São Paulo Hexacampeão Brasileiro

9 12 2008

O Maior de Todos os Tempos

“E o seu time, fez o quê nos últimos três anos?” Este é o slogan que estampa o Jornal Lance! de ontém (8). Não tem como não elogiar um time que demorou 33 rodadas para alcançar a liderança e de lá não sair mais. DAQUI NÃO SAIO, DAQUI NINGUEM ME TIRA. Não tem jeito, quando deixam o São Paulo chegar na primeira colocação, não há mandinga, superstição, ou qualquer outra coisa extra-campo que o tire de lá. E assim foi até o fim do campeonato. O Flamengo de fato é Penta Único. E o São Paulo? Bem, o São Paulo comeu grama pra poder levantar mais esse caneco. São 6 títulos nos últimos 4 anos. O torcedor São Paulino é o torcedor mais feliz da face da terra. E tem que ser mesmo.

A disposição da equipe comandada por Muricy Ramalho foi acima do normal. Os jogadores acordaram no 550V. E não tiraram os dedos da tomada até o apito final do árbitro. Correram como nunca, marcaram como nunca e jogaram como verdadeiros campeões. Resultado de uma diretoria que sabe planejar, de um presidente que bancou O TÉCNICO contestado por muitos. Já não é de hoje, mas hoje o SPFC está colhendo os frutos que estão sendo plantados desde os tempos da construção do Cícero Pompeu de Toledo, passando pela era de ouro de Telê Santana e iniciando uma segunda era de ouro com Autuori e agora Muricy Ramalho. Fosse o Campeonato Brasileiro disputado em sistema de pontos corridos desde 2000, a coisa ficaria bem sem graça, para os adversários, mas tudo bem, relevemos. 2009 está na esquina e estamos a 365 dias do Heptacampeonato do São Paulo, podem me cobrar.

Parabéns São Paulo Futebol Clube, meu orgulho e meu amor, hoje e sempre.





90 minutos para a glória

24 11 2008

6-3-3

Por Guedex





Caixinha de Supresas

6 06 2008

O Fluminense está classificado para a final da Taça Libertadores de 2008. Time de melhor campanha na primeira fase da competição, a equipe carioca enfrentou verdadeiras pedreiras até chegar nessa finalíssima contra a equipe equatoriana LDU, de quito. Eu também torço para o tricolor, neste caso, para o paulista. Doeu engolir essa derrota para o Flu, mas acredito eu que o futebol se encaixa perfeitamente no conceito da caixinha de surpresas. Não que tenha sido uma surpresa o Fluminense estar na final, irei encarar isso por merecimento mesmo, mas o que é merecimento mesmo? Ah sim, ações feitas no passado, levando a resultados no futuro, justificados por essa palavra denominada ”merecimento”.

Tudo indica que o título da Libertadores desse ano vai para as laranjeiras. Não quero ler nenhuma previsão de nenhum Nostradamus, Nelson Rodrigues, quiçá torcedores do time carioca. Quero que essa caixinha de supresas dê sua face. Veja bem, não estou torcendo contra o Fluminense, nem a favor do adversário. Simplesmente queria ver até onde vai esse ”merecimento”. Oras, seria uma bela merda chegar à final da competição e perder o título para a equipe equatoriana, certo? Como se os Deuses do Futebol estivessem provocando a torcida do Flu, de maneira que indicam que tudo vai dar certo, pra no final puxar a vara de pesca pra cima e arremessar o troféu para o outro lado do lago.

O Santos teve uma campanha superior à da equipe carioca em 2007 se me recordo bem,  o que aconteceu?Uma tragédia em plena Vila Belmiro explodindo até a garganta. Os personagens parecem se repetir um pouco, no caso, quem eliminou os santistas foi o Grêmio, quando na verdade o jogo original era contra outro semi-finalista, um tal de Boca Júniors se eu não estiver caduco. A coisa mudou de cruzamento por causa do regulamento idiota da CONMEBOL; esta, sentindo que o futebol brasileiro estava indo longe demais (4º ano seguido que há PELO MENOS um time brasileiro na final da competição, com exceção de 2005 e 2006, com dois times) decidiu que se dois times do mesmo países caírem na semi-final, se enfrentam obrigatoriamente, mesmo se na chave original o cruzamento caísse com outro adversário.

Estupidez sem tamanho CONMEBOL, desprezo-te com todas as forças desse mundo.

Bem, 180 minutos decidirão pra quem vai o caneco. Final no Maracanã registrando público recorde, meio óbvio isso. Se olharmos através da visão do ‘merecimento’, o Fluminense leva a taça. Mas quem disse que o futebol funciona em cima do pilar do ‘merecer’? Mencionei a palavra justiça? Não? Pois que quaisquiser termos que solidificam algum conceito futebolístico, caiam por água abaixo, ou melhor, pelo gramado abaixo. Só há uma palavrinha que vai doer MUITO para os torcedores do time das laranjeiras caso o caneco vá para o Equador: ironia. Porque nenhum livro justificando uma derrota vai conseguir explicar o que é dar o sangue por um ideal e se ver traído pela ‘ironia do momento’.

Que vença aquele que estiver em melhor momento, afinal, surpresas são momentâneas e para gregos e troianos aparecem para supreender mesmo, seja para a tristeza, seja para a alegria.





Algo maior que nós? Não.

11 05 2008

Uma bola. Um campo. Um monte de gente. Duas equipes. Dois lados. Duas paixões. Páááááááááára tudo. O argumento que torcedores dos mais casuais, aos mais fanáticos, utilizam para justificar a sua torcida para determinada equipe de futebol é o de que eles gostam de “fazer parte” de algo maior que eles. Sim, de fato o estádio é infinitamente maior que eles, oras bolas. Torcer é saudável? Só para aqueles que se consideram neutros, e afirmam veementemente que torcem para o time que está ganhando, porque de resto um mero jogo de futebol é um verdadeiro teste para cardíacos.

okReza Brava

Futebol, fé e religião andam de mãos dadas. E só ver o nome de determinados clubes. Isso sem falar nas rezas dos torcedores pedindo uma mãozinha lá de cima. São três pilares que sustentam um esporte a mais de um século (desconsiderem aquela teoria de que na China se jogava futebol há 2000 anos atrás, ela é tão relevante quanto o campeonato de par-ou-ímpar organizado no Turcomenistão em 1957), só que futebol é o esporte mais “globalizado” que existe hoje, mas vai muito além disso. É mais forte que a própria natureza.

As pessoas param de fazer seja lá o que estiverem fazendo e assistem religiosamente os jogos do clube do coração (ainda quero saber o processo de escolha disso). Atritos em relacionamentos acontecem devido a um monte de motivos, mas o campeão mesmo é o esporte da pelota (deve ser, puro chute). E por que não, ficar desempregado da noite pro dia? Tem dias que finais de campeonatos caem em datas assim, marotas. Uma entrega de trabalho ou uma reunião superimportante na empresa no mesmo horário do jogo. O papel da superstição tem uma importância gigante nisso tudo. Cada torcedor pensa que se ele não for no estádio, seu time pode acabar perdendo, mais que isso, usa certos artefatos pra justificar a vitória ou a derrota, uma camiseta específica, uma cueca específica O_o .

Ao término de um jogo todos ficam sabendo do placar e das duas uma : ou estão berrando ou estão lamentando, mas não pára por ai, precisam ler o que os “especialistas” acharam do jogo, precisam saber da análise pós-jogo. Mesmo isso não sacia a sede por mais e mais informações, mas por que porra? Porquê todos são especialistas. Especialistas da paixão.

Em época de Copa do Mundo o negócio é bíblico, digno de milagres acontecerem de 4 em 4 anos e se algum matulazém estivesse vivo para testemunhar o que este torneio causa nas pessoas, no mundo e até mesmo no clima da terra certamente veria que os milagres dos dias atuais ganham de 10 a 0 dos milagres divinos. O centro gravitacional do planeta pára de girar para assistir a Copa. Inimigos se tornam melhores amigos durante um mês inteiro. Tabus são quebrados. Vidas são salvas. Gargantas deliram. E todos se concentram para passar suas energias aos seus guerreiros, para que estes possam fazer o que nações inteiras almejam : soltar o grito de É CAMPEÃO.

Créditos para o belo momento capturado: flickr de Seeding-Chaos





A esfera e você

20 04 2008

Duas coisas tão distintas com tantas semelhanças. Afinal, que relação a vida tem com o futebol? Que lições pode-se tirar de ambos? Pontos em comum? Traços característicos? Um monte de coisa. Num jogo há dois tempos, cada um de 45 minutos. Eu encaro a vida igualzinho. Os primeiros 45 anos e os outros 45 com a prorrogação. Se o juiz for generoso com a prorrogação do 1º e 2º tempo a gente chega nos 120, faltas, paradas técnicas, catimba do advesário, repoisção de bola. Assim como no futebol, na vida a gente exerce uma função dentro de campo (no mundo real), somos atacantes, volantes, zagueiros, alas, meias, centro-avantes? Ou somos o técnico do time? Há quem diga que é a trave do gol.

Na vida quando conseguimos algo fazemos um gol. A forma como conseguimos isso vai dizer se foi um golaço ou se foi um gol chorado. Felizmente no jogo de futebol se a gente ficar com raiva do juiz pode partir pra cima dele e sair agredindo ele verbalmente, na vida o juizão tá lá em cima, se bem que eu tenho minhas dúvidas quanto a isso.

Começa o jogo, a gente vai levando tudo na boa, o jogo numa boa, a vida morna. Ataques e contra-ataques. As faltas que cometemos são as oportunidades que a gente dá pro outro aproveitar e se tiver ginga, ele faz o gol e a gente perde. Na vida quando levamos um carrinho por trás, reclamamos com nós mesmos, o replay não existe. Os comentaristas do jogo da vida são as pessoas medíocres. Cada passo que damos, lá estão os medíocres pra criticar, ou será que rola algum elogio de vez em quando? A gente não sabe lidar com críticas. Prefere sofrer uma overdose de elogios do que um bombardeio de críticas, especialmente aquelas destrutivas. É difícil encontrar alguem sedento por críticas.

Fairplay só no futebol? Nada disso. Na vida é o equivalente à caráter.

O jogo vai rolando e o tempo, passando. Se o time tiver jogadas ensaiadas, grandes chances dele abrir o placar já no primeiro tempo, mesma coisa na vida. A pessoa organizada que se prepara com antecedência para o seu dia-a-dia, vai marcar um golaço já no 1º tempo e nem vai precisar de prorrogação. O técnico de nossas vidas são nossos pais e, diferentemente do mundo da bola, quando eles erram conosco, não dá pra demitir eles e contratar novos técnicos. Os times ingleses quase que alcançam essa vivência, mantém um técnico no cargo por 18 anos (esse é o número que eu me lembro).

Como seria bom se cada dia fosse vivido como um jogo de futebol. No intervalo o treinador iria com nós até o vestiário e daria as instruções para a etapa seguinte. Mexeria no esquema, faria alterações químicas e construiria uma mudança estratégica com o intuito de dar um nó tático no outro treinador. No dia que estivéssemos chateados, o gândula entraria em campo e nos ajudaria a sacudir a poeira e dar a volta por cima, literalmente jogando a bola em nossa direção meio que dizendo: “Bola pra frente!”.

O gol de letra se daria quando arranjássemos ou conquistássemos um grande amor. A torcida, representada pelas próprias moléculas de nosso corpo, as células, as enzimas, os órgãos humanos, iriam comemorar isso como a conquista de um campeonato, nesse caso com disputa de mata-mata. O grito de campeão seria entoado pela torcida até não poder mais. Cada molécula que carregamos conosco é um torcedor, o conjunto delas é a nação que fica ensandecida quando o time não vai bem e enlouquecida quanto faz um gol.

Já não sei mais pra qual lado seguir. A vida tá no 2º tempo, o time tá com quatro jogadores pendurados com cartão amarelo, precisa virar o jogo e o juiz aparentemente tá sendo caseiro. O adversário é catimbeiro e joga um futebol sujo, tem a complascência da torcida, do gândula e quem diria, até de São Pedro. A pressão aumenta de minuto em minuto, o coração bate mais forte. Tá tudo mais acelerado. As sinapses no cérebro estão a 320 km/h. Numa cobrança de escanteio, o goleiro dá um soco na bola que sobra pra vida marcar um gol de trivela no ângulo esquerdo. O que a princípio iria acalmar a torcida, só aumenta a vibração e a tensão. Um empate leva a prorrogação e que pode ocasionar uma definição nos pênaltis.

E então, uma sensação de intensa alegria toma conta. O céu tá mais cinzento do que o asfalto. A chuva cai como se o dilúvio tivesse encontrado vida. De repente, tudo parece fazer sentido. Pegamos a vida pelas rédeas que elas nos proporciona e atacamos. Atacamos em direção ao gol adversário, vamos fazendo fila no oponente, driblando até o juiz e em meio à tudo isso poças de água enormes vão jogando água pra todos os lados possíveis. Só sobrou o goleiro. O goleiro se atira em direção a bola e consegue momentaneamente segura-lá, mas a chuva acaba fazendo a bola se soltar de suas mãos e sobrar livre pra você concluir, literalmente sorrindo em sua direção e quase falando : “Me chutaaaaa!”. Depois você só correu pro abraço.

Fim de jogo. Vitória na vida com um golaço marcado pelo protagonista dela, você.





Altitude ou Atitude?

5 04 2008

Taça Libertadores da AméricaA discussão não é de hoje e certamente não termina amanhã. Jogos realizados em cidades que ficam muito acima do nível do mar, evidentemente, cansam mais os jogadores, acredito que até o time mandante sofra com isso. O corpo humano por mais que se adapte à uma enormidade de situações climáticas, tem seus limites. Ultrapassar esses limites é colocar o patrimônio mais sagrado que cada ser humano carrega consigo em jogo, a sua própria vida.

A CONMEBOL, organizadora da Taça Libertadores, vem peitando isso há tempos. Afirma categoricamente que não há risco algum para os jogadores. Fez uma reunião com todas as entitades da América do Sul e tirando a CBF, todas as entidades votaram a favor de manter os jogos na altitude. Eu não vou sair citando quais times jogam na altitude (obviamente porque sua cidade sede se encontra lá), mas alguns pontos tem de ser analisados, criteriosamente, antes que alguma barbaridade aconteça e mostre que nenhuma burocracia seja ela de ordem regulamentar, ética ou lógica caia por água abaixo com um jogador batendo as pernas e indo dessa pra melhor (toc toc toc, nunca quero ver isso).

  • O fato de nenhum jogador ter enfartado não descarta a hipótese de que no futuro isso possa sim acontecer, afinal de contas, os clubes não levam tubos de oxigênio à campo pra brincar de pique-esconde.
  • Que culpa os clubes que residem em determinada altura tem, da cidade estar tão acima do nível do mar? Nenhuma, mas por se fixarem em tais cidades, seu corpo está adaptado às condições climáticas e isso sim, queiram ou não, é o 12º jogador que entra em campo com o time.
  • O contrário não acontece com tais times quando estes saem de suas cidades e vão jogar em cidades consideradas, normais, do ponto de vista da altitude. Não afeta em nada sua jogabilidade e principalmente a sua respiração.
Portanto, não há inocente ou culpado nesse troca troca de acusações, mas se por ventura algum incidente trágico acontecer e considerando que o ser humano só aprende tomando paulada, quero ver que argumentos a Confederação vai levantar para defender os jogos realizados na altitude. O futebol hoje em dia já não é lá essas coisas quanto à questões morais e éticas, pelo menos no que diz respeito ao continente Sul-Americano, mas eu simplesmente não consigo engolir essa burocracia imposta à outros clubes, mais grave ainda, frente à VIDA dos jogadres.

Seria o caso de boicotar a competição? Dúvido que algum clube tenha colhões pra fazer isso, ao menos os que caíram em grupos onde há jogos acima de 3000 metros acima do nível do mar e os que cairão em futuras competições.

Das duas uma: ou alguém toma uma atitude, ou a altitude vai tomar essa atitude e fazer todos os envolvidos repensar sobre sua atitude de concordar em jogar na altitude. Quero ver quem ganha. Apostas?