Sol Egoísta

7 06 2009

É bem isso. Temos um astro reluzente que decide iluminar apenas algumas pessoas nesse mundão. Ah mas vá a merda. Pura bobagem. Mentira. O sol ilumina geral, só quem não quer ver isso que fica implicando. E quem disse que ser iluminado é uma coisa boa?  O sol nem percebe, mas acaba botando os holofotes em idiotas. Mas eu tinha dito que ele ilumina todo mundo, não? Sim, mas os idiotas se destacam em meio aos gênios. Como fazer para se destacar em meio a um oceano de idiotas iluminados? Tapar o sol com a peneira? Vai deixar de iluminar apenas alguns idiotas. Então o quê fazer? Se tornar um idiota também? Não né. O que fazer porra? Mas que caralho, como é que eu vou saber? Não sou um iluminado, nem um idiota, muito menos um gênio. Gênio é o idiota que se passa por gênio no meio de um monte de idiotas que estão conformados em serem idiotas. Pronto, taí a resposta.

PS.: O engraçado é que o idiota, para se conformar em ser idiota ele precisa consentir isso, ou seja, precisa estar ciente de que é um idiota. Portanto, para cada idiota que for dar uma de gênio, teremos um número proporcional de gênios esquecendo que são idiotas. A distância entre o gênio e o idiota é de uma sinapse. E o gênio consente que é gênio precisamente de qual maneira? Com um monte de idiotas falando que ele é gênio. Pelo simples fato do número de idiotas sempre superarem o número de gênios. No dia que a proporção de gênios e idiotas se inverter, a cura da AIDS vai aparecer, o carro vai ser movido a eletricidade, a morte será uma coisa opcional, o mundo será um lugar melhor, a pobreza acabará e o mundo viverá em harmonia para sempre. Mas você não precisou ser um gênio para saber disso né?





No meio do caos paulistano…um oásis…um OASIS

10 05 2009

O trocadilho-clichê se faz cada vez mais necessário, embora seja questionável. A caminho do Anhembi, chuva. É o tempero divino para um show colossal. Toda vez que o Oasis toca em São Paulo, chove. E o silogismo não erra. Mas o que é um show do Oasis em Sampa, afinal? A pergunta que tem de ser feita é para quem é o show? Para o fã comum da banda, é um show à parte. Para o fã xiita, a coisa ganha proporções enormes. Mas farei uma descrição geral.

Antes de entrar no show propriamente dito, eu vou citar uma frase que eu desconheço o autor: “Na vida em sua totalidade, somando todos os momentos alegres, verdadeiremente felizes, uma pessoa é feliz, em média, 10 minutos.” Seja lá quem tenha dito isso, ele deve ter lá sua razão, mas não em se tratando do OASIS. Verdade seja dita, os shows deles não são longos (tem em média 21 músicas, em cerca de 2 horas de show, às vezes mais, às vezes menos).

Quem vai ao show do OASIS sabe o que vem pela frente. Não tem essa de ir no show deles por curiosidade. Quem vai ao show esperando ver pirotecnia, palhaçadinha, circo, pulinhos, artificialidade, sai com cara de cu. O show do OASIS é o que se espera de um show: ouvir ao vivo as músicas dos álbuns. Ver os caras em carne e osso. O show do OASIS é só uma parte dessa religião, modo de vida, you name it. Fã que é fã acompanha a banda pela internet, conhece os jargões deles, a história da banda, as intrigas, o marketing, e acima de tudo, as entrevistas, que costumam ser geniais.

Parece que, de uns tempos pra cá, ficou mais fácil ver um show deles. Vieram em 1998, 2001 (somente Rio), 2006 e 2009. O show amarra todos esses elementos ou chuta eles bem pra longe. Para os que não dão o braço a torcer e invariavelmente, torcem o nariz para a banda, o show do Oasis é algo previsível. Talvez por essa previsibilidade, qualquer coisa que fuja do roteiro é uma explosão. Eu conheço bem a história da banda. E a única vez na qual eles “fugiram” do roteiro foi exatamente em São Paulo, há três anos. A banda toca um repetório idêntico durante boa parte da turnê e aos poucos vai mudando. Mas não de um show para outro. Foi o que aconteceu. E aconteceu à pedido dos fãs de todo o Brasil que compareceram ao Estacionamento do Credicard Hall em 2006.

O show terminou sua primeira parte e a banda foi ao backstage descansar por cinco minutos. Ao saírem do palco que ouvia-se na platéia era ‘Supersonic! Supersonic! Supersonic!’. Dito e feito. Zak Starkey retorna para seu posto e inicia a batida. Nem o mais cético dos fãs acreditaria no que estava acontecendo. ‘Guess God Thinks I’m Abel’ foi trocada. O resto todo mundo já sabe.

O show de ontem foi dentro do esperado. Nenhuma surpresa, até porquê, não se espera nenhuma. Ou seja, curte-se o que é tocado e fim de papo e de garganta. Não dá pra falar depois do show. Tá todo mundo rouco (e louco). Com os neurônios vibrando. O sangue correndo mais rápido. No estacionamento, todos os carros com as janelas abertas tocando músicas de todos os álbuns no talo. A volta pra casa é uma mistura alegre da sensação de dever cumprido com um certo vazio existencial. A banda continuará suas atividades pelo verão europeu. Pegarão vôos, trens, busões, apresentarão suas composições e suas pessoas, suas feições para mais platéias e pelo jeito, também cumprirão seu dever.

No que depender de mim, o próximo show tende a ser diferente. Veremos.





Oasis dentro de 6 horas no palco

9 05 2009

E o friozinho na barriga deu as caras. Felizmente. O absurdo do absurdo. Espetacularmente o show vai ser fodástico. E quem não entrar em transe é porque já entrou. E tenho dito. E tenho feito. FUI





Marco? Marcas? Não marquei nada não.

17 12 2008

“Qual fato marcou a sua vida em 2008?” pergunta uma seção de um portal de notícias. Bom, e quando nada marcou sua vida em 2008? Ué, se algo tivesse marcado eu lembraria instantaneamente, mas nada marcou. Um ano inteiro passou batido. Nem a viagem ao Chile me marcou, por mais que eu tenha saudades do país e de 3 semanas magníficas passadas por lá.

Freud Explica? Explica nada. É errado eu pedir opinião alheia pra algo que eu mesmo não consigo explicar. Se é que precisa de explicação. Ué, é simples. 2008 passou batido, e daí? E daí que é hora de fazer o que fazemos todo fim de ano. Parar e refletir sobre os benditos 360 dias que vivemos nele. Ah, mas quem é que pára e faz isso de fato? Festas de fim de ano consomem tanto tempo, não?

Se é difícil dizer o que me marcou nos últimos 365 dias, o que dizer dos últimos 10 anos? Exagero meu? Ok então, acho que o meu grau de relevância talvez esteja num patamar acima do normal. Ou será que preciso reconsiderar e colocar como ‘marcos’ simples fatos da vida? As coisas banais, rotineiras, pequenas. No fim das contas, não rola dizer que algo diário te marcou, que as coisas boas estão nos detalhes, justamente pontos em que não costumo prestar atenção, talvez deva prestar mais.

E 2010 está na esquina, porquê, se eu continuar dessa maneira, bem capaz que 2009 também passe batido. Você sabe que um ano passou rápido demais quando consegue lembrar pelo menos de um fato de cada mês dele, dá pra imaginar os momentos e fazendo uma breve enumeração deles, conclui-se que 365 dias passaram voando. E isso não é nada bom. Como não? “Tudo que é bom passa voando!”. Balela. Vi uma cadeira voar na minha frente, não vi nada de bom nisso. Muito menos o tempo passar à frente, não vejo nada de bom nisso.

Afinal, fazer o quê pra que 2009 não passe voando? Ajustar os relógios em 2010 pra que as datas sejam de 2009? De 2008? Ou jogar o relógio fora? Mas eu nem uso relógio! Essa obsessão em ficar analisando o tempo e o que é feito durante ele. Aquela frase costumeira de ‘usar o tempo’. Usar uma coisa tão abstrata, tão impalpável, invisível, mas que, querendo ou não, tá aí. Apenas demos um nome pra ela. Pra ela, pra essa coisa. Pra ele, pra esse tempo. Que no fundo é essa coisa. Não tem sexo, não tem nome, não dá pra ver ele, não dá pra tocar nele, não dá pra senitr ele, mas sabemos que está aí. E não é exatamente deus, mas é onipresente. Ou talvez não, talvez seja a maior mentira que já se criou. Uma mentira que, ironicamente, serve para tomar o verdadeiro tempo, porque, quanto mais pensamos nele, mais estamos parados, esquecendo que há um tempo dentro de nós, o nosso próprio tempo, e não o tempo global. Mas denovo, nada disso faz sentido, o que faz sentido é ver que são uma e vinte seis da manhã e eu preciso dormir.





Sentimentos Humanos

7 12 2008

Então um Campeonato Brasileiro com 38 rodadas transcorre naturalmente com os mesmos ingredientes de sempre: lances polêmicos, programas semanais discutindo o gol da rodada, a disputa pelo G4, os times que lutam para escapar do rebaixamento, as costumeiras malas-brancas(?) e agora a polêmica-master nessa última rodada de campeonato. Especulações brotando de todos os cantos sobre os possíveis envolvidos. A essência da questão está sendo desviar o foco dos times. Posso estar errado, mas o último interessado em algo desse tipo é o São Paulo Futebol Clube. Só posso afirmar isso. Especular e criar boatos sobre quem inventou esta história de suborno seria errado, então vo permanecer quieto sobre isso.

Mas só sobre isso. Porque é claro que há gente interessada em manchar o Campeonato Brasileiro mais disputado tanto da época de pontos-corridos quanto do sistema antigo. As pessoas interessadas em fazer isso tem uma boa dose de inveja do time candidato a hexa e tri campeão inédito na história do futebol brasileiro. Vai matar a inveja como? Oras, jogando merda no ventilador, atingindo a quem puder. Alguém está querendo vingar o Campeonato Brasileiro de 2005, ou pelo menos está passando essa impressão. Pode ser um dirigente, pode ser um torcedor, pode ser um funcionário, pode ser qualquer coisa. Pode até ter sido engano. Ou será que tudo isso foi premeditado? Se o de 2005 foi manchado pela repetição de 11 jogos, que o de 2008 seja manchado na última rodada por um suposto esquema de corrupção, essa é a mentalidade do imbecil. O ser humano é a própria merda na essência, devia é se jogar num ventilador de porte industrial.

Nessas horas que o profissionalismo dá (ou não) as caras. O São Paulo FC rompeu com a FPF, já que partiu desta a acusação contra o clube. Nada mais lógico e justo do que romper relação com alguém no qual você deposita sua confiança. O infeliz que decidiu criar tudo isso está assistindo de camarote o circo pegar fogo. Quero ver o que ele vai fazer quando o camarote dele pegar fogo.

Mais do que nunca, torço para que o meu São Paulo seja campeão e que o(s) responsável(eis) seja(m) punido(s) severamente por tumultuar à custo de “nada” um Campeonato tão emocionante, talvez o mais emocionante de toda sua história. Fé no Clube da Fé. Vamo São Paulo! Vamo Ser Campeão!





Falar o quê?

22 11 2008

- Vo falar o quê se não tenho nada pra falar?
- O ser humano sempre tem algo pra falar, tá na essência dele.
- Ah é, vo falar por falar? Mesmo sem ter o que falar?
- Vai, fala logo!
- Falar o quê?
- Fala porra!
- O quê?
- Fala!
- Falar qualquer coisa?
- Fala cacete!
- Que foi porra, há uma necessidade obrigatória que me faça falar?
- Sim!
- Qual?
- O simples fato de você ser humano te obriga a falar!
- Então vô falar!
- Então fala!
- Uhmmmmm, naaaiden
- Filho da puta.





Glória Mundial

18 08 2008

Essa “mera” conquista de César Cielo na natação brasileira em Pequim, a primeira da história, diga-se de passagem, vai muito além de colocar o Brasil no topo do pódio. Toda a raiva extravasada pra fora, a alegria do cara estampada no rosto, o choro emocionado, enfim, toda aquela empolgação misturada com os braços levantados para o ar, espalhou-se na Terra Adorada. Assisti ao show do Garotas Suecas ontem e no meio do show, o vocalista (Guilherme Saldanha) decide saudar Cielo: “É ouro porra! Cinqüenta metros rasos! Vai Brasil! Vai Cielo!”.

De fato o Brasil entrou com o Cielo junto naquela piscina, ou melhor, Cielo carregou o Brasil nas costas durante 21 segundos e 30 centésimos. Genial. Ganhar uma medalha de ouro numa Olimpíada não é mole, nem pra qualquer um. Cielo foi lá e fez a sua. Contagiou o Brasil inteiro, não tenho dúvidas, porque no momento em que a medalha de ouro foi colocada no seu peito e o Hino Nacional ecoou em Pequim, ouvi rojões sendo soltados, gente se abraçando em bares, botecos, cafés. Não tenho muito o que falar, só Parabenizar o Cielo.

Aliás, um adendo: César Cielo começou a se dedicar para a natação em 2003. Antes disso tentou/testou o Judô e o Vôlei, viu que não tava dando certo até que sua mãe, Flávia, mandou o cidadão se jogar na água. Recebeu orientação de ninguém menos que Gustavo Borges e conseguiu o que seu próprio instrutor falhou: conquistar uma prova em primeiro lugar. Ênfase no tempo que ele precisou para conquistar uma medalha: quatro anos. Pra um fanático/noiado com esse negócio de tempo como eu é um tapa na cara. Soco no estômago. Senso de urgência em alta. Deviam divulgar mais esse intervalo de tempo do Sr. Cielo, entre começar a dedicação exclusiva à natação e a conquista da medalha de ouro na Olimpíada.

Queria saber o que se passa na cabeça dos que sobem num pódio olimpíco à espera da glória. Vo ficar só na vontade mesmo, chegou a hora de eu dar esse pontapé inicial. Mover a primeira engrenagem que faz toda a coisa chegar aonde supostamente pode/deve chegar.





O Eterno 7 de Agosto

7 08 2008

É uma data explosiva, não há como negar, encontra-se entre 6 e 8 de Agosto, justamente os dias em que foram lançadas as bombas atômicas americanas em solo japonês. Nasci no meio de ambas. No meio da minha própria disputa de ego, uma disputa em que meu único adversário é a consciência que me impede de ficar superestimando-me, afinal, não há lógica em fazer isso. E então inciará-se uma filosofia sem fim. Aquela do tipo que enrola até virar uma bola, onde nesse ponto, quando não há mais o que enrolar, resta empurrar o que sobrou ladeira abaixo e ver no que dá.

A lógica é que datas são superestimadas, mas valores como motivação, incentivo e dedicação, ficam em segundo plano e quando a gente se lembra de que precisa cultivar eles para adaptá-los ao nosso cotidiano, pode ser um pouco tarde, nunca demais. Afinal, nunca é demais ter um pouco de pensamento positivo. Afinal, não importa o quão ruim esteja o plano, pensar que ele pode piorar, não vai ajudar, então chega desse pensamento sádico-humorístico. O mundo, as coisas, as pessoas, as atitudes, as bobagens, estes ficarão em segundo plano, ficarão esquecidos, serão ignorados. Mais que isso, agirei de maneira indiferente de modo tão sumário que farei jus à tais palavras e desta vez, minhas pretensões e comprometimento estarão direcionadas para cumprir essa auto-promessa.

Sim, vo abandonar essa tal de confiança. Melhor duvidar de tudo e de todos, melhor confiar de maneira cega, fingir um certo amadorismo ou ingenuidade, assim todos ficam felizes. Textos são escritos com o único propósito de não terem sentido algum, essa história de significado de já deu, encheu o saco, não presta mais. Ficarei assobiando e relutando em dizer ‘capiche’, acho que soa verdadeiro em demasia. A verdade não dói, nem corrói, tampouco destrói, a verdade alimenta um sentimento que todo ser humano deseja e contempla diariamente: o sentimento do alto astral, aquele sentimento que traz sensações que nos fazem sentirmos bem com nós mesmos, trazem à tona pensamentos de positivismo, de quebra de paradigmas, de visões novas sobre tudo, enfim, de um avanço.

Não há o que comemorar numa data destas se o patamar continuou no mesmo nível. Hei de me concentrar como nunca neste momento e pensar que, daqui pra frente, tudo será diferente, não porque o acaso vai fazer a sua parte, mas porque as coisas vão ser feitas pensando sempre em todas as variáveis que possam estar envolvidas em qualquer situação. A vida é feita de conseqüências, estas, claro, derivadas de atos, estes, evidentemente, sendo uma ramificação de um raciocínio lógico-emotivo que de agora em diante, será deixado em modo de standby, dando lugar à uma mentalidade mais madura, mais disposta a escutar, mais aberta à novas idéias, mais ágil, mais efetiva, menos indecisa, enfim, tantos caracteres para clarear uma data que em tese, é como uma outra qualquer, mas na prática, encaixa-se num documento.

Que seja. Se for para usar o nascimento como alavanca para mudar de atitude, ótimo, melhor ainda se os resultados forem catapultados à cada nova conquista e falando motivadamente, que tais feitos sejam duplicados. Agirei com diligência, mesmo sabendo que contarei com sorte e com minha própria competência.





Problemas Técnicos

19 06 2008

Perrengues desde Domingo (15) pra postar via WordPress, agilizando pouco a pouco isso. 





Convenção dos Hipócritas

14 06 2008

Sejam Bem-Vindos À Primeira Convenção dos Hipócritas

Pedimos encarecidamente à vocês seguirem as regras descritas a seguir para o bem estar a convivência harmoniosa de todos:

- Ao ver um antigo inimigo de infância, dê um forte abraço nele.
- Sorria sempre, dê risada de tudo e principalmente, mantenha o sarcasmo pairando no ar.
- Se você for repreendido por ter feito alguma coisa errada, finga não saber do que se trata.
- Minta o máximo que puder, ao final do evento haverá uma seleção das mentiras que viraram verdades.
- Lembre-se, hipocrisia não é um pecado, mas sim uma virtude.
- Abraços de frente, facadas pelas costas são atos básicos, não deixe de fazê-los.
- Não fique bravo, somos todos hipócritas, você pelo menos assumiu essa condição.

Encare a hipocrisia como um mal necessário, um elemento que está aí para equilibrar as cagadas humanas. A hipocrisia às vezes é confundida com sarcasmo, mas veja bem, o hipócrita é aquele que fala uma coisa e faz outra, o sarcástico é apenas aquele chato que vê graça em tudo, até nele mesmo (fascinante). Na convenção dos hipócritas é comum ver cenas do tipo:

- Faaaala Matheus, beleza cara?
- Tudo na paz aqui cara. E você?
- Eu to bem cara, terminei de fazer um trabalho para a faculdade.
- É mesmo?
- Sim, demorou uns 25 minutos e foi feito entre quatro paredes.
- Pô bacana, mas porquê essa minutagem e a descrição das paredes?
- Ah é que, precisei ir e voltar sabe…me agachar, deitar…essas coisas.

Arrisco dizer que seria a convenção mais alegre de todas. Não teria melancolia pelo ar. Muito pelo contrário, até os participantes que viessem com algum peso na cabeça, iriam andar sorrindo à toa como se tudo estivesse bem. A troca de idéias seria a mais transparente de todas, já que todos sabem que todos estão sendo sarcásticos ou estão mentindo na mais pura cara de pau, digo, fazendo uma demonstração de hipocrisia nua e crua. Afinal, é como se os participantes andassem com camisetas estampadas com a seguinte frase: “Tudo que eu te disser para fazer, saiba que eu farei (e faço) o contrário”, “Contrarie-se desde o princípio”, “Finga que não está fingindo”, “Hipócrita é a mãe, a minha mãe!”.

E porque não formar amizades verdadeiras numa convenção como essa? Mas é claro que dá pra criar laços afetivos profundos para a eternidade num lugar como esse! Estou mentindo? Nunca! É justamente num ambiente rodeado de pessoas falsas (todas), que conheceríamos instintos humanos encobertos pelos valores sociais considerados corretos (tipo aqueles conhecidos como indiferença, susurros, apontamento de dedo entre outros). O antro da hipocrisia mais difundido por metro quadrado na história da humanidade; uma “mera” concentração de pessoas que assumem a posição na qual estão e não tem vergonha de assumir ela, ao contrário de outras milhões de pessoas que preferem confidenciar suas inverdades às paredes e aos pisos sanitários de suas casas.

Purificação espiritual através da mentira nua. Limpeza de consciência por meio de mentiras contadas e assumidas antes, durante e depois de uma conversa casual com algum “amigo” de infância, colégio, ginásio, colegial ou faculdade. “Eu menti sim, HÁ!”.

O mundo precisa dos hipócritas, amém. Assim como precisa do bom-mocismo, pum. E não tenho dito.

Créditos da imagem: Sidônio Raftopoulos