Que ironia, pesquisadores de Minas Gerais fizeram uma pesquisa sobre o trânsito das principais vias da cidade de São Paulo, porquê como você mesmo sabe, aqueles que poderiam fazer a pesquisa, estão parados no trânsito. 2007 foi o “melhor” ano da indústria automobílistica no país, por melhor, entenda-se que nunca foram vendidos tantos carros em apenas um ano. Mais carros circulando, menos espaço pra circular. Uma hora, este espaço vai se reduzir a tal ponto que, de circulação mesmo, só pedestres e motociclistas.
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Nem o rodízio tem adiantado aqui em São Paulo. Basta alguém ter mais de um carro em casa, que todo o conceito do rodízio vai por água abaixo. Vai não, já era. Eu não conheço ninguém que não tenha, no mínimo, dois carros na garagem, eu disse na garagem? Tão na rua mesmo. Aí já viu né. E uma constatação: carros que supostamente tem lugares para cinco pessoas (ou seja, todos), estão quase sempre ocupados por apenas uma pessoa. Não que eu esteja sugerindo uma carona urbana para estranhos, mas é fato, aqueles carros bizonhos que a gente vê como conceituados para o futuro, de apenas 2 ou 3 ocupantes, ocupam menos espaço.
Se São Paulo é alguma coisa por natureza, certamente é caótica. No trânsito então, ou na falta dele, extravasar a adrenalina pra cima de outros motoristas virou algo rotineiro, tanto quanto dar seta e abrir passagem para outro veículo. E nem adianta mais fechar os vidros pra se isolar do barulho, tranqüilamente algum(a) estressadinho(a) irá enfiar a mão na buzina, pegar fita adesiva e não tirar a mão de lá sem ser por uma retro-escavadeira ou por uma serra elétrica. Acumular estresse na ruas e levar isso pra casa é quase o combustível que alimenta a essência do paulistano comum.
Para o engenheiro responsável pela pesquisa, Paulo Resende, a sensação dos paulistanos de que não dá para fugir do trânsito será uma certeza. Durante quatro anos, ele e uma equipe de engenheiros cronometraram o horário de pico em quatro vias da cidade – Avenida dos Bandeirantes, 23 de Maio, Marginais do Tietê e do Pinheiros.
Monitoraram avenidas e rodovias, pontos da cidade supostamente planejados para dar uma certa fluidez ao trânsito. Se nesses lugares a coisa não anda, imaginem nas outras 3000 ruas “comuns” da cidade. Está bem claro qual vai ser o próximo congestionamento de São Paulo: calçadas paradas por causa de um dos dois motivos listados a seguir; excesso de pedestres (bizarro, bizonho, possível) ou mais plausível ainda, carros usando as calçadas pra fugir do trânsito.
Em 2004, o relógio dos pesquisadores registrou que o congestionamento da manhã na Avenida dos Bandeirantes levava 1h30 para se dissipar. No ano passado, já eram 2h35. Na 23 de Maio, a lentidão passou de 1h15 para 2h10. A situação na Marginal do Tietê, que já era preocupante, piorou: as 2 horas evoluíram para 2h43. Na Marginal do Pinheiros, o congestionamento passou de 1h35 para 2h10.
Segundo Resende, o aumento que foi observado no período da manhã está ocorrendo também no pico da tarde. “A distância entre o fim de uma lentidão e o início da outra é de 1h30, em média”, disse. “Daqui a 5 anos, quem sobrevoar as principais avenidas de São Paulo observará a mesma situação das 7 às 19 horas.
Nem adianta mais se programar. O tempo aqui já não ajuda na hora de escolher a roupa, de manhã faz um puta frio que obriga a levar mais de uma roupa por baixo, à tarde um calor insuportável te forçando a carregar toda a tralha e mais, o que não acontecia a 100 anos em Buenos Aires, aconteceu, nevou e não duvido que dê as caras por Sampa daqui algum tempo. Vai ser uma diversão e tanto. Acabou a monotonia do trânsito, aquela coisa de hora do rush já pode ser aplicada aos horários matutinos e vespertinos. É garantia de uma cidade inteira parada, vai render umas fotos bem bacanas.
Fonte da Notícia: Estadão
Créditos da foto: Guilherme Lara Campos