverá colisões ocorrendo durante o experimento. Eles vão acelerar partículas que irão se colidir, cara-a-cara e assim gerar sub-partículas atômicas, sub-isso e sub-aquilo e assim por diante. O formato do LHC é de um círculo, com 27 quilômetros de extensão. Então tudo que for acelerado por lá, claro, tem de ficar lá, por isso a construção a 100 metros abaixo do solo e dessa forma circular. Outros equipamentos deste tipo já foram construídos antes, mas nenhum com tamanha engenhosidade e tecnologoia quanto este.

Por que o experimento é importante? Para leigos como eu no assunto, é uma fascinação por si só. Mas pra galera que estará lá, in loco, analisando os dados colhidos, vai ser uma ereção múltipla generalizada. Exageros à parte, vai ser sensacional ver os resultados que serão produzidos com essa engenhoca. Trocando em miúdos, eles vão poder repetir o experimento quantas vezes quiserem e acharem necessário, algo como ter gravado num VHS o que pode ter sido o Big Bang, e assistir ele repetidas vezes. Vai ser um recomeço, literalmente, o início do início.

PS.: Aquele Higgs boson que eu mencionei, tem outro nome também, The God Particle.





Cajón de Maipo

9 06 2008

Santiago do Chile, 09h00 – Estação Baquedano x Teatro Municipal

Acordei naquele dia disposto à enfrentar uma excursão por uma geleira. Era essa a informação que tinhamos sobre o local, nada mais que isso. O All Star mais surrado da galáxia, bermuda tosca, um casaco bem companheiro, um chapéu da toyota (…), uma mochila pesada e axilas com 1 kilo de desodorante. Ah sim, antes que eu me esqueca, algum bastardo comeu o sanduíche que eu preparei no dia anterior, só pra melhorar as coisas. Encontramos o guia da excursão com o resto do povo, esperando os retardatários. Seu Jorge (pronuncie como horhe) que mais parecia o Joel Santana com uns kilos a mais na pança, deu uma explicação de como funcionaria toda a coisa: cada um se vira e pau no cu de todos.

Dale, dale, arriba arriba, pendejo de mierda.

Entrei num mini-bus e sentei sei lá aonde, tanto faz onde eu ia sentar. Não tinha tomado café da manhã mesmo, receita perfeita pra embrulhar o estômago. A única certeza era de três horas de viagem até o ponto de partida com uma parada no meio do caminho pra um café-matinal-ao-céu-lunar. Bumba andando a milhão, motorista de primeira viagem (positivo) e uma turma pra lá de descontraída. Troquei idéia com uma renca de gente. Primeiro com um curitibano tiozão de uns 45 anos, não lembro nada do que ele falou. Depois com uma Italiana de uns 20 e poucos anos, morenassa, chamava Valentina se eu não me engano, me fudi no espanhol com ela, o charme ficou pra depois. Por fim troquei idéia com dois mato-grossenses que me mostraram umas fotos de uma semi-escalada deles no Aconcágua, montanha mais alta da América do Sul, localizada na Argentina.

Chegamos àquele ponto de parada pra tomar o café da manhã e o estô(u)mago(ado) decidiu dar um alerta: alimente-se seu puto, senão acabo com sua viagem. Atendendo à pedidos, me empanturrei de sanduba, bolo de fubá, uns sucos e por fim, o olho começou a arder de forma absurda. Acho que passei protetor solar no olho, bem gostoso assim. Solução, anyone? Sim, por supuesto. Peguei uma garrafa de água vazia e vi que tinha sobrado alguma coisa no fundo da garrafa, não pensei duas vezes, mirei ela no olho e vi a última gota de água escorrer pela garrafa diretamente no meu olho, não é que funcionou? Sensação de genialidade no ar, humildade chutada lá pra Vinã del Mar.

Busão segue em direção à Cajón de Maipo e começamos a avistar neve na montanha. Ah, quase esqueci de falar, a estrada…peraí, que estrada? Não tinha estrada nenhuma. Pedras sobre pedras e o busão balançava mais que placas tectônicas asiáticas, meu estômago também. Do nada o busão parou, o motorista avisa que não vai dar pra passar desse trecho pra frente por causa de uma rocha do tamanho de uma casa que tava bloqueando o acesso. “Vamos camiñar muchachos, si?”

Fodeu bonito a partir dali. A escalada começou num ritmo tranqüilo que em 15 minutos se tornou frenético. Sol absurdo e eu me rachando de frio, de calor, de frio, de calor. Tira casaco, põe casaco, tira, põe, tira, põe. Suor, estresse, expectativa, barriga. Um silêncio absoluto predominava na escalada. Só as conversas casuais com a galera matavam aquele silêncio.

Chegamos à “geleira”, que na verdade parecia um lamaçal, de gelo só vi um lago marrom, parecido com o Nescau que eu tomo de manhã. Dei uma bela mijada no lago e decidi conhecer a “região” junto com outras três pessoas, eis que a gente quase toma no cu da maneira mais linda possível. Decidi encarar uma descida cheia de pedras pontiagudas dos mais diferentes tamanhos e, após destruir a sola do pé, do tênis e da minha paciência, vejo que o guia está a 700 metros de distância gritando alguma coisa. Alguma coisa do tipo: “Seus filhos da puta irresponsáveis de merda, o grupo está voltando, tchau e se virem na volta”. Correria frenética encarando uma subida super íngrime de uns 50 metros de altura somada ao terreno mais desplanificado da Via Láctea.

Seu Jorge esperou por nós, cuzão. Iniciamos a descida de umas 2 horas e meia. Uma galera andava tão lentamente, mas tão lentamente que a gente alcançou e ultrapassou em questão de minutos até um ponto interessante nessa volta em direção ao busão; em determinado trecho, não sei explicar como, mas estava completamente sozinho, sabia que tinha gente atrás e gente à frente, mas não dava para vê-los. Eu, o fim-de-tarde e as montanhas. Sensação incrível. Deu a louca em mim e comecei a cantarolar montanha abaixo, vejam bem, cantarolar na mesma intensidade que eu canto quando tomo banho, cantei como se estivesse dando um show pra 70 mil pessoas, do fundo da alma das minhas cordas vocais e tenho que admitir: purifiquei minha saúde, minha liberdade, minha nostalgia-chilena naquele instante. Foi do caralho. Até que um cara me alcançou e viu que eu parei de cantar, falei que só ia cantar se tivesse sozinho denovo com a montanhas, resumindo, voltei a cantar em alto e bom som.

Chegamos ao busão, já anoiteceu e o caminho de volta para Santiago era longo, BEM LONGO. Estômago vazio e ônibus balançando mais que um poste de iluminação na passagem de um ciclone. Comecei a passar mal, fiquei mal mesmo. Não demorou muito (1 hora e meia tá bom?) para que eu pedisse para o motorista parar a coisa para eu vomitar as tripas pra fora. A sensação era de dor de barriga com dor de cabeça (uma das mais infernais que já tive) com uma vontade de querer gritar mais do que a torcida do Boca Júniors em final de campeonato.

O ônibus pára, chegamos à estação de metrô, agora a gente precisava pegar um táxi de volta pra residência. Eu literalmente morrendo na frente de todo mundo, alguém conseguiu acenar para um táxi parar e entramos. Ou melhor, eles entraram porque eu entrei só com a cabeça pensando em uma coisa: irei vomitar minha alma da próxima vez. Mas quem disse que a coisa ia melhorar com as ruas asfaltadas de Santiago? Pegamos o taxista mais maluco da cidade, um digno rastáfari com um Bob Marley tocando no talo: “Could you be loooooved, and be looooooved” e o taxista errando o caminho, fazendo pirueta com o carro e eu ali, querendo dar cambalhotas triplas no banco do passageiro. E a música prossegue: “Don’t let them fool you!”.

Nunca corri tão rápido em direção a um banheiro deixando de cumprimentar cerca de 30 pessoas pelo caminho. Bem, só sei que o vesúvio perto de mim é brincadeira de criança. E a sensação de alívio naquela hora junto depois com a minha cama, naquele quarto mais que especial, foi, novamente, a purificação-chilena que me fez sorrir e dormir igual um anjo.





Ética, Pirataria e Ganância

7 06 2008

Já se foi o tempo em que artistas ganhavam dinheiro pela venda de seus álbuns. Tudo começou há uma década atrás quando o termo pirataria ainda nem era conhecido. Trocas de arquivos entre usuários comuns eram realizadas minimamente, o motivo? A conexão era lenta e os softwares disponíveis não davam a margem gigante que dão hoje para realizar uma troca imensa de músicas, filmes, livros e aplicativos.

Para a Indústria Fonográfica, aquilo não representava uma ameaça, era um nicho restrito ainda, isto é, não era uma distribuição massificada de material audiovisual. Demorou um século inteiro para que o feitiço virasse contra o feiticeiro. Em 2000 aparece na internet o Napster, programa simples de compartilhamento de arquivos, aliado à ele, conexões de internet já bombando em países como EUA e Japão com velocidades nas casas dos megas. Tiro e queda pra realizar a transferência de músicas e futuramente, álbuns inteiros.

Deve ser impagável a conversa entre os executivos de alto escalão de gravadoras e associações que defendem elas:

- Sergião, escuta cara. A cada segundo que passa a gente tá perdendo um caminhão de dinheiro. Não só nós como os artistas contratados sob nossa tutela. Tá escutando o barulho do dinheiro evaporando?

Sérgio, inconformado, segura a respiração, pega um guardanapo e cospe a azeitona que estava mastigando para fora.

- Desculpa, não ouvi direito, não entendi direito e muito menos compreendi do que diabos você está falando.
- Pô cara, lembra daquele software que um muleque criou há duas semanas atrás?
- O que tem?
- Tá disseminado pela internet, virou uma epidemia e neste exato momento, cinqüenta mil transferências de arquivos estão sendo realizadas por minuto. Músicas avulsas, álbuns inteiros, resumindo…
Roberto olha Sérgio abandonando o corredor, indo em direção ao banheiro.

Eu resumo então o que tem acontecido nestes últimos 8 anos. A massa-internética (Classes A, B, C, D, E [ou seja, todas]) consome tudo que a Indústria Cultural queria ela consumisse, com a diferença de que consome sem pagar nada. Tá putinha agora né? Não tá gostando nada de ver aqueles rios de dinheiro secarem. Vale o mesmo para os putos que compõem uma canção chula e acham que merecem ganhar dinheiro o suficiente para sustentar a 15ª geração de suas famílias.

A putaria não termina por aí. O mallandro que hoje baixa um programa para produzir sua música, editar seu vídeo, manipular suas imagens; tá todo sorridente enquanto desfruta dos recursos e das potencialidades que esses aplicativos oferecem. Publicando músicas nos MySpace da vida, vídeos no YouTube e imagens tratadas no Flickr; quer ganhar reconhecimento, fama e se possível lucrar em cima disso. De vilão a herói em alguns cliques no mouse? De um artista-verdadeiro para um verdadeiro-hipócrita, reclamando agora sobre seus “direitos autorais” sobre a sua obra.

E o trampo que os programadores tiveram para desenvolver o software? “Ah, eles já ganham o suficiente com o preço que as comphanias colocam nas prateleiras”. Ganhar em cima dos outros é fácil, quero ver ganhar em cima de si mesmo, em cima de sua própria ética, de seus princípios. Ou será que é muita ingenuidade eu achar que dona-consciência vai bater na porta um dia?

Por que um software custa 10 mil reais enquanto outro, de mesmas funções e recursos, vem na faixa? Pura mentalidade dos criadores. Não que uma equipe de programadores tenha que sair de mãos abanando após meses ou até anos desenvolvendo um programa, mas quando a unidade é vendida na casa dos 5 digitos, aí temos um problema. Ah, mas quem sou eu pra botar etiqueta de preço? Certamente não preciso ser um executivo de uma grande desenvolvedora de softwares pra saber que, se um programa custar 10 mil reais, ele irá ser pirateado e distribuido livremente pela rede, enquanto o seu concorrente que tem o código fonte aberto para qualquer mortal, é constantemente aprimorado e infinitamente mais atualizado em relação a bugs e outros erros que surgem no uso diário dele.

Bem, então a internet é a grande culpada disso. Os usuários dela são meros anjos (e demônios).





Cheiro de Banheiro

16 05 2008

Um dia é feito de momentos. Momentos de calmaria, de pressa, de braveza, de astúcia. Momentos. Para alguns, o momento mais sagrado é da siesta vespertina. Para outros é o da corrida de 8 km diários. Para outros, sagrado mesmo é o momento da caganeira. Cagar requer concentração, silêncio, paz espiritual. É um momento especial, sem dúvida. Vocês acham que eu tô falando merda? Então, permitam-me fazer uma pergunta: qual é o único aroma que faz o próximo desmaiar e passa quase que despercebido por nós (fora alguns casos especiais)? Pois é, o perfume que nós mesmos fabricamos, cheirinho agradável.

É o assunto putrefato que poucos se arriscam a jogar numa roda de conversa. Seja ele em sua forma gasosa ou rock solid. Bem, esta semana durante um seminário em sala de aula com alguns convidados, a coisa tava indo bem, o assunto tava deixando todo mundo ligadasso e então: prauum. Ah é, só os meus ouvidos são tão aguçados a ponto de ouvir essa decolagem do ônibus espacial? Façam me um favor. Começei a rachar o bico com aquilo, me segurei pra não chamar a atenção e, felizmente, consegui. Fui comentar com um pessoal sobre as palestras e claro, como não podia deixar de ser, mencionei que ouvi um efeito especial. Das tantas possibilidades que existem, algumas se destacam: eu sou louco e ouço coisas vindas do além, eu mesmo peidei e não percebi ou todo mundo se recusa a falar sobre isso em público. Acho que a última tá em evidência bem mais que as duas primeiras, entendem o que eu quero dizer? Ela fede mais.

A prova cabal disso está no próprio campus da faculdade. Há banheiros espalhados por todo o campus, mas só alguns seletos são assim, demarcados por calma, serenidade e tantra. Um amigo meu me mostrou alguns e desde então, nunca foi tão bacana cagar fora de casa.

Agora há um banheiro curioso dentre todos esses recantos de glória. Ele é vísivel e invísivel ao mesmo tempo. É um banheiro privativo, com tranca, banhado a ouro, com pia própria, ar condicionado e um espaço relativamente grande se comparado a qualquer box de banheiros tradicionais. Pois bem, ocorre uma cena engraçada todos os dias nas redondezas deste banheiro.

Os que decidem deixar seu regalo naquele banheiro, aparentemente, fazem toda uma estratégia de guerra pra ir de encontro àquela privada magnífica. A cena dá a impressão de alguém estar vigiando a porta de um banco enquanto um assalto é realizado no interior da agência. O cidadão ou cidadã anda em círculos durante uns 30 segundos, olha em volta, verifica se não há ninguém por perto, olha pro teto, olha para o chão, faz cara de quem tá procurando o nada e encontra, o tudo. Tudo isso pra passar pela porta da esperança, que dá de frente pra um imenso vão onde, circulam às vezes, um montão de gente.

Passados 19 minutos e 42 segundos…

Um assobio, alguém procurando o messias em pleno século 21 e a merda flutuando na privada. Não dá pra entender essa galera, eles dão a entender que a bosta deles é invísivel e mais que isso, cheira à Dolce & Gabbana. Foi essa cena que deu de frente comigo, com a diferença de que EU VI O SUJEITO que saiu do recinto, ele também me viu, me olhou com uma cara dividida em dois: “se você tem amor pela vida, dê meia volta e cague em outro lugar”, “olha, eu só mijei lá tá?”. Cheguei no trono e vi que a tampa estava abaixada, depois descobri o significado da caixa de pandora. Digamos que eu vi um lamaçal com uns tubos de pvc durante um segundo e meio até eu ter a moral, a audácia, a ousadia de virar a cara para o lado, pegar um rolo de papel higiênico e TENTAR, eu disse, tentar dar descarga naquele cenário atômico. Bem, só digo o seguinte: a parada entupiu, subiu pela privada e como cachoeira, me perseguiu banheiro afora. E eu? Saí correndo como se tivesse visto o verdadeiro bicho papão vindo me pegar.

PS.: ilustrar este post com imagens seria uma verdadeira sacanagem, usem a imaginação =D





Virada Cultural em São Paulo

28 04 2008

Não sei nem por onde começar já que minha cabeça tá virada neste exato instante. Virada mesmo. To tonto pra caramba. Perdi a noção de tudo. Desde às 18h00 de ontém (26) eu tava fora de casa rodando a cidade.

Combinei de me encontrar com um amigo na estação República, pra mim foi fácil chegar porque eu moro a duas estações de lá, mas meu amigo demorou um tempinho. Enquanto eu esperava ele, as massas vinham e não paravam. Era uma quantidade de gente inacreditável, todos indo para o centro conferir de  perto o que tava rolando. Encontro meu amigo e a gente segue rumo. Entramos num consenso e decidimos ir ao Pateo do Colégio ver o palco dos Festivai Independentes, mas nem eu, nem ele sabiamos como chegar lá. Cheguei num segurança do evento e perguntei como faço pra chegar lá, mas quem respondeu essa pergunta fora um senhor marrento: “É DO OUTRO LADO DA CIDADE!”, berrava o cara enquanto eu dava as costas pra não ouvir mais bobagens vindas dele.

vanguart 

São Paulo é gigantesca, mas não precisa me fazer de idiota. Eu sabia onde estava e tinha noção da distância para o Pateo do Colégio, só não sabia qual direção seguir a pé. Felizmente quando fui perguntar para outro segurança, ganhei de bandeja um guia do evento com todas as informações. Chegamos ao Pateo do Colégio, completamente lotado. Assistimos a duas bandas: Luísa Mandou um Beijo (RJ) e Vanguart (MT). A banda carioca deixou a desejar, mas deixou uma boa impressão. Já a banda de Cuiabá, fascinou, entreteu e prometeu mil e uma maravilhas; nem precisava, o som deles dá conta disso. Muito boa a banda e já na platéia deu pra perceber uma base de fãs cantando todas as músicas.

Fim do show da banda de Mato Grosso, tive a jumentice de concordar em literalmente, rodar a cidade. Pegamos um metrô e fomos até a Avenida Paulista, de lá dirigimo-nos à Casa das Rosas pra pegar a apresentação do Tom Zé. Eu não fazia idéia de que tipo de som o cara fazia. Nenhuma noção. E continuei sem ter essa noção. Tinha umas 4 mil pessoas vendo ele fazer um discurso anti-imperialista, anti-isso, anti-aquilo. E não ficou restrito a ver ele fazer esse discurso, mas deixar se levar pelo que ele fala e repetir as bobagens dele. Eu e meu amigo estavámos praticamente colados no palco, colados eu disse, não esprimidos, esse quesito tava tranqüilo. Atrás de nós havia um cidadão que ficava incentivando o artista:
“Vai Tom Zééé, arrebenta cara!”, ouvi pelo menos 15 variações dessa frase, claro, vindas da mesma pessoa.

De bom mesmo, só os músicos que acompanham o cara. Destaque para o baterista que destruiu a pobre coitada. Show ao ar livre, preciso falar sobre fumantes? Não, eles não merecem um post inteiro, mas merecem ser banidos. Gente egoísta, poser, imbecil que não percebe o quanto o cigarro incomoda. Mas eles que se fodam, já estão se fudendo só por fumarem, ao menos que se fodam sozinhos, sem prejudicar os outros.

Opa

Fim do show, lá vou eu denovo ao centro de encontro a outro grupo de amigos. Metrô às 1 da manhã é um caso curioso. Tô dando uma olhada no meu guia do evento quando um sujeito me aborda e tenta pegar o cartaz das minhas mãos. Desviei o guia e fiquei só na bronca visual com o filho da puta. Passado o susto, outro sujeito vem e me pergunta: “E aê manô, se sabe kóé à vrada paulishta?”. Demorei uns 3 minutos pra entender o que diabos o cara queria, até o próprio grupo de amigos dar um pedala nele e calar a boca dele.

A essa altura já tava pensando em desistir de achar os outros companheiros, nóias de ser assaltado rondavam minha cabeça, até que, recebo um sms do meu camarada que me avisa aonde eles estão. Vou ao seu encontro. Saio do vagão e chego na estação São Bento, completamente tomada pela multidão que se esbaldava à um som bizarro de não sei qual banda, estilo, genêro, nada, não consegui prestar atenção em nada. No mais puro chute intuitivo, consigo achar o Café onde fora combinado o encontro e localizo meus queridos meliantes. Já devia ser duas da matina e o centro de sampa, bombando. Bombando de sujeira, de gente usando crack no meio da rua, gente mijando nas portas de lojas, água da mais pura contaminação de doenças passando do meu lado, um escuro que tomou conta de todas as ruas do centro. Me senti na Idade das Trevas.

A loucura de rolar a cidade já tinha terminado? Jamais, nunca, nevá. Fomos ver mais uma pista de dança eletrônica, acomodamo-nos perto do Viaduto Santa Efigênia e fomos entrevistados por um pessoal da TV Cultura. Logicamente, todos desceram o pau no evento. E a equipe da rede de televisão ficou mais do que satisfeita com as respostas. Próxima parada: Cine Sesc na Rua Augusta. Mais caminhada, mais metrô, novamente Av. Paulista, se bem que era o único lugar de fato, sossegado, do evento inteiro. Mas antes, passamos por uma Pizzeria. Ressalto, a pizzeria menos organizada da via láctea. Cinco filas paralelas umas às outras. Vai entender o que cada fila representa. Paulistano ama fila e tem os que amam furar fila, a esses eu desejo que furem-lhes seus respectivos esfíncteres.

pessoas

Fim da pizza, início da sessão de Control, filme do Anton Corbijn às QUATRO da manhã. Quem paga pra ver filme a essa hora? Eu, paguei pra… dormir. Jumento total. Achei em sã consciência que ia conseguir me manter acordado durante a sessão. Não posso dizer que vi Control, vi TRECHOS do filme, praticamente paguei pra ver um trailer. Mas posso dizer, os caras que escolhem as poltronas do cinema sabem escolher, que troço confortável, como eu amo dormir durante filmes. Pode ser o filme do ano, mas não adianta, nada me prende (será? é espero que aquilo me prenda, senão é o fim do mundo). Os meus amigos e amiga tavam se rachando de rir, até que eu levantei uma sombrancelha e percebi a pendenga. Claro, sorri junto. Falei que tinha dormido muuuuuito bem. E tinha mesmo. Saindo do cinema, os organizadores desta sessão hiper-mega-ultra-super especial deram um café da manhã pra quem viu o filme. Suco industrializado e um pacote de saco plástico lacrado com uns mini-croissaints. Suficiente pra matar a larica.

Carona dos amigos e às SETE E MEIA da manhã estava em casa. Eu devia tirar o chapéu pra eles já que eu poderia capotar no minuto em que botei o pé no quarto, eles ainda teriam cerca de uma hora até chegar em casa. Dormi até às 18h00 e perdi o resto do segundo dia da virada. Segundo relatos, o segundo dia fora bem mais tranqüilo que o primeiro e tinha menos gente, menos bagunça e shows melhores. Claro, óbvio, lógico que eu perdi isso, mas fuck it, fica pro ano que vem. A real é que Sexta, Sábado e Domingo pareceram um enorme dia enxutado em um dia só. Torço para que em 2009 a virada não vire furada. Fui.





Humano 2.0

14 04 2008

Diretamente da Mãe Natureza, chega à terra a mais nova versão dos humanos, a 2.0 . Nesta nova versão alguns bugs foram corrigidos e mais itens opcionais estarão agora vindo de fábrica. Vamos às novidades: os bugs que forram corrigidos na versão f2.0 são a exclusão do modo cu doce, que vinha desmotivando seus opostos à enviar sinais de interesse, detector de mentiras desativado e o talk-mode agora foi reduzido a 17 mil palavras diárias, algo em torno de 8 mil palavras cortadas, assim nas danceterias dos humanos, estas falarão menos e agirão mais, os humanos da versão m2.0 agradecem. 

De fábrica agora virá para ambas as versões: atitude, compreensão, tolerância, transparência e principalmente decisibilidade, em bom português, não haverá mais enrolação.

Na versão m2.0 também houve correção de alguns bugs: a consciência irá ter peso, como assim? Não é nada abstrato, aqui se faz, aqui se paga. Mas por que só a versão m2.0 terá um peso (verdadeiro) na consciência? Simplesmente porque é a versão que por um lado agüenta esse peso, mas vai ter que mudar de atitude para tirar ele desta. Nada agradável sentir sua conscência ter o mesmo peso gravitacional do planeta júpiter. Outra correção tem a ver com o equilíbrio emocional, foram adicionados alguns elementos químicos, que espera-se, surtam efeito dentro de 2 semanas após alguns beta-testers serem avaliados para a elaboração de relatórios sobre suas neuras e claro, suas curas. 

Em geral, é bobagem separar o Humano 2.0 por M e F, mas como a Mãe Natureza decidiu isso então ela mesma acaba fazendo algumas diferenciações. As correções de bugs e adição de outros itens não vai estar por completa aqui porque é um beta perpétuo, está constantemente sendo atualizado. Os detentores das armações cerebrais dos humanos, me disseram para abrir espaço aqui neste post, para que sugestões fossem colocadas na caixa de comentários. Até alguém sugerir algo, aqui vão alguns pensamentos do autor:

  • De fábrica podiam colocar um dispositivo que detecta um príncipio de pensamento negativo que imediatamente injeta uma dose de pensamento positivo, garantindo assim só um lado de pensamento voltado ao córtex cerebral de qualquer humano em questão.
  • Quanto a independência mental dos humanos, creio que é um pouco arriscado deixar eles pensarem por contra própria, vamos manter este assunto em pauta, decidiremos isso numa reunião dentro de 2 meses para ver como a versão 2.0 está se comportando
  • Fascinante essa idéia de um peso real estar conectado a consciência. Por enquanto a sub-consciência é mal explorada, então deixaremos ela de lado, afinal, através dela que controlamos o que os humanos pensam, eles a têm, nós a controlamos.
  • Por administrarmos a raça humana, creio que seu João deveria acordar e colocar algumas idéias na mesa. Faz 1 milhão de anos que ele está dormindo e deixando os humanos fazer o que eles bem entendem, já está na hora de colocar ordem na casa.
  • Precisamos acabar com essa idiotice deles acharem que existe uma força superior, uma energia invísivel. Alguém tem alguma sugestão? Duzentos anos de ciência e avanços absurdos em todos os campos nos últimos 15-20 anos e temos que ver essa gentalha acreditando e rezando para as paredes.
  • Contratar estagiários, pode até ser uma boa, desde que eles se comprometam a fechar o bico assim que retornarem a figurar entre gente da mesma raça deles.
  • Qualquer humano que lerá isso, vai ficar de queixo caído, achar que foi ou talvez esteja sendo enganado, mas aí que entra o amor pra fazer a fachada de que está tudo bem e que a felicidade está ali, ao seu lado.

A forma de avaliar o conhecimento humano tem de ser mudada. Testar a memorização deles e aplicar isso numa folha de papel é algo no mínimo, ineficaz, improdutivo e extremamente propenso a ser ludibriado pelos mais diversos métodos, entenda-se colagens. A avaliação tem que ser algo opcional, sim, opcional, aqueles que a fazem e provam sua capacidade, ganham bônus, os que preferem não fazer, não acontece nada com eles, passam semestralmente de maneira normal, sofrem uma única avaliação de 6 em 6 meses e esta é feita de maneira oral. 

A avaliação compulsória, além de fazer os aprendizes a gastar seu tempo estudando especificamente para esta única finalidade, limita suas mentes de maneira que o tempo gasto com estudos-recicláveis, poderia ser usado para explorar suas potencialidades e sua criatividade. A humanidade entrou num ciclo vicioso de um precisar provar para o outro que tem determinado conhecimento e, ironicamente, o outro julga-se superior à avaliá-lo, aplicando-lhe um simples número que segundo a convenção humana pode ser considerado baixo ou alto. Espero que o século 21 seja o século das mudanças, da quebra absoluta de paradigmas, senão os administradores ali do canto irão ter que interferir e aí, o bicho vai pegar.





Intuição Pura

11 04 2008

Seu Tempo continua incomodando, só o fato dele existir já incomoda. Ver ele passar mais ainda. Resta-nos levantar o freio de mão e dar uma diminuida na coisa. A gente atrela tudo ao tempo. Essa subordinação que temos à esse troço que ocupa espaço em nossas vidas, bota espaço nisso. Francamente? Não agüento mais falar de tempo. Não agüento mais viver de acordo com ele. Meu maior medo é o dia em que eu não consigo mais ver ele, ironicamente, quando ele não tem culpa nenhuma. Ele é constante.

Eu queria que as coisas acontecessem mais rápido. Queria literalmente poder fazer o que der vontade. Pausar esse filme chamado ‘vida’. Nessa pausa, a imagem congela e as pessoas ao meu redor também congelam, logo, isso inclui o tempo. O mundo congelou, frisou, parou. Claro, eu sou o único que se move entre um monte de pessoas paradas. Umas apressadas, outras dormindo no ponto. A gota de água que cai do céu passa na minha frente e eu consigo desviar dela. Pego e me enfio entre uma multidão. Sento no meio de todos, encaro eles, penso na vida. Penso nos meus objetivos, nos meus planos, nas minhas vontades. Finalmente eu consigo pensar sem ter o tal do tempo pra berrar na orelha.

Pessoas discutindo por motivos fúteis. Gente brigando por vácuo. Gritos. Verbalizações emanadas de maneira grossa. Nada disso. A constância humana congelou. Essa constância que, aparentemente, só persegue bobagens. Preguiça de pensar? Nenhuma. Não há o que pensar. Há o que fazer, muita coisa a ser feita.

Acordar de manhã, olhar no espelho e ver que não estou só. Tem mais alguém comigo. Meu chuchu. Sim, viva os apelidos carinhosmente dados àqueles que amamos. Assim que você frisa a imagem, você olha tudo com uma delicadeza que só os que querem olhar assim conseguem, ou seja, não há nenhuma exclusividade nisso, basta querer. Sim, uma vontade aliada à uma mente positiva. Utopia sim, realidade não. Pra quê? Pra quê encarar a realidade? Tá longe de ser essa ausência de sofrimento que a gente tanto procura.

Por que ficamos felizes com o sofrimento alheio? Proporciona um prazer? Não deveríamos nos encher de alegria ao vermos o outro feliz? No fundo, todo ser humano é bom, mas o problema é justamente esse, poucos tem a audácia e a vontade de extrair desse fundo as coisas boas. As que escolhem explorar esse fundo, são as mais felizes, são as pessoas de boa índole. Há quem prefira amar ao invés de odiar.

A vida nos reserva um grande amor ou será que ela torçe pra que nós o encontremos? Por que quando falamos de amor atribuimos a ele essa noção de grandeza? Acredito que seja pela peculiaridade dele. É um sentimento verdadeiro, é algo que nos chacoalha, nos comove. Quando o sentimos, não queremos largar esse sentimento. Talvez para tentar inverter aquele velho clichê para ‘tudo que é bom dura MUITO’. É o exagero da vida que a gente aceitaria de braços abertos. Jamais algo foi colocado fora do conceito de equilíbrio, só que agora o próprio equlíbrio diz: “Não me encaixo nessa categoria, favor dar sinal verde a ela”.