O Bonde da Burrocracia

15 09 2009

Se você não vai até este bonde, ele vêm até você. E te obriga a subir nele. E não te deixa mais descer. Estou falando do caso mais recente com o qual tive contato: Spotify, o programa de streaming de música que está dentro da legalidade que as majors da indústria fonográfica tanto queriam. Dou uma breve descrição do programa pra quem ainda não conhece: é como se fosse um iTunes, têm um catálogo invejável de músicas disponibilizado diretamente pelas maiores gravadoras do mundo. A diferença está no fato do usuário não precisar adquirir nenhuma música, nem baixar. Todas as músicas estão armazenadas na “nuvem”. O usuário só precisa arrastar e jogá-las em playlists que podem ser salvas. Ou seja, muito mais prático do que baixar e armazenar no disco rígido as toneladas de música que encontramos ‘rede’ afora.

Eis que há uma semana atrás recebo um e-mail da equipe Spotify. Transcrevo abaixo:

Dear Spotify user,

We’re writing to you in regards to your Spotify account which up until now you’ve been using free of charge.  While we are really happy that you are enthusiastically using Spotify, we are
unfortunately going to have to restrict access to your free
account.

Spotify is currently available in six countries: Sweden, Norway,
Finland, Spain, France and the UK.  We never intended to allow
use of our service outside of those countries and we do not run
any adverts on your account like we do in the launch countries.
For this reason we have to restrict your account, you will be
able to log in to Spotify and view music and playlists but not
listen to any music.

We are sorry that we have to take this step.  We do hope to
launch our free service in more countries in the future.

If you have any questions regarding this please feel free to
contact our support team. (support@spotify.com)

Regards,
The Spotify team.

Trocando em miúdos: a internet pôs abaixo as limitações geográficas que distanciavam as pessoas nesse mundão e a burrocracia de engravatados levantou esses muros de volta. Eu estava usando a versão grátis do programa, disponível justamente aos países citados no e-mail. Como o Brasil não consta na lista, me mandaram tomar no cu. Se eu quiser continuar usufruindo do serviço, terei que usar uma versão paga. Deram um tiro no pé e outro na mão. Nada que um serviço de proxy não resolva.

Agora a grande ironia: na versão que eu estava usando, ou seja, com uma conta apontando para o site que eu resido no Brasil (via IP, claro), o catálogo do Oasis estava disponível na íntegra. Catálogos de outras bandas, não. Agora uso uma conta direcionada ao Reino Unido e esse mesmo catálogo simplesmente desapareceu.

Eu entendo e imagino que existam uma série de legislações e papeladas que freiem o processo de entrada do programa em outros países, mas quando se trata da internet, a visão que eu tenho é de que toda a burocracia existente deveria desaparecer. E se for pra ela existir, que exista antes do lançamento ser oficializado. Depois eles ainda reclamam de pirataria.





Comum

30 09 2008

Aceite o fato: 99.99 % das pessoas que habitam este planeta são comuns. Isso significa que, quando a população mundial atingir 7 bilhões, apenas 700 mil farão parte das incomuns. São as 700 mil que farão a diferença, são as que já estão fazendo. Não se engane, ninguém nasce incomum, todos nascem comuns. Ser comum é o quê afinal? Ser comum é viver a vidinha ordinária vista nos filmes, lida nos livros, escutada nas músicas. Por vidinha ordinária, entenda-se, vidinha seguida à risca, com as mesmas rotinas, as mesmas pessoas, as mesmas mudanças, a mesma mentalidade, a mesma passividade, o mesmo conformismo com relação à tudo, a mesma preguiça de pensar, a mesma preguiça de fazer diferente.

É aceitar a comunidade. “Direito meu!” Mas é claro que é direito seu viver do jeito que vive. Mas estas pessoas são as mesmas que procuram ver graça em tudo, ver algo e falar que faz sentido. Bem, para estas pessoas, ser comum faz sentido, há uma graça toda em volta disso. A graça de ser comum, a tentação de sempre se igualar ao outro. Dar bola para aquele papo mercadológico de que a tentativa de se diferenciar, acaba igualando todos? Bobagem. Se fosse assim, seríamos todos um bando de débeis mentais. Ah, mas, não somos? Somos, por pura escolha. Por nossa condição humana de merda, por essa invenção desse maldito termo que conforta os fracos, afirmando categoricamente que é certo aceitar tudo de bom grado, de bandeja.

Isso aqui não é nenhum manifesto à favor de uma vida difícil. Não é manifesto favorável a nada. Não é nem um manifesto. É só um conjunto de idéias variadas que eu andei tendo, nada além disso. Se fosse um manifesto, seria para manifestar idéias aleatórias a respeito de tudo. Talvez seja isso que falta na mentalidade das pessoas, aleatoriedade. O aleatório é o inverso do comum. O comum cai sempre no mesmo. Dificilmente isso acontece no acaso. O acaso trata-se de tentar, experimentar, dar a cara à bater. O comum é a conformidade com tudo, é a cara pálida, é colocar o córtex cerebral em estado de hibernação eterna e mais que isso, viver nesse estado e se orgulhar da própria estupidez. E quando houver repressão à imbecilidade? Faça piadas disso, claro! Assim você legitima que ser imbecil é jóinha (faça sinal de positivo com o dedão, sorria e vá pra puta que te pariu).

Pessoas comuns não sabem lidar com pessoas comuns. Pessoas comuns não sabem lidar com pessoas incomuns. Pessoas incomuns não sabem lidar com ninguém, nem com elas mesmo. Pessoas comuns nem sabem quem elas mesmo são. Aliás, lidar com pessoas comuns é uma merda. É mais fácil lidar com uma porta, posso jurar de braços abertos isso. A porta sabe qual é sua função, abrir/fechar, isolar um som, dar privacidade, e servir de porta. A pessoa comum não sabe que porra está fazendo nesse mundo, não sabe o que falar, nem porquê fala, porquê só sai merda. A pessoa comum decidiu ser comum, caralho! Decidiu não ir atrás de conhecimento, decidiu ficar estagnada mentalmente e saturada fisiologicamente (não só no lado óbvio, vale ressaltar).

Por que uma porta que não tem poder de decisão exerce sua função com maestria? Por que uma pessoa comum que tem poder de decisão, deixa ao acaso sua mentalidade medíocre manter-se assim? Vá a merda, não especificamente àquela que sai de sua boca, mas a que lhe atingirá a cara um dia. E tenho dito quantas vezes precisar.





Independência Absoluta

9 08 2008

Chego à conclusão que o que fode esse mundo é a dependência. Porque, sempre tem alguém dependendo do outro, ou melhor, da boa vontade do outro, esta boa vontade que já tá em quarentena desde os tempos das cavernas. De tanta dependência, ninguém abre mão de nada e a somatória desta equação tem como resultado as asneiras humanas. A gente não presta mesmo. O ser humano não presta, e, esta é uma generalização que pela primeira vez, não tem nem como argumentar contra ela. O ideal de um mundo equilibrado, em paz, de prosperidade para todas as nações; vai pelo ralo assim que um país depende da boa vontade do outro, vai às favas assim que tem-se noção de que tem de haver uma troca de favores.

Troca de favores tá mais pra: “Veremos quem é mais filho da puta”. Se algo é da natureza humana, esse algo tem todas as características do perfeito cuzão. Rousseau dizia que a classe menos favorecida (?!) da sociedade, se algum dia conseguisse chegar ao poder, não iria se corromper com a mesma facilidade que a classe considerada ‘alta’, porque, segundo ele, esta classe não teria tamanho desejo de posse quanto a classe mais elevada. Foda-se esse negócio de classes, pra falar a verdade. Tô cagando e andando pra isso. A verdade é que o ser humano é filho de uma meretriz por natureza. Assim que tem a chance de pisar, vai lá e pisa e passa a sola do pé como uma máquina de raio-x, até começar a criar calo.

Esse negócio de esperança eu costumo encontrar no centro da minha cidade, sendo vendido descaradamente por 1,99. Ou seja, não vale mais nada. Em outras palavras, nunca teve valor algum. Resumindo toda essa gororoba: esperança é como deus, você de tanto acreditar que ele existe, um dia se toca de que ele não passa de um amigo imaginário, fruto de uma esperança na qual você tava crente que um dia se concretizaria.

A recíproca também é verdadeira: quando alguém tem a chance, a situação, o momento de ser gentil, de fazer uma boa ação, ele fará isso sem hesitar (sei não hein). Porra nenhuma. O egoísmo baterá na porta e fará o filho da estúpida-que-roda-bolsinha-na-esquina ficar em cima do muro, ficar em cima da dúvida se não tá faltando um pouco de individualismo. Faz falta esses dias pensar no próprio umbigo. Geral tá deixando de dormir porquê o outro tá depressivo, tá tirando notas baixas e por cima disso tudo, foi chifrado pela própria namorada, que, a partir de agora, chamemos de a-podridão-em-sua-exuberância.

Que ingenuidade pensar sobre uma suposta independência de países, pessoas e tudo que envolve esse tipo de campo. Afinal, os países declaram independência pra quê? É a independência mais dependente que já se viu. E repito: é uma dependência baseada na boa vontade, e vira e mexe, me pergunto, será a boa vontade mais uma daquelas pseudo-esperanças criadas, para mascarar toda a filha-da-putisse presente no planeta que chamamos de terra (mas que na verdade teria de ser planeta água)? Hmmm, então a boa vontade vem de bandeja assim que uma pessoa (país) torna-se independente? Boa vontade em ajudar os que dependem da boa vontade do outro?

São tantas variáveis envolvidas que a vontade que eu tenho é de mandar tomar no cu todo mundo. Vejamos: 1) Vontade, 2) Boa ou Má. Se o cidadão sequer tem vontade, nem se chega ao item 2, se o lazarento tem, pode ser boa ou má vontade, se for boa, cruzemos os dedos e esperamos que ele faça algo de positivo pra contribuir, e se não for, pulemos pra cima dele e chutemos seu saco escrotal até sair do lugar. Mundo de merda, pessoas de merda, enfim, todos um bando de merdas. Enquanto isso, procurem-me na esquina pra ver se eu tô plantando coquinhos no asfalto.





O amor não ensina, dá uma surra.

26 07 2008

As estatísticas não mentem: o amor é o assunto mais explorado pela humanidade, e nota-se algo, quanto mais a gente fuça nele, mais descobre que ele não tem nenhum padrão a ser seguido. Independente da quantidade paradoxal do modus operandi do amor, todos querem que o seu caso seja único, diferente dos demais. Diferente, principalmente no que diz respeito aos erros que outros casais cometem. A grande merda está no fato dos casais conseguirem se reinventar mais que a indústria automobílistica nesse quesito, e quanto mais as relações se reinventam, mais erros fresquinhos são criados/descobertos. Trocando em miúdos, a quantidade de erros que se têm numa relação não cabe nem na Wikipédia. (um número relativamente alto e contando…)

Mas peraê, pra que essa insistência toda nos erros? Ah sim, claro, não há um manual do amor. Ah não? Uma breve busca no Submarino revela que há 1864 livros a respeito do tema. Garanto que as bobagens descobertas numa relação sempre estarão à frente desse número, sem esforço algum. Ao contrário do que muitos casais pensam, berrar não é humano. Então, vem aquela tônica nostálgica e altamente emocional da garota apaixonada (com os olhos brilhando) dizendo que, faz parte. Mergulhar de cabeça nesse tal de amor é um negócio arriscado, mais do que aqueles contratos de 2 anos com operadoras de celular. Você até têm uma certa noção do que o pacote inclui, mas nunca sabe o que está nas entrelinhas, porquê, no ramo das telecomunicações, obrigam as empresas a colocar isso, já naquele outro ramo…a gente descobre no tapa mesmo ou com uma joelhada no saco.

Romper esse contrato? No caso da televisão a cabo, se for antes do término, há aquela multa recisória que dói um pouco no bolso, mas depois passa. Vá tentar romper esse “contrato” (espiritual?) com a querida do coração, e pelo que tudo indica, esse contrato tem sim um prazo de validade; o único problema é que são elas que estipulam-no quando dá na telha. O certo é que, a multa recisória desse outro contrato dói bem mais do que uma simples multa de televisão por assinatura. Se a preocupação for em relação a ter magoado a outra pessoa, isso eu afirmo com convicção: dos males, o menor. Já o maior é parecido com termos que astrônomos geralmente usam para determinar grandezas, para eles, galáxias belas em fotografias espaciais; para os que decidiram fazer a quebra de contrato porque já não agüentam mais pentelhações e seus derivados, sua galáxia se resume ao seu bairro (ou a sua cidade) e seu nome torna-se tipo um buraco negro, mas que só atrai problemas.

Felizmente, as jumentadas que eu fiz, foram, mais ou menos perdoadas.

À essa altura do campeonato, eu devo ter pisado na bola inúmeras vezes, falado um monte de coisas que não devia. O único problema é que eu nunca fiquei sabendo realmente do que se tratava a cagada. Se fosse um mero ponto de interrogação, relacionado a apenas um mísero erro, tudo bem, dane-se. Todavia, quanto mais eu penso nisso, mais o cérebro fica remoendo essa idiotice e chegando em conclusões absurdas, sem sentido. Tô literalmente levando uma surra mental. O(s) motivo(s)? Tenho lá minhas especulações, que, não passam de especulações. Trocando em miúdos: não aprendi nada até agora e provavelmente vo errar muito ainda. Espero que para cada erro, um aprendizado, não uma surra (mental).

Créditos: flickr da re.biscoito





Contatos

18 05 2008

Contatos podem fazer a diferença na vida, contanto que você saiba como manter contato com eles. Os contatos, na maioria das vezes, parecem ser uma enxurrada de gente que só servem pra algo, quando precisamos deles. E o tratamento é igual, de contato pra contato. Manter contato pra uns é ligar de 6 em 6 meses, é chamar pra sair e na real, contato em sua essência é contato de tato mesmo. O contato que você mantém com seus contatos é com tato ou sem? Tato não no sentido de enfiar o dedo no olho do queridão ou da queridona, tato é o nível de aproximação que supostamente existe entre duas pessoas.

Cultivar amizades é complicado, exige tolerância, abetura, entrega, quase um namoro, mas não se assemelha nem um pouco com regar uma plantinha e esperar ela crescer. Eu conheço gente que acha que mijando nas amizades, a coisa vai pra frente. E tome blocos de gesso na cara. Por urinar numa amizade, me refiro ao caso do famoso, uso e abuso e por fim, desuso. Mais que isso, passar na frente de um contato e fingir que nunca rolou nenhum tato. Se o mundo dá voltas ou não, isso não cabe à questão, mas é claro que ele dá voltas, senão não existiria a força da gravidade, força que mantém 100 % da humanidade com os pés no chão, uns 99 % com a cabeça na lua e 1 % de fato com a cabeça e o cerebelo no lugar.

Só que como tá tudo na base do falatório-baixo, no sussurro, tudo em segredo, absoluto mistério e coisas colocadas às sombras, vai confiar em quem? Senão, não há porque manter contato, dessa vez sem tato. Há pessoas que é delas mesmo essa aparente fonte inesgotável de energia, essa galera irradia uma atitude que só quem for muito ranzinza ou rancoroso não é afetado, aos demais, é neste tipo de gente que buscamos conforto, buscamos pegar conselhos que acreditamos serem indispensáveis para o agora, para o antes e para o depois. Sei lá como definir isso: alto astral, bom humor, gente reluzente? Tudo e isso e muito mais, perhaps. É aquele tipo de pessoa que de tanta alegria exalada, faz com que o restante acabe desconfiando que a pessoa esconda por trás daquilo tudo, todos os seus medos e suas incertezas, ou pior, que guarde pra si mesmo e que só em momentos solitários, revele-se triste e incrédula frente à vida.

O jargão de ‘Ninguém é Perfeito’ é usado como álibi pras mais diversas cagadas, pisadas de bola que cometemos com aqueles que justamente mantemos mais contato. É mesmo, ninguém é perfeito? No discurso, realmente, tiro o chapéu pra tanta humildade, mas na prática, dá pra ver claramente uma legião de pessoas perfeitas. Partindo-se do pressuposto, de que de fato existam essas perfeições em formas humanas, chega-se às seguintes conclusões: essas pessoas criaram suas próprias normas, são pessoas que estão felizes o tempo todo, as leis da natureza não se aplicam à elas, são as suas leis que se aplicam ao ecossistema, assim é uma galera que nunca erra, nunca fala bobagens, nunca está triste, nunca pisa em falso, resumindo, perfeição é isso aí. Jamais sair do lugar, do mesmo lugar.

Seja lá quem disse que a perfeição é chata, tinha razão. Mais que chata, é monótona. Monotonia leva à apatia, ao desgosto até pelo desgosto, à famosa cara-de-cu, trocando em miúdos: àquelas pessoas que comumente denominamos como malas. Disto eu concluo que as pessoas malas…um dia foram perfeitas. Feitas para serem malas. Malas por serem perfeitas.

Por essas e outras, mantenhamos contato com a imperfeição, assim manteremos contato com uma feição que sempre nos obrigará a ser melhores por dentro, eu disse por dentro tá? Por fora a gente já tá cansado de ver tantas malas ocupando o lugar de cabeças, mais do que simples malas, são anúncios ambulantes, que pra variar um pouco, jamais conseguem manter o mesmo semblante, afinal sua perfeição está a venda e sabem para quem? Para eles mesmos, os eternos consumidores de suas próprias feições.





Como a nossa época será escrita…

14 05 2008

nos livros de história. Certamente não será um mar de rosas cheio de esplendor, pra dar e vender, se é que vai ter algo pra vender. Será algo mais ou menos assim:

“Os anos 2000 – ideais à frente de seu tempo, comportamentos atrás.
Neste capítulo iremos tratar de uma época da humanidade na qual, os avanços tecnológicos, se não catapultaram a humanidade para o que ela é hoje, certamente foram cruciais e instantaneamente-nostálgicos para quem viveu e respirou as transformações absurdas e velocíssimas que se sucederam naquele instante. Todos os campos da ciência progrediam cada vez mais, porém o comportamento humano, ou pelo menos uma parcela dele, retrocedeu. Não só retrocedeu como foi responsável por criar um dos maiores paradoxos registrados até hoje.

Naqueles tempos, a palavra tecnologia estava na ponta da língua de qualquer um, mas a aplicação dela pra salvar milhões de vidas, ficou a mercê de políticas regadas à linhas burocráticas e interesses governamentais. Já não se tratava mais da Idade da Pedra, tratava-se de tempos Pós-Modernos, termos comumente usados pra designar o estado avançado no qual a humanidade se encontrava. Exemplos de tragédias evitáveis não faltavam para evitar outras que viriam, Ruanda em 1994 ficou no papel, porquê em menos de uma década, no ano de 2003, na região de Darfur no Sudão, iniciaria-se um “conflito” entre um governo corrupto e autoritário e um povo a mercê dessas virtudes-satânicas.

Sinais evidentes de aquecimento no globo terrestre foram sumariamente ignorados por inúmeros países, mais do que países, pelos próprios cidadãos deles. Estes que, na mais pura e obscena ingenuidade, pensaram que sua parcela de culpa se restringiria ao seu bairro, mas se enganaram e por pouco as futuras gerações que viriam, não sofreram com um inverno nuclear, ironicamente, sem uma bomba deste calibre ter sido usada.

Mais do que em qualquer época, foi nesta onde antigos preconceitos e superstições começaram a cair por água abaixo. A mentalidade ficou mais liberal, mais tolerante com o próximo e cogitou-se estar chegando num momento de paz mundial. Entretanto isso não foi possível, pelo simples fato de que este parágrafo é uma utopia que perdura até os dias atuais. Com tanta overdose de cultura e desenvolvimento urbano, o que se viu foi justamente o contrário ao que se esperava de uma espécie que se considera, civilizada.

A sensação que se tinha naqueles tempos e que vinga até hoje, é a de que quanto mais o ser humano avança, progride, evolui, se expande, seja no campo da arte, música, cultura, física, literatura e qualquer campo científico, mais o bom senso retrocede, dando lugar à um egocentrismo desmedido combinado com uma arrogância que parece estar presente nas moléculas de oxigênio que flutuam pelo espaço. Já não se tratava mais de falta de bom senso das coisas darem certo, era falta de vontade mesmo. Era e continua sendo, resta saber, até quando”.

Como eu gostaria de queimar a minha língua e ler um artigo daqui a 50 anos vendo que a minha geração, fez de fato, algo significativo, tomou a situação pelas rédeas e deu um ponta pé inicial numa reviravolta que se encaminharia para uma só direção: a direção da harmonia social. Tá tudo muito utópico nesse texto, quando na verdade, tirar sarro de assuntos como esse, não só demonstra uma tremenda falta de neurônios, como uma escassez colossal de compaixão pela própria vida e pela do outro.

Me perguntarão: “E você, tem feito o quê pra mudar o que te incomoda?” No momento, tenho refletido sobre tudo isso, é pouco, muito pouco para o que realmente pode ser feito. O que realmente precisa ser feito é as pessoas pararem de pegar os outros como parâmetro para suas próprias fraquezas. Ninguém precisa de ninguém melhor ou pior do que ele pra tomar uma atitude e fazer a diferença, mas já que a insistência parece ser inevitável, então seja você o parâmetro, de preferência do lado positivo da moeda. 





Onde você estava quando…

18 04 2008

Onde você estava no dia em que achou que o tempo tinha se esgotado? Onde estava quando deu aquele bolo na sua namorada? Onde estava quando o céu escureceu e o frio chegou? Independente de onde esteve, você esteve em algum lugar. Fez um ato, deixou de fazer outro. Falou uma palavra em detrimento de outra. Magoou alguém quando poderia ter dado afeto. Pisou ao invés de dar a mão. Mentiu quando poderia ter dito a verdade. Ficou parado naquela festa quando poderia ter chegado naquela gatinha. Chutou tudo naquela prova quando teve todo o tempo do mundo pra estudar numa boa. Decidiu dormir até babar quando poderia estar fazendo qualquer coisa útil.

Engoliu aquela ofensa quando poderia ter rebatido. Guardou sua raiva pra dentro de si quando poderia ter se exaltado e soltado um grito de guerra. São tantos exemplos, tantas situações que fica até difícil matutar aqui pra sair listando. Qual é o elemento que mais interfere nisso tudo? Orgulho? Timidez? Atitude? Passividade? Comodismo? Um pouco de tudo e um pouco de nada. Em qualquer situação, você tem sim uma parcela de decisão, querendo ou não, está onde está porquê decidiu isso. Mesmo que tenha decidido estar no meio do nada, não fazendo nada. Duas decisões distintas, mas decisões, atos, ações.

Clique com o botão direito do seu braço e vá até a janela de ‘editar’ e clique em ‘desfazer’. A cena é mirabolante: você levanta o seu braço pra cima procurando esse botão para passar a borracha num ato que acabou de ser feito pela sua pessoa, por você. Pena que a vida não tem essa função. Só mesmo agindo pra desfazer uma bobagem feita. Tatuar uma ação por cima da outra. Tá com preguiça de pensar? Isso aí tá mais pra preguiça de viver. Quem adia resolver seus problemas, adia seus prazeres. Alegria é uma decisão que a gente toma. Você decide se quer continuar sendo melancólico ou se quer instantaneamente sorrir e dar uma puta risada de tudo que vier no seu caminho.

Se a vida é algo chato é porque nós a tornamos assim. Lembre-se, a sua vida tá chata, não é a do vizinho e nem do colega de sala. Mas por quê ela tá assim? Felizmente você se colocou nessa situação, então presume-se que também seja capaz de se retirar dela. Acorde. Acorde para o mundo, acorde para viver, acorde pra dar risada, acorde pra lembrar-se o quanto você é inequivocadamente um gênio. Acorde antes que você durma para a eternidade. Uma eternidade que poderia ter deixado um rastro glorioso. A condição é você acordar, é você agir. Por enquanto a porta da eternidade tá fechada, até a medicina descobrir como abri-lá o melhor a fazer é acordar pra vida.

De qualquer maneira, independente da decisão que você tomar, quando te perguntarem aonde a sua cabeça estava naquele ato de insanidade, diga que você não estava com os pés no chão, apenas não deixou de sonhar.





Intuição Pura

11 04 2008

Seu Tempo continua incomodando, só o fato dele existir já incomoda. Ver ele passar mais ainda. Resta-nos levantar o freio de mão e dar uma diminuida na coisa. A gente atrela tudo ao tempo. Essa subordinação que temos à esse troço que ocupa espaço em nossas vidas, bota espaço nisso. Francamente? Não agüento mais falar de tempo. Não agüento mais viver de acordo com ele. Meu maior medo é o dia em que eu não consigo mais ver ele, ironicamente, quando ele não tem culpa nenhuma. Ele é constante.

Eu queria que as coisas acontecessem mais rápido. Queria literalmente poder fazer o que der vontade. Pausar esse filme chamado ‘vida’. Nessa pausa, a imagem congela e as pessoas ao meu redor também congelam, logo, isso inclui o tempo. O mundo congelou, frisou, parou. Claro, eu sou o único que se move entre um monte de pessoas paradas. Umas apressadas, outras dormindo no ponto. A gota de água que cai do céu passa na minha frente e eu consigo desviar dela. Pego e me enfio entre uma multidão. Sento no meio de todos, encaro eles, penso na vida. Penso nos meus objetivos, nos meus planos, nas minhas vontades. Finalmente eu consigo pensar sem ter o tal do tempo pra berrar na orelha.

Pessoas discutindo por motivos fúteis. Gente brigando por vácuo. Gritos. Verbalizações emanadas de maneira grossa. Nada disso. A constância humana congelou. Essa constância que, aparentemente, só persegue bobagens. Preguiça de pensar? Nenhuma. Não há o que pensar. Há o que fazer, muita coisa a ser feita.

Acordar de manhã, olhar no espelho e ver que não estou só. Tem mais alguém comigo. Meu chuchu. Sim, viva os apelidos carinhosmente dados àqueles que amamos. Assim que você frisa a imagem, você olha tudo com uma delicadeza que só os que querem olhar assim conseguem, ou seja, não há nenhuma exclusividade nisso, basta querer. Sim, uma vontade aliada à uma mente positiva. Utopia sim, realidade não. Pra quê? Pra quê encarar a realidade? Tá longe de ser essa ausência de sofrimento que a gente tanto procura.

Por que ficamos felizes com o sofrimento alheio? Proporciona um prazer? Não deveríamos nos encher de alegria ao vermos o outro feliz? No fundo, todo ser humano é bom, mas o problema é justamente esse, poucos tem a audácia e a vontade de extrair desse fundo as coisas boas. As que escolhem explorar esse fundo, são as mais felizes, são as pessoas de boa índole. Há quem prefira amar ao invés de odiar.

A vida nos reserva um grande amor ou será que ela torçe pra que nós o encontremos? Por que quando falamos de amor atribuimos a ele essa noção de grandeza? Acredito que seja pela peculiaridade dele. É um sentimento verdadeiro, é algo que nos chacoalha, nos comove. Quando o sentimos, não queremos largar esse sentimento. Talvez para tentar inverter aquele velho clichê para ‘tudo que é bom dura MUITO’. É o exagero da vida que a gente aceitaria de braços abertos. Jamais algo foi colocado fora do conceito de equilíbrio, só que agora o próprio equlíbrio diz: “Não me encaixo nessa categoria, favor dar sinal verde a ela”.





Reflexão Diária

4 06 2007