Acabo de chegar do Via Funchal completamente em êxtase. Catarse absoluta. Purificação auditiva, mental e espiritual em cerca de 2 horas de show. Completamente sensacional o show de dona KT Tunstall. Que vozeirão, que energia, que mulher! Puta que pariu! E não vou seguir aquela linha de “não tenho palavras para descrever o show”, ah tenho sim viu.
Terminada a primeira canção do show “Little Flavours”, já deu pra sentir o entrosamento absurdo da banda. Sim, sim, química-musical é algo básico, mas a banda dela é mais que isso. Tanto que por mim, já dava o show por encerrado nessa primeira música. Já tava dando triplos mortais carpados com viradinhas na primeira música.
Não lembro do setlist, mas dá pra destacar alguns pontos interessantes do show: ela se soltou extraordinariamente desde o princípio do show, falou um monte com o público, disse que os brasileiros não são tímidos, pediu pra galera se soltar, enfim, carisma do início ao fim.
O público era formado por gente de todas as idades, de todos os tipos, de todas as tribos. Não vi nada padronizado aí hoje. Aliás, o Via Funchal padronizou sua burrice em organizar shows, isso sim. Quem em sã consciência bota a galera pra sentar num show desses? Sim, em nome do lucro tudo faz sentido. Mas, vai segurar uma renca de gente que não tem nem aí pra regras de etiqueta? Foi só ecoarem os primeiros acordes do ultra-blaster-mega-hit “Suddenly I See” pra que gente de outros setores invadissem a platéia “vip”. Aí não teve jeito, galera que pagou os olhos da cara pra ficar na bolha, teve que engolir a onda-humana invadindo “seu” espaço.
Teve de tudo no show: músicas agitadas, músicas calmas, momentos de atenção, momentos de loucura, tudo muito bem dosado, na hora certa, do jeito certo, com a cantora certa. É o tipo de show que não há uma pessoa que não saia com um sorriso estampado no rosto. Falo isso abertamente: melhor show do ano disparado. Kate Tunstall deu um show mesmo, um show de como se faz um show. Chega por hoje.
Pare de ser outra pessoa. Bote pra fora sua alma, pra fora dessa escuridão, faça isso amanhã. Porquê, amanhã, o Oasis lança seu 7º álbum de estúdio. Intitulado de ‘Dig Out Your Soul’, o álbum já me cativou por completo. Inteiramente. Ouvir música é mais que um hábito pra mim, é alimento sonoro para meus ouvidos e esse bolachão-virtual tá bem fresco. Já é atemporal esse álbum.
Não dá pra fazer uma resenha normal sobre esse álbum, porque esse álbum não é normal!
Em 2005, ano de lançamento de Don’t Believe The Truth, inúmeros sinais (músicas, óbvio) indicavam o que vinha pela frente. O Oasis decidiu sentar com calma e se deixar levar pela experimentação. O resultado não poderia ter sido melhor: temos aí uma obra autêntica, digna dos melhores álbuns de todos os tempos. Ao contrário da crítica que fica procurando picuinhas inspiratórias em cada faixa do álbum, eu acho que a inspiração vem do frescor de novidade procurado pela banda. As muralhas sonoras de Be Here Now voltam mais pesadas do que nunca em The Shock Of The Lightning, faixa que transparece um rock cru sessentista e como o próprio Noel diz: “É basicamente o demo”. A música guia a si mesma com riffs estoneantes e um solo de bateria absolutamente genial sai das mãos de Zak Starkey (atualmente em turnê com o The Who). Dá um pique essa música que vo te falar viu, meu cérebro dá uns mosh pits dentro da minha cabeça.
Mas a faixa que abre o álbum trata-se de Bag It Up. O DNA dessa música carrega um groove aqui, batidas militares acolá, mas pragmaticamente falando é um rock dos bons. Passa uma mensagem de : “Sem enrolação, vam’bora!”. Liam e Noel fazem um dueto no começo da música dando uma tônica espetacular, e então, o mais novo dos Gallaghers “monopoliza” provisoriamente os vocais e dá seu grito de guerra:
“Lay your love on the fire when you come on in
I got my hee-bee-jee-bees in a hidden bag
Tell me what you desire and we’ll bag it up, highhhh”
A voz de Noel Gallagher em Waiting For The Rapture? I-N-A-C-R-E-D-I-T-Á-V-E-L. Não dá, não dá pra saber daonde o cara me tira esses vocais. Riffs espertos, percussão cardíaca e vocais viaaaajaaaadoooos e uma levada que sacode todos os seus órgãos. É Noel esperando por uma ruptura, você desejando que a música continue indefinidamente. Acredito fielmente que nesses 3 minutos e pouco a ruptura aconteceu nos 10 primeiros segundos.
The Turning é surpreendente. Começa sutilmente com um piano, passa aquela sensação que predomina nos dias de hoje, da monotonia e conformismo e de repente explode violentamente num desabafo pedindo esperança para aqueles que querem mudar. E que mudança hein, que virada, pelamordedeus. Se algo vira é minha cabeça, de cabeça pra baixo. E depois pra cima com a faixa que vem em seguida.
Falar o quê de I’m Outta Time? Muita coisa, a começar pela melodia da música. Que coisa mais linda, juro! E as letras da música: afrodisíacas, diferentes, honestas, verdadeiras. Acho que nenhuma definição consegue “rotular” essa música, os rótulos fogem da música, tem medo de atrelarem-se a ela. O Liam alega ter demorado 9 anos pra compor ela, mas em se tratando de Liam, sabemos com quem estamos lidando, não é mesmo? Sabendo ou não, pouco importa, o que importa é que o cara fez uma música maravilhosa. Certamente o Gem ajudou ele, mas e daí? O Oasis trabalhou pela primeira vez em estúdio como banda mesmo, sem pressões contratuais ou quaisquer picuinhas.
Falling Down é a prima de Part Of The Queue? Talvez, mas como a primeira faixa está na família “porra-louca” do novo álbum, explosões constantes caracterizam ela enquanto é agraciada com o letrista mais fantástico da década de 90 e agora de 2000. Sua primeira aparição se deu como remix dos Chemical Brothers, parecendo uma música pertinente a baladas e tal. Contrastando e superando, a versão de estúdio é arrebatadora. Quem diria que o colapso do sistema e da religião se daria simultaneamente?
“We live a dying dream
If you know what I mean
All that I’ve ever known
It’s all that I’ve ever known
(…)
I tried to talk with God to no avail
Calling my name from out of nowhere
I said “If you won’t save me, please don’t waste my time”
É inacreditável a quantidade de reviravoltas que tomam conta desse álbum (e que tomarão conta dos ouvintes dele). Não dá pra prever nenhuma faixa, não dá, simples assim. To Be Where There’s Life gruda com cola industrial o baixo de Andy Bell em seus ouvidos e Liam descola isso nessa temática indiana dada por Gem na música de sua autoria. É nos grooves onde há vida e é lá onde você deve dar uma bicuda na sua alma pra ela dar às caras, pelo menos assim reitera o Sr. Liam.
Ao mesmo tempo que o álbum parece fluir de maneira esplêndida, cada faixa passa a sensação de ser inerente à sua própria identidade sonora. Cada faixa acaba sendo apreciada de fato, individualmente. Ao fim da escuta completa da obra, catarse. Nada mais, nada menos. Uma sensação de completude toma conta e você cai na real: o novo álbum é como aqueles filmes cultuados, você assiste a primeira vez, fica todo maravilhado, mas sabe que vai ter que vê-los denovo para contemplar toda a mágica presente; com Dig Out Your Soul não é diferente, cada audição é uma nova audição e um novo catarse.
Que tal mergulhar seus neurônios numa frigideira à pleno vapor e depois jogar eles em nitrogênio liquido? Talvez assim você compreenda The Nature Of Reality. O cara que pediu uma guinada nortista do astro mais reluzente do universo, agora diz que a natureza é algo que simplesmente esconde-se dentro de sua mente. Vá entender as idéias inspiradas em Estocolmo, levadas a Los Angeles e mixadas em Londres. Andy Bell, psicodelia e Liam Gallagher deixarão você escolher a interpretação, mesmo com a existência de tempo e espaço estarem apenas em sua mente. Sua mente que aguarda ansiosamente a próxima vertente do rock mundial.
A última faixa não encerra o álbum. Pelo simples fato dele ecoar como um jato decolando na cozinha de sua casa. Tal responsabilidade do contexto colossal do álbum encontra ressonância em Soldier On com Liam mandando ver nos vocais como eu nunca vi (e ouvi). Mundinho assolado por problemas, gente dando opinião demais, foda-se geral. No fim das contas, todos perecerão. Siga sua vida, mande todos às favas e faça o que tem de ser feito. Ouça Dig Out Your Soul até a exaustão inexistente.
Não dá pra explicar, somente escutar cada faixa reverberar. O clima da primeira à última música é de uma mágica rolando solta em cada milésimo de segundo que transcorre. Dig Out Your Soul dá a impressão de ter sido feito como um elástico, puxa daqui um pouco mais, puxa de lá um pouco menos. É o álbum que puxou só os pontos positivos de cada álbum feito até aqui. Experimentação feita com experiência, muita experiência. E o Oasis sabe como ninguém experimentar, por mais contraditório que pareça. Sem mais, nem menos.
A proposta: reunir bandas dos mais variados gêneros num único festival, não dezoito, apenas quatro. Quando vi a escalação, fiquei feliz pensando: “Vanguart, hmmm, vai ser interessante ver eles abrindo, já vem chamando minha atenção faz tempo. Melvins, não sei nada sobre os caras, só sei que são a banda favorita do Kurt Cobain. Plasticines, o que pode dar errado com quatro gatas francesas? Nada. The Hives, banda-de-um-hit-só. Vai, vamo que vamo.”
Bom, primeiramente eu queria elogiar a organização do festival. Em tempos onde assistir shows é supostamente mais agradável e organizado do que ir a um estádio para ver um jogo de futebol; (e eu sei bem que a maioria dos festivais organizados no Brasil são feitos de maneira porca, extorsiva e desrespeitosa) a organização por trás do Orloff deu show. Tirando o fato de um Pastel custar 18 reais e uma Água 4 reais, no quesito pontualidade dou nota mil para a organização.
Cravadamente às 19h00, o Vanguart entra no palco e dá um show maior ainda para o pequeno público que, nas palavras de Hélio: “….veio cedo para prestigiar a banda”. Efeitos simples no telão, show puro no palco. Só tenho elogios para a banda de Cuiabá. Sem firulas, sem teatrinho, sem aditivos sintéticos, fizeram o melhor show da noite, disparado. Eu devia ter ido embora depois do show deles, que, ironicamente, durou menos do que todos os outros pseudo-shows.
A idéia de que uma banda é a favorita do ex-líder do Nirvana não ajudou muita coisa. Supreendi-me por exatos 10 segundos ao ver que o Melvins usa duas baterias e claro, dois bateristas durante seu coco. Sim, porque é isso que saiu dos amplificadores Marshall que esses sanitários nucleares tocaram/cantaram(?). Não sei, não dá pra descrever o estilo desses caras. Show de merda! Só não cagaram o festival porque entraram e saíram do palco no horário previsto. Até nunca! Tchau merdins!
Em seguida, sobem no palco as quatro francesinhas mais bonitinhas da face da terra, inhas não, bem gostosas as quatro, lindas de morrer (mesmo!). O som do Plasticines até que me cativou, mas a vocalista já está dando sinais de que vive em estado senil. Repetiu nada menos do que três vezes o fato da banda ser de Paris e um monte de verbos e substantivos proferidos em francês que me fizeram ficar com cara de bulhufas. Muita energia, muita gritaria e um estilo….dançante, é isso que combina com elas. All in all, tão de parabéns.
A banda mais esperada da noite bem que podia se chamar The Hypes. Por que eu digo isso? Pelo simples fato do Via Funchal lotar a partir do show do Plasticines de maneira absurda. Essa lotação provocou duas coisas, além do desconforto óbvio e da visão limitada ocasionada pela invasão maciça, isso botou na cabeça dos filhos-da-puta-de-plantão que casa lotada significa, fumaça liberada. Até aquele ponto, vi uma cena se repetir umas 30 vezes: um(a) vagabundo/vagabunda acendia um cigarro na pista e era escoltado por um segurança para uma área onde pudesse continuar fumando, ou, largar e apagar o cigarro na metade do caminho.
Sim, pela primeira vez na história, presenciei repressão contra fumantes no Via Funchal. Avisos sobre a proibição do fumo não faltavam no local, mas pra variar, sempre haverá gente escrota que vai ignorar os avisos e dar uma de mallandra. Infelizmente, só deu certo durante as duas primeiras horas do festival, mas já é um começo, espero que se alastre esse tipo de atitude de casas de espetáculo, ainda mais com a lei que o Governador José Serra está só esperando ser aprovada.
O vocalista do The Hives engoliu um rádio, um vibrador e um cabo de força que sai do cu e nunca sai da tomada. Carismático e arrogante, mais arrogante do que carismático, o cara conseguiu sim a simpatia da platéia com seus malabarismos aleatórios, com suas poses, enfim, com todos aqueles movimentos malucos e aquela fala estoneante. Mesmo assim, achei bem fraco o show de uma banda que se auto-intitula algo maior do que a “mera”, salvação do rock.
Saldo da noite: Vanguart deixou no chinelo todas as bandas que tocaram depois. Fim de papo.
Conhecer ou desconhecer? Saber ou não saber? Eis as questões. Questões que eu coloco em pauta pelo seguinte motivo: fui encarado com maus olhares por não reconhecer uma música do Chico Buarque.
Não há uma explicação lógica para isso. Em momento algum eu desrespeitei a obra de Chico, apenas não sabia que era ele quem estava cantando. Os que conhecem e gostam de Chico Buarque, certamente encaram aqueles que simplesmente desconhecem sua obra como mal-criados. Como se fosse obrigação conhecer a obra do cara. Santo paradoxo. São pessoas que vão contra as idéias do senso comum, mas no outro lado da moeda, esperam que você saiba ao menos saber quem está cantando, saber que é o Chico.
O julgamento, em situações como a que eu vivenciei, é prematuro e acima disso, inconseqüente. Não estamos aqui falando dos fãs número 1 do Sr. Holanda, estamos falando de pessoas comuns, com uma mentalidade comum, ouvindo um cara, bem, comum. Afinal, Chico Buarque é uma referência nacional da MPB. Mas então porquê toda essa indignação frente à uma “ignorância” musical? Independente de toda essa renca de gente conhecer a obra completa do cara (foi assim que eu me referi à ele quando perguntei quem estava cantando) ou não, quem são eles pra me olhar e julgar com esse suposto ar de superioridade?
Uns vão dizer que na verdade, trata-se de um complexo de inferioridade vindo da minha parte. Confundem isso com humildade. Cheguei na boa perguntando “quem era o cara que tava cantando”. De imediato, todos os rostos presentes na sala viraram-se em minha direção com um tremendo olhar de reprovação: “Como assim, você não sabe quem está cantando?”. Decidam-se seus malfeitores, vocês querem que o cara faça parte ou não do senso comum? Por um lado, querem ser vistos como intelectualzinhos-da-música, afinal, eles ouvem Chico Buarque de Holanda e eu não, eles tem exclusividade moral sobre ele, e por outro lado, é um pecado desconhecer a obra do cara. Vão à merda.
Nessas horas que a ignorância-pessoal prova seu valor: eu, por um lado não reconheci a voz do cara, por outro reconheci por quem estava rodeado. A revolta geral em forma de fachadas maquiadas com um pseudo-conhecimento da nata da música brasileira.
Cheguemos à um consenso: ninguém é obrigado a conhecer tudo. Mais que isso, quanto mais a gente conhece, supostamente, mais repertório nós temos e conseqüentemente, mais influenciados (ou não) somos por aquilo que conhecemos. E um consenso quanto ao desconhecimento? O desconhecimento causa revolta naqueles que tudo sabem, mas, mantem virgens inúmeras concepções na cabeça que já estão formadas na cabeça dos que são sábios de nascença. Essa “virgnidade” de noções cotidianas, é a mesma que no fim das contas, dá nascimento às idéias mais originais e geniais que caem nas graças da humanidade.
Não é um manifesto a favor do desconhecimento, mas é uma mensagem que quer passar algumas notas à respeito do que é necessário ou não conhecer, se é que o conhecimento pode ser resumido à necessidades. O ser humano, o maior especialista de todas as espécies em ter uma biblioteca de inutilidades na cabeça, como se não bastasse isso, se orgulha disso e quando é questionado, responde à mesma altura das bobagens que acumulou ao longo dos anos. Seu Buarque não se orgulharia de ter essas pessoas como seus porta-vozes, garanto.
A banda que a música mais vai reverberar neste país, é provavelmente a que eu menos conheço. O Legião Urbana manteve acesa uma chama que, a príncipio, proporcionaria esperança para a nação, músicas que tocariam os mais profundos sentimentos, que sempre evocariam um desejo de ver as coisas melhorarem, não só melhorarem, mas melhorarem pra sempre e que sejam constantes, não passantes.
Eu entendo e respeito aqueles que decidiram viver de música, o que eu não entendo e me nego a respeitar são aqueles que encaram música como mero suporte para arrecadar grana à custa do lixo criado.. Certa vez, um artista influente no mundo da música disse: “Se você não tem a intenção de ser maior que os Beatles, qual é o propósito de formar uma banda?”. Em tempos onde, o parâmetro tem nivelamento vindo do mais baixo patamar possível, o que esperar daqueles que pegam como referências para as suas músicas, verdadeiras obscuridades sonoras?
Água pode ser o solvente universal, Música é o sobrevivente universal. Não há como matá-la, embora haja tentativas recorrentes de cometer esse homícido triplamente qualificado, e eu paro por aqui com a pena referida para quem dilacera a música com seus ideais revolucionários pré-históricos. Porra, levem mais a sério isso, pelo amor de deus. Escutem o lixo que vocês produzem e perguntem-se depois de tomar um banho de sinceridade-própria: é no mínimo audível esse som? Tem uma galera que precisa, urgente, comprar semancol ao kilo. Ao contrário do que possa parecer, não vou citar nenhuma banda dessa “parcela” de badernas-de-estúdio.
O que eu queria mesmo, é ver uma relegião, uma volta de uma banda que realmente causasse estardalhaço e desse um novo ponta pé nos hábitos aúdio-lineares que, de tão acostumados a escutá-los, além de aceitarmos ativamente esse ataque a dignidade humana, perdemos a noção do que penetra na nossa cabeça.
Recomeçar, refazer, relançar o paradigma musical. Alcançar um pico de originalidade que vai obrigar outras bandas a ralar, a tomar vergonha na cara e não se render mais às exigências fúteis e estapafúrdias dos executivos-paleozóicos que acham que sabem o que o ouvinte quer escutar. Metralhar os inventores de tendências na canela mesmo, acabar com toda essa pseudo-previsibilidade que, ironicamente, só dá mais credibilidade para aqueles que a seu bel prazer, decidem alavancar a carreira de uma banda que nunca deveria ter saído da garagem, para um público surdo que, não só paga o pato pra ver três patetas munidos de guitarras amplificadas, mas que de tão mal-acostumado, ficou bem à vontade em escutar a escória da música.
Ainda bem que a legião atual de audiófilos, tem a opção de escutar o que quiser, só resta surgir a banda que irá gerar uma relegião em torno dela.
Dizem as más línguas que o certo é ir ao dentista de 6 em 6 meses. Não lembro qual foi a última vez que eu fui, foi no Século XXI, isso sim. O que eu lembro é que da última vez que eu fui, fiquei esperando na sala de recepção durante 2 horas para ser atendido. O problema nem foi esse tempo absurdo de espera, tempo incomum; diga-se de passagem, o problema está na trilha sonora que me guiou nessa viagem ao inferno. Trilha sonora? É provavelmente a trilha mais esburacada, suja e turva que eu e meus canais auriculares já assimilaram. Tá mais pra campo minado. O responsável por essa tortura auditiva? Um tal de Kenny G.
Kenny fucking G galera. Não sei porque eu não chutei o aparelho de DVD pra fora da janela, mas eu sei de uma coisa: tava no modo de repeat. O cabeludão tocando pra um pessoal que está a beira de seus iates. Clube do Iate. Puta que pariu. Foram duas horas de estupro. Foi algo assim de outra galáxia. Nem o Diabo ouve Kenny G. É o som mais chato que algum ser humano criou. Ganha de música de elevador e supermercado disparado. Já ouvi muita música boa em supermercado, anos luz à frente de qualquer lixo que o cara produziu.
Acredito que seja a primeira forma de tortura criada por alguém sem de fato, tocar na pessoa. Ah, toca sim viu, toca profundamente a alma. Ouvir Kenny G é quase um suicídio. Ouvir durante duas horas é pedir pra comprar uma passagem pra seja lá a cidade que esse cara mora, viajar até lá e fazer uma simples pergunta para o cara: você comeu merda na hora que compunha? Aliás, como você ousa chamar isso de música, de composição? Isso é o apocálipse cara. Não vai ter nenhuma música de filmes de terror tocando quando o mundo acabar, vai ser a sua quinta sonata tocando em alto e bom som.
Eu não me incomodoria em ouvir Kenny G numa sala de espera dessas
Só eu não sabia que daria de frente com o apocálipse, dentro de um consultório dental. Por que o título desse artigo está no plural? Deve ser porquê o cara ganha de lavada. Não tem exceção. Agora, como é que a dentista consegue escutar esse cara? Quem agüenta ouvir isso? Não é possível. Juro. Aposto que ela bota esse som para os pacientes ouvirem, com o simples intuito de ir anestisiando eles mentalmente. É uma anestesia mesmo, dá tilt na cabeça. É a típica profissão que eu agradeço pela existência, já me tirou de várias pendengas, mas se na banca da faculdade julgassem os formandos pelo gosto musical, sei não hein. Cabeças iriam rolar. Se bem que, os próprios membros de uma banca julgadora devem ter a mesma linha de raciocínio.
Porque, no fim do dia, não há lógica em ouvir Britney Spears numa sala de espera, a não ser que você seja um sadomasoquista que ama dor de dente e não vê a hora de dançar ao som de ”Ooops I did it again”, quando esse ooops se refere ao fato da dentista ter retirado um ciso errado e evidentemente, não foi pela primeira vez que ela fez isso.
Se os consultórios deviam consultar algo, antes de qualquer coisa, é o gosto musical de seus pacientes. Haja paciência.
O dia amanheceu meio cinzento, um tanto quanto frio, mas tudo indicava que seria um grande dia, e foi (está sendo – são 16h55 apenas). Eu só preciso de um Sol com céu aberto, uma música bacana pra que eu fique de bom humor. Pra melhorar isso só estando de férias. Tem zilhões de trabalhos para a faculdade, além de provas finais. Mas tudo bem, meia hora pra esse post e direto pros estudos.Nem sei bem o que colocar nesse post pra falar a verdade. To postando por um lado por cumprir 1PPD (1 Post Por Dia), por outro porque uma quinta-feira ociosa conseguiu alegrar a parada aqui. Novamente lá vou eu gorar essa joça falando que tudo tá no seu devido lugar, e aí….aí nada, tudo vai continuar sussa e se for pra mudar, que mude pra melhor, sempre.
Baixei um arquivão gigante com artistas que tocaram no festival texano South by Southwest, conhecido como SXSW. Sensacional. Uma cacetada de bandas e artistas que eu nunca ouvi na vida e que tão me surpreendendo de música em música. Pra quem não sabe, SXSW é um festival maluco, literalmente. Do que eu me lembro de cabeça onde li em algum lugar, 1000+ bandas/artistas tocam em uns 4 dias de festival na cidade texana de Austin e em seus arredores.O grande barato do festival é que, como se não bastasse essa quantidade absurda de shows em tão pouco tempo, é que artistas renomados ou que tão bombando estão escalados ao lado de artistas completamente desconhecidos.
O arquivo de divulgação dos artistas que tocaram esse ano no festival, veio com 723 MP3’s e o melhor, foi distribuído pela própria organização do festival via BitTorrent, ou seja, completamente legal. Vamos dizer que, irei ter que garimpar (ou não né) pra achar sons bacanas, encontrando ou não, o legal mesmo é o processo de “garimpagem”. Bandas com nomes sinistros e músicas igualmente medonhas e artistas com nomes minimalistas e músicas extraordinárias. Até o presente momento, eu tickei uns 3 artistas, de uns 25 ouvidos.Audição de músicas novas sempre rende uma enormidade de reações, mesmo que eu pegue e jogue esses sons no iPod pra ouvir na rua, durante alguma caminhada ou simplesmente quando eu me decidir isolar durante algumas horas. Bendito seja o Sr. Lee que criou a Web como a conhecemos hoje. Não fosse ele eu não taria ouvindo Eli Paperboy Reed & The True Loves – Take My Love With You.
Um mero adendo, esse post foi escrito logo depois do video do show deles em Glastonbury cair nos BitTorrents das vida
Ian Matthews, Cris Edwards, Serge Pizzorno e Tom Meighan comandam a parada.
Simples e direto, coerente e correto, pegajoso e aditivo : lhes apresento (caso não conheçam), Kasabian. Banda inglesa de uma safra muito rica nos últimos três ou quatro anos. Eu desde sempre, sou muito transparente com audições de novas bandas. Ou eu gosto, ou eu não gosto. O Kasabian se encaixou na primeira opção como há muito tempo não acontecia comigo. Som diferente, eletrônico misturado com rock, pegada boa, ou como ficou comercialmente definido : new rave, não sei qual a relação do Kasabian com raves (sic), mas certamente não é a praia deles. Claro que não, a praia deles é tocar em Earls Court em Londres, festivais como Reading, Glastonbury, Oxygen, Download e Wireless. No festival de Michael Eavis, fundador e criador de Glasto (para os íntimos), realizado desde 1970 em sua fazenda no interior da Inglaterra, o palco Pyramid Stage é o palco principal, reduto dos artistas considerados t.b.s.e., favor ignorar a minha definição para esse reduto, mas é por aí mesmo, só quem merece tocar lá toca (talvez tenha uns que não mereçam tocar e eu não sei ainda).
O famoso palco Pyramid Stage
O show do Kasabian só reforçou o que todo mundo (?) já sabia desde o começo : entraram no mundo da música de forma grandiosa e agora já estão gigantes, o próximo passo a ser dado é serem colossais (amo essas definições de grandeza). Espíritos interligados na relação banda-platéia de maneira como raramente se vê, ainda mais quando se trata num festival com mais de – pasmem e fiquem de queixo caído e grudado no chão – 700 atrações, número que ganha de lavada de inúmeros festivais europeus juntos. Só pra efeito de comparação : The Who passou pelo Pyramid Stage também nesse Glastonbury, é mole? Mas os rapazes de Leicestershire foram recebidos pelo público da melhor forma possível, parecia que só tinha fã de Kasabian. Tom Meighan e Serge Pizzorno fizeram algumas alterações nos arranjos que deixaram as músicas deles mais “espirituais” do que nunca (embora a banda tenha iniciado suas atividades em 1999, o primeiro álbum só saiu em 2004), numa parte fascinante durante a execução de “Empire” Meighan emenda : “Glastonbury SING IT!!!!”, a platéia devolve em uníssono : “We’re all wastin’ awaaaaaaaaay!”.
Rumores recentes dão conta que o Kasabian deve desembarcar em terras tupiniquins em Novembro, parte do festival Planeta Terra. Não sei até onde vai a fama e o buzz em torno deles aqui no Brasil, mas acredito que seja uma bela sacada seja lá de quem decidiu em trazer eles pra cá. Se por um lado quero (e muito) ver o show deles, por outro seria “legal” que poucas pessoas disputassem lugar na pista pra ver o show deles, d’you know what I mean? =D
PS.: Muito hype gira em torno de bandas mais conhecidas como The Good, The Bad and The Queen, Babyshambles, Dirty Pretty Things, Klaxons, The Horrors, The Editors, The View, The-Chega Dentcher El Sacow. Com exceção da última banda que existe no meu imaginário apenas, todas as outras tem mais cobertura do que merecem. O som é bacana, tem potencial, mas não é aquele som, falta ainda algo que eu não sei definir.
Jack White é um cara bacana. Mais do que isso, faz coisas extraordinárias, pra não dizer outra coisa. O som que ele tira de sua “simples” guitarra beira o normal. Ai une-se a ele Meg White, única parceira do White Stripes, que também não deixa por menos, tem um batida característica, uma pegada que é perfeita para o que Jack White faz. Ambos se completam, fazem um som interessantíssimo e o novo single não decepciona.
A dupla já passou pelo Brasil cerca de…não faço idéia, foram inúmeras vezes e eu não vi nenhum show deles (dois dedos em forma de gatilho apontados pra cabeça). Mas como os shows deles por aqui foram mais do que bem recebidos (além de históricos num caso particular), é certo que haverá uma passagem em terras tupiniquins na turnê que promoverá Icky Thump, mais novo álbum da dupla listrada. Agora, quanto ao incansável Jack White que eu me referia, isso eu digo pelo simples fato de esse cara não descansar.
Ele simplismente NÃO tira folga. Entre o último álbum do White Stripes (Get Behind Me Satan) e este novo, como vocês devem saber, Jack mostrou ao mundo seu projeto paralelo com Brendan Benson, The Raconteurs. Não sei daonde ele tira esses nomes bizarros, mas onde o Sr. White bota a mão, a coisa vira ouro. Este projeto paralelo deu tão certo que chegou-se a especular que o White Stripes estava com os dias contados, mas Jack afirmou veementemente que continuaria firme e forte na banda que o projetou internacionalmente, e cumpriu com a palavra.
“Icky Thump” (Faixa-título do álbum e primeiro single)
Só mesmo via internet para encontrar novidades bacanas no mundo da música, isso aliado ao boca-a-boca evidentemente. A indústria fonográfica tem sim seus pontos em relação ao que rola com a pirataria, divulgação de conteúdos sem permissão (vide a quantidade enorme de videos removidos do YouTube), vazamento de álbuns (coisa que tem sido comum desde 2002?), etc. Esse é um lado da moeda.
No outro lado a gente tem preços abusivos cobrados para CDs, DVDs e como se justifica tudo isso? Bom, se pensarmos direito veremos que na produção de um álbum tem-se bem mais que cinco integrantes e um produtor envolvidos. Tem a parte artística de criação da capa, pessoas trabalhando na parte burocrática e claro a industrialização, ou melhor, a multiplicação global nas fábricas que cospem não sei quantos milhares de CD por minuto para que possam atender à “demanda”. Demanda entre aspas justamente pelo fato de ter diminuido drasticamente (?) depois da era napster, o resto todo mundo já sabe.
Será que os executivos de alto escalão vem se tocando que o melhor a fazer é tirar proveito do que a internet tem pra oferecer e não lutar contra? Aparentemente sim. Já virou relativamente comum encontrar no YouTube inúmeros videos de campanhas publicitárias postados por agências com um logotipo estilizado pra elas, clipes de bandas, trailers de filmes com destaque na página inicial do YouTube que até onde eu me lembro recebe, leiam isto com atenção, nada mais, nada menos que 100 milhões de visitas diárias. No MySpace em formato streaming trilhas sonoras de filmes, albuns completos, entre outros já viraram ponta pé inicial de divulgação de materiais de bandas consagradas e de outras um pouco menos.
O fato é que a internet conecta os continentes, isso todo mundo já ta careca de saber, mas alguns insistem em bater na tecla de que isso só vem causando danos para alguns setores que alegam ter sua sobrevivência baseada na venda de álbuns PALPÁVEIS, ou seja, vendidos fisicamente. Os próprios artistas admitem que seus lucros vem dos shows realizados durante turnês de divulgação de seus materiais lançados, e pouca lucratividade no que se diz respeito à venda de cds.
Banda bem boa que eu encontrei essas últimas semanas, que na minha opinião tem um pouco de cada das seguintes bandas : Keane, Doves, Travis e Foo Fighters (Rodrigo Diniz do blog Ultraego reconheceu essa). A banda se chama Thirteen Senses, proveniente da inglaterra faz um som que inicialmente possa parecer conhecido, até mesmo ultrapassado talvez, mas acho a proposta deles bem bacana.
O novo álbum deles saiu esse ano, chama-se “Contact”, dele já assimilei três faixas logo de cara bem bacanas : Contact (faixa-título), All The Love In Your Hands e Call Someone.